Pular para o conteúdo

Após perder a Warner Bros, a Netflix busca desesperadamente formas de criar novas franquias.

Homem trabalhado em escritório moderno com desenhos e fluxogramas colados em parede de vidro.

A Netflix tenta retomar o fôlego depois de ver escapar a compra da Warner Bros - e, com ela, um pacote gigantesco de franquias. Mesmo sem esse atalho, o serviço de streaming segue determinado a construir licenças duradouras para sustentar o seu futuro.

O que parecia uma virada histórica acabou ficando pelo caminho: quando a Netflix estava perto de fechar a aquisição da Warner Bros, quem chegou primeiro foi a Skydance Paramount. Com a disputa encerrada, a plataforma volta a olhar para o que, no cinema e na TV atuais, costuma fazer diferença no longo prazo: franquias fortes, capazes de gerar continuações, derivados e reconhecimento constante do público.

O catálogo da Warner Bros que a Netflix não levou

A Warner Bros reúne um acervo impressionante de propriedades intelectuais - exatamente o tipo de motor que a Netflix queria colocar para funcionar a seu favor. Entre as principais franquias, estão Harry Potter, DC Comics, O Senhor dos Anéis, Godzilla, Game of Thrones, Matrix, Mad Max e muitas outras.

Sem acesso a esse “cofre” de universos já estabelecidos, a Netflix precisa seguir com o plano B (que, na prática, já era o plano principal): desenvolver ideias originais e, quando fizer sentido, firmar acordos com grandes estúdios. Em entrevista à Reuters, Bela Bajaria, diretora de criação, reforçou que a empresa continuará nessa direção - inclusive com parcerias envolvendo MGM (Amazon) e a própria Warner Bros. Em outras palavras, o rumo permanece o mesmo, com ou sem a aquisição.

Franquias da Netflix em séries e filmes: entre acertos e tropeços

A Netflix já conseguiu criar marcas próprias muito populares. Entre os exemplos mais conhecidos, estão Bridgerton, Squid Game e o fenômeno Stranger Things, cuja última temporada foi lançada no fim de 2025.

Ao mesmo tempo, esses sucessos convivem com apostas que não deram o retorno esperado. Um caso emblemático é The Electric State, superprodução dos irmãos Russo com orçamento de US$ 320 milhões (algo em torno de R$ 1,6 bilhão, dependendo do câmbio). Além de receber avaliações negativas da crítica, o filme teria somado apenas 25 milhões de espectadores na primeira semana, ficando em 32º lugar no ranking histórico de audiências de conteúdos da Netflix.

Outro exemplo citado com frequência é Rebel Moon, de Zack Snyder. O primeiro filme também não agradou a crítica, mas ainda assim reuniu 34 milhões de usuários na semana de estreia. Já o segundo capítulo, lançado quatro meses depois, caiu para 21 milhões. Com isso, a ideia de expandir o universo como uma franquia gigantesca acabou sendo deixada de lado.

Em declaração à Reuters, Bela Bajaria resumiu a volatilidade desse tipo de investimento:

“Muitos filmes de grande orçamento, mesmo quando são propriedades intelectuais, não funcionam. Trabalhamos com cinema e televisão: algumas coisas dão muito certo, e muitas outras não.”

O caminho à frente: novas apostas, jogos e parcerias

Apesar das derrapadas, o cenário não é necessariamente negativo. O bom desempenho de K-Pop Demon Hunters indica que o longa pode se transformar na próxima grande licença da plataforma.

A empresa também segue investindo em videogames como fonte de franquias - uma área que tem se mostrado relativamente segura para o seu portfólio. Em parceria com a Ubisoft, a Netflix está desenvolvendo uma série de Splinter Cell e outra de Assassin’s Creed. E esse movimento não é novo: a plataforma já levou para a tela adaptações como Cyberpunk, Castlevania, League of Legends (Arcane) e Resident Evil.

Além de séries e filmes, franquias de verdade costumam se consolidar quando há consistência: lançamentos regulares, identidade visual clara e capacidade de atravessar formatos (spin-offs, animações, especiais e até experiências interativas). Para a Netflix, isso significa não apenas “ter um título de sucesso”, mas conseguir repetir o interesse do público ao longo do tempo.

Outro ponto importante é o equilíbrio entre originalidade e reconhecimento imediato. Parcerias com estúdios e detentores de propriedade intelectual ajudam a reduzir o risco de descoberta - mas não eliminam o desafio de execução, que envolve roteiro, elenco, direção e timing de lançamento. No fim, a compra frustrada da Warner Bros obriga a Netflix a reavaliar como prioriza franquias - ou, no mínimo, a seguir com a estratégia atual, aceitando seus pontos fortes e suas limitações.

Comentários

Ainda não há comentários. Seja o primeiro!

Deixar um comentário