No dia 30 de dezembro, a China acelerou o emprego de meios e efetivos dedicados ao exercício Justice Mission 2025, ativando um amplo conjunto de capacidades do Exército Popular de Libertação (EPL) ao redor da ilha de Taiwan. Já tratado como uma das ações militares conjuntas mais elaboradas conduzidas por Pequim nos últimos anos, o ciclo de manobras - sob coordenação do Comando do Teatro Oriental - passou a ocorrer de forma simultânea em áreas ao norte, ao sul, a leste e a sudoeste de Taiwan, indicando que o treinamento entrou claramente na fase de execução.
Segundo comunicados oficiais do EPL, a partir de 29 de dezembro foram deslocadas forças do Exército, da Marinha, da Força Aérea e da Força de Foguetes para o Estreito de Taiwan e para extensas zonas marítimas e aéreas no entorno. Entre as atividades relatadas estiveram patrulhas, treinamentos de aviação, simulações de bloqueio de portos e de áreas consideradas estratégicas, além de ações de dissuasão com navios e aeronaves aproximando-se da ilha por múltiplos eixos.
Um aspecto relevante - especialmente para aviação civil e navegação comercial - é que esse tipo de exercício tende a ampliar a emissão de avisos operacionais (como áreas temporariamente segregadas), elevando o nível de cautela de rotas próximas ao Estreito. Ainda que as zonas de treinamento sejam definidas, a concentração de plataformas e o ritmo de operações aumentam o risco de incidentes por proximidade e exigem coordenação cuidadosa para evitar escaladas não intencionais.
Exercícios de tiro real e operações navais coordenadas do EPL no Justice Mission 2025
Na manhã de 30 de dezembro, o Exército Popular de Libertação (EPL) informou que formações navais, compostas pelas fragatas classe Jiankai II Tipo 054A Baoji (534) e Quzhou (517), pelos destróieres classe Luyang III Taiyuan (131) e Xi’an (153), além do navio de assalto anfíbio LHD Tipo 075 Hainan, realizaram exercícios de tiro após chegarem às áreas designadas nas proximidades de Taiwan. A atividade incluiu o emprego de armamentos principais e secundários.
Em seguida, os meios citados teriam conduzido operações combinadas, com ênfase em tarefas de defesa antiaérea e antimíssil, ataques antinavio e guerra antissubmarino - um pacote de missões voltado a treinar e reproduzir cenários de controle do mar e de domínio do espaço aéreo.
Paralelamente, foi reportado que, em águas a sudeste de Taiwan, ocorreram práticas simulando um desdobramento anfíbio liderado pelo navio de assalto Tipo 075 Hainan, atuando de maneira integrada com bombardeiros e aeronaves equipadas com mísseis antinavio. As manobras incluíram coordenação navio-aeronave, ataques contra alvos marítimos simulados, incursões de longo alcance e missões de apoio logístico. De acordo com a imprensa taiwanesa, teriam sido disparados 27 mísseis em duas salvas; todos teriam caído no mar diante da costa norte de Taiwan, dentro de uma área de exercício definida pelo EPL e fora da zona contígua de 24 milhas náuticas (cerca de 44 km).
Aviação, mísseis e ataques conjuntos de longo alcance
O braço aéreo do exercício contemplou decolagens simultâneas de diferentes tipos de aeronaves a partir de diversas bases, reunindo caças, bombardeiros, plataformas de vigilância e veículos aéreos não tripulados. Operando nos setores leste, norte e sudoeste de Taiwan, essas formações cumpriram missões de ataque marítimo, controle regional do espaço aéreo, ataques simulados a alvos e combates aéreos de treinamento.
Dentro desse contexto, o EPL declarou que, por volta do meio-dia (hora local de Taiwan), forças aéreas, navais e de foguetes executaram um ataque conjunto de longo alcance em águas ao sul da ilha, somando-se a outras atividades do mesmo tipo realizadas durante o exercício. Além disso, unidades terrestres e a Força de Foguetes posicionaram sistemas de artilharia de longo alcance e mísseis, treinando ciclos de detecção, acompanhamento e engajamento simulado contra alvos navais e contra objetivos militares terrestres fixos na província de Fujian.
Do ponto de vista estratégico, exercícios como o Justice Mission 2025 costumam ter dupla finalidade: elevar o nível de prontidão e interoperabilidade entre componentes (mar, ar, terra e foguetes) e, ao mesmo tempo, enviar sinais políticos. Na prática, a escolha de eixos de aproximação e a combinação de cenários (bloqueios simulados, ataques de longo alcance e defesa aérea) ajudam a mapear como cada lado reage sob pressão, inclusive em termos de tempo de resposta e padrões de monitoramento.
Dia 2: Taiwan segue monitorando, vigiando e avaliando o cenário
Em Taipé, o Ministério da Defesa de Taiwan afirmou que, no dia 29, foram detectadas ao menos 130 aeronaves do EPL, além de 14 navios da Marinha chinesa e 8 embarcações operando ao redor da ilha. Conforme o boletim oficial, 90 dessas aeronaves cruzaram a linha média do estreito ou entraram em diferentes setores da Zona de Identificação de Defesa Aérea (ADIZ) de Taiwan. As autoridades indicaram que a situação foi acompanhada continuamente e que as medidas de resposta correspondentes foram acionadas.
Mais tarde, o Comando do Teatro Oriental confirmou oficialmente a evolução do segundo dia, informando a continuidade das manobras ao norte e ao sul de Taiwan. Segundo Pequim, as atividades voltaram a incluir operações de advertência e expulsão, ataques simulados, assaltos contra objetivos marítimos, bem como treinos de defesa antiaérea e guerra antissubmarino - reforçando que o desdobramento não se restringiu a uma demonstração pontual de poder. No período da tarde, foram identificados 13 navios de guerra do EPL, 15 navios da guarda costeira e 71 aeronaves militares em operação nas proximidades de Taiwan. Das 71 aeronaves, 35 cruzaram a linha média do Estreito de Taiwan e entraram na ADIZ taiwanesa.
Estados Unidos acompanharam de perto com P-8A Poseidon e RC-135V/W
Nesse cenário, a movimentação militar chinesa também foi observada atentamente pelos Estados Unidos, que empregaram plataformas de vigilância e reconhecimento na região. Em 30 de dezembro, uma aeronave antisubmarino P-8A Poseidon da Marinha dos EUA (US Navy) foi detectada operando em águas próximas a Taiwan, realizando missões de observação relacionadas ao andamento do exercício. Além disso, uma aeronave de inteligência eletrônica RC-135V/W da Força Aérea dos EUA (USAF) já havia sido vista em dias anteriores atuando perto do litoral chinês.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário