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Rússia informou que o sistema de mísseis hipersônicos Oreshnik, instalado na Bielorrússia, já está em operação.

Três soldados com uniformes camuflados analisam mapas em frente a lançadores de foguetes múltiplos em campo aberto.

O Ministério da Defesa da Rússia informou que o sistema de mísseis balísticos hipersônicos de alcance intermediário Oreshnik passou a operar oficialmente em serviço de combate na Bielorrússia, sinalizando mais um avanço na cooperação militar entre Moscou e Minsk.

Segundo nota divulgada em 30 de dezembro, foi realizada em território bielorrusso uma solenidade para formalizar o início das atividades operacionais do sistema. De acordo com o comunicado, uma cerimônia oficial marcou a entrada em serviço de uma unidade equipada com o sistema móvel de mísseis Oreshnik, e, ao final do rito de comissionamento, a bandeira das Forças de Mísseis Estratégicos foi içada.

Antes de a unidade ser declarada pronta para o serviço, o efetivo designado - incluindo equipes de lançamento, comunicações, segurança, fornecimento de energia e operação/manutenção mecânica - teria concluído um ciclo de treinamento avançado com o uso de simuladores modernos, conforme informações divulgadas pelas autoridades russas.

Oreshnik na Bielorrússia: implantação e indícios em território bielorrusso

No fim de dezembro, o Ministério da Defesa da Bielorrússia publicou um vídeo institucional que, segundo a própria pasta, registraria a implantação do sistema Oreshnik no país. As cenas mostravam uma cerimônia de hasteamento de bandeira com a presença de militares russos e uma coluna de viaturas em deslocamento rumo a uma posição de campo, onde os veículos foram ocultados sob redes de camuflagem.

Ainda assim, o conteúdo divulgado não exibia de forma inequívoca os veículos TEL (Transportador, Erector, Lançador). Em vez disso, predominavam imagens de meios de apoio, o que alimentou questionamentos sobre se os lançadores e os mísseis já estariam, de fato, no país ou se permaneceriam em outras instalações. As autoridades bielorrussas também não indicaram o local exato nem a data de gravação do material.

Durante a filmagem, um oficial de alta patente comunicou à tropa que os sistemas haviam sido oficialmente colocados em serviço de combate e citou rotinas de instrução, treinamento e reconhecimento executadas pelas equipes.

Possível localização e análise por satélite

Especialistas em armamentos estratégicos examinaram imagens de satélite e apontaram uma possível instalação associada ao Oreshnik em uma antiga base aérea próxima a Krichev, no leste da Bielorrússia, a cerca de 300 km a sudoeste de Moscou. Jeffrey Lewis, do Instituto Middlebury de Estudos Internacionais, e Eveleth Decker, da organização CNA, declararam ter “90% de certeza” de que lançadores móveis do sistema seriam posicionados ali - caso isso já não tenha ocorrido.

Conforme a avaliação desses analistas, entre agosto e setembro foram observadas obras que lembrariam adaptações compatíveis com uma base de mísseis estratégicos. Entre os pontos citados estariam uma área de transferência ferroviária com medidas de proteção e uma plataforma de concreto descrita como “compatível com um local de lançamento camuflado”. A estrutura, segundo eles, poderia comportar ao menos três lançadores.

Uma fonte mencionada sob anonimato afirmou que essas leituras “em geral estão alinhadas com as conclusões da inteligência americana”.

Confirmações oficiais e contexto dos exercícios Zapad-2025

Em 18 de dezembro de 2025, o presidente bielorrusso Alexander Lukashenko afirmou que o Oreshnik já havia sido implantado e encontrava-se operacional. Em mensagem ao povo e ao Parlamento, transmitida pela mídia estatal, declarou: “Nós o temos desde ontem e ele já está em serviço de combate”.

A confirmação veio após os exercícios estratégicos conjuntos Zapad-2025, realizados em setembro, nos quais a Bielorrússia conduziu simulações ligadas ao emprego do sistema. Nesse cenário, o vice-ministro da Defesa bielorrusso, Pavel Muraveiko, afirmou que as manobras incluíram atividades relacionadas ao lançamento de mísseis e a encenação do uso de armas nucleares “não estratégicas”.

Além do aspecto militar, a entrada do Oreshnik em serviço de combate no país tende a ter reflexos na dimensão político-estratégica: a presença de um sistema de alcance intermediário em território bielorrusso pode influenciar cálculos de dissuasão, planos de prontidão e mensagens de sinalização estratégica na região.

Outro ponto frequentemente discutido por observadores é a cadeia de comando e o desenho operacional em implantações desse tipo. Ainda que as autoridades destaquem treinamento, segurança e apoio logístico, permanecem relevantes - do ponto de vista analítico - questões como procedimentos de comunicação, protocolos de proteção de instalações e como se organiza a coordenação entre as estruturas militares de Moscou e Minsk.

Características do sistema de mísseis balísticos hipersônicos de alcance intermediário Oreshnik

O Oreshnik é descrito como um sistema de mísseis balísticos hipersônicos de alcance intermediário com capacidade para transportar ogivas nucleares. A arma foi apresentada publicamente no fim de 2024, quando teria sido empregada pela primeira vez em um ataque contra uma instalação do complexo militar-industrial na região ucraniana de Dnipropetrovsk, com uso de uma ogiva não nuclear.

No dia seguinte ao ataque, o presidente russo Vladimir Putin declarou que a Rússia já dispunha de um estoque de mísseis Oreshnik produzidos e que a fabricação em série havia sido organizada. Mais tarde, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas da Rússia, Valery Gerasimov, disse que as forças russas contavam com uma brigada equipada com esse sistema.

Putin também voltou a sustentar que o Oreshnik seria um míssil “ininterceptável” e destacou seu elevado poder destrutivo, conforme declarações repercutidas pela mídia estatal russa.

Imagens meramente ilustrativas.

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