Recentemente, a Carris, empresa pública de transporte de Lisboa, reconheceu que a qualidade do serviço vem piorando e admitiu estar analisando formas de melhorar, em especial por meio da otimização da velocidade comercial.
Apesar disso, as mudanças não devem produzir efeito no curto prazo. Em 2025, os ônibus da Carris tiveram o pior resultado da história em velocidade média de circulação, chegando a 13,66 km/h, segundo revelou o jornal Público. No ano anterior, a média havia sido de 13,71 km/h, marca que, até então, representava o recorde negativo da empresa.
Esses números aparecem no Plano de Atividades e Orçamento para 2026 da Carris, documento recentemente debatido e aprovado em reunião do executivo na Câmara Municipal de Lisboa. O relatório confirma uma trajetória de deterioração da oferta comercial do transporte rodoviário da operadora, mesmo com o aumento da capacidade de transporte e com a previsão de expansão da oferta já no próximo ano.
A queda na velocidade dos ônibus acontece em um cenário de forte pressão sobre a circulação de carros na capital. Nos últimos anos, Lisboa tem visto um crescimento expressivo do trânsito, principalmente no período pós-pandemia, quadro agravado pela concentração de grandes obras públicas em várias áreas da cidade.
Situação deve piorar em 2026 para os ônibus da Carris em Lisboa
As projeções da própria Carris indicam um agravamento adicional durante a primeira metade de 2026. No primeiro trimestre do próximo ano, a velocidade média dos ônibus deve cair para 13,58 km/h, com uma leve recuperação para 13,65 km/h no segundo trimestre.
A melhora gradual só é esperada a partir do segundo semestre, quando a empresa estima fechar 2026 com uma velocidade média em torno de 13,70 km/h - praticamente no mesmo patamar dos valores registrados em 2024. Ainda assim, a retomada tende a ser lenta no médio prazo: pelas projeções, apenas em 2029 a Carris pode se aproximar de 13,9 km/h, permanecendo abaixo da barreira de 14 km/h, superada pela última vez em 2022.
Estratégias para reverter a tendência
Diante desse cenário, a Carris prepara uma revisão profunda da sua rede, que não passa por uma atualização estrutural há cerca de 15 anos. Em paralelo, foi encomendado um estudo à consultoria VTM para apontar soluções que ajudem a dar mais fluidez à circulação dos ônibus, incluindo a reorganização de trajetos, a otimização da semaforização e o reforço dos corredores BUS.
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