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ACAP propõe que inspeções detetem filtros de partículas adulterados ou removidos

Carro esportivo branco com design moderno estacionado em showroom com piso espelhado e janelas grandes.

A remoção ou a adulteração dos filtros de partículas em veículos movidos a diesel é uma prática alarmante, segundo a ACAP, por elevar diretamente as emissões de poluentes e aumentar os riscos à saúde da população.

Para enfrentar esse problema, a associação pretende levar ao próximo governo um pacote de cinco medidas, no qual se destaca a obrigatoriedade de medir partículas ultrafinas nos centros de Inspeção Periódica Obrigatória (IPO), com a adoção de equipamentos dedicados.

Hoje, muitos centros de inspeção contam apenas com opacímetros, instrumentos que avaliam a opacidade da fumaça do escapamento. Na prática, esse método não consegue identificar com confiabilidade a emissão excessiva de partículas finas e tampouco confirmar a presença (ou ausência) do filtro de partículas - o que abre espaço para que circulem veículos com emissões muito acima dos limites legais.

Contadores de partículas para detectar filtros de partículas adulterados (ACAP)

A proposta defendida pela ACAP prevê a instalação de dispositivos capazes de quantificar com precisão o número de partículas por centímetro cúbico (partículas/cm³). Esse tipo de solução já é adotado em outros países europeus e permite apontar resultados acima do teto legal de 250.000 partículas/cm³, aplicado a veículos homologados na norma Euro 5b ou superior.

Na visão da entidade, o investimento exigido dos centros de inspeção seria semelhante ao custo de aquisição de opacímetros. Com a nova metodologia, veículos com sistemas de controle de emissões manipulados, inoperantes ou inexistentes seriam reprovados imediatamente na IPO.

Além de configurar uma irregularidade técnica, a adulteração do filtro de partículas representa, conforme destaca a ACAP, um claro retrocesso ambiental. Um veículo nessas condições pode emitir dezenas de vezes mais partículas do que outro que mantém os sistemas de filtragem funcionando corretamente.

Também é importante considerar o impacto econômico e de manutenção: quando o sistema de pós-tratamento é removido ou burlado, podem surgir outros problemas no conjunto de escape e no gerenciamento eletrônico do motor, elevando o risco de falhas e custos futuros. Do ponto de vista do consumidor, a curto prazo pode parecer uma “economia”, mas o resultado tende a ser prejuízo - além da ilegalidade.

Capacitação técnica e conscientização do público

Junto com a introdução dos contadores de partículas, a ACAP defende o reforço da formação dos técnicos que atuam nas IPO e a realização de uma campanha de conscientização para informar a população sobre os perigos e a ilegalidade de remover esses sistemas.

Uma ação educativa contínua pode reduzir a demanda por serviços clandestinos de adulteração, ao mesmo tempo em que melhora a compreensão sobre o papel dos filtros de partículas na qualidade do ar - especialmente em áreas urbanas, onde a exposição a material particulado tende a ser mais elevada.

Fiscalização mais atual para carros mais limpos

A iniciativa proposta pela ACAP se encaixa em uma estratégia mais ampla de controle de emissões e de renovação da frota circulante. A ideia é fazer com que o setor automotivo participe ativamente da descarbonização e do avanço na qualidade do ar.

Com o envelhecimento médio da frota e o aumento da entrada de veículos usados, elevar o rigor técnico das IPO passa a ser ainda mais decisivo. A ACAP entende que a medição de partículas ultrafinas terá impacto relevante na identificação de fraudes e no cumprimento efetivo dos limites legais de emissões.

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