Quinze anos após os acontecimentos, as autoridades voltam a pedir ajuda diretamente ao público na internet.
Relembre o caso Xavier Dupont de Ligonnès
Em abril de 2011, investigadores encontraram, enterrados sob o terraço de uma casa no boulevard Schuman, em Nantes, os corpos de Agnès Dupont de Ligonnès e de seus quatro filhos. O marido, Xavier Dupont de Ligonnès, desapareceu e segue oficialmente foragido.
O último sinal considerado confiável apareceu poucos dias depois: uma figura registrada por uma câmara de vigilância em Roquebrune-sur-Argens, no departamento de Var, em 15 de abril de 2011. Desde então, autoridades de diferentes países não conseguiram localizar o suspeito, apesar de vários supostos avistamentos e identificações que não se confirmaram.
Um apelo inesperado no condado de Brewster, Texas (Xavier Dupont de Ligonnès)
O que pouca gente esperava era ver o caso ganhar novo fôlego no condado de Brewster, no estado do Texas, nos Estados Unidos. Ainda assim, foi justamente o gabinete do xerife dessa região - com 9.546 habitantes, conforme os recenseamentos mais recentes - que publicou, na quarta-feira, 25 de março, um apelo a testemunhas no Facebook.
A publicação dizia:
O gabinete do xerife do condado de Brewster procura informações sobre o paradeiro de Xavier Dupont de Ligonnès. Estas fotos têm cerca de 15 anos, mas são as imagens mais recentes que conhecemos. Se você reconhecer esta pessoa ou tiver informações, ligue para 432-837-3488, ou para o 911 em caso de emergência.
Segundo a AFP, que divulgou um material visual relacionado ao pedido, o gabinete do xerife indicou que ele “pode ter sido visto em 2020 no condado, acompanhado de um labrador preto”.
Pouco depois, a mesma autoridade acrescentou mais detalhes sobre o contexto do apelo:
No início desta semana, o xerife Dodson foi procurado por uma equipa de imprensa privada, incluindo um ex-oficial, um dos primeiros investigadores. Durante a entrevista, o xerife Dodson soube que Ligonnès já tinha viajado para o condado de Brewster e teria dito que era um dos seus lugares preferidos. O nosso apelo por testemunhos é feito na esperança de reunir quaisquer pistas ligadas a este caso horrível, já arquivado. Recebemos muitas ligações, e-mails e mensagens de meios de comunicação nacionais e internacionais. Por enquanto, sem novas provas ou informações, não conseguiremos responder a esses pedidos individualmente. Manteremos atualizações por esta página do Facebook. Mais uma vez, se você tiver informações, não hesite em entrar em contacto connosco.
A linha americana (pista americana)
Ao longo dos anos, entusiastas e observadores dedicados ao caso exploraram o que se convencionou chamar de pista americana: a hipótese de que o foragido tenha tentado recomeçar a vida nos Estados Unidos. Esse interesse ganhou força por causa de uma viagem marcante feita por Xavier Dupont de Ligonnès em 1990, ao lado do amigo Michel Rétif.
Reportagens e investigações jornalísticas sobre o tema apontam que a travessia teria deixado uma impressão duradoura: para Ligonnès, a vastidão do Oeste americano poderia representar um refúgio ideal para quem deseja “desaparecer”.
Pouco antes do crime, ele teria enviado ao amigo uma mensagem interpretada por alguns como ambígua, mencionando um reencontro num lugar conhecido apenas pelos dois. Para investigadores e jornalistas, a leitura foi a de que essa referência poderia estar ligada às grandes áreas isoladas dos Estados Unidos por onde eles viajaram no passado. Apesar de vários relatos de supostos avistamentos na América do Norte ao longo do tempo, o FBI e as autoridades francesas ainda não apresentaram nenhuma prova formal de que ele tenha estado em território americano.
O que pode estar por trás do apelo e por que ele importa
Ainda é incerto se o pedido do condado de Brewster se apoia em novas informações concretas ou se se trata, sobretudo, de uma tentativa de reativar o caso e recolher pistas que possam ter passado despercebidas. Em investigações de longa duração, apelos públicos muitas vezes procuram exatamente isso: provocar lembranças, cruzar relatos e identificar detalhes aparentemente menores (uma pessoa, um veículo, um animal, um local) capazes de orientar verificações posteriores.
Também vale notar que o uso de redes sociais por forças policiais tornou-se uma ferramenta prática para alcançar rapidamente residentes e visitantes de áreas remotas, além de pessoas que estiveram na região anos antes. Ao mesmo tempo, esse tipo de divulgação tende a gerar um grande volume de mensagens, boatos e informações repetidas - o que explica por que as autoridades afirmam não conseguir responder individualmente a todos os contactos sem que surjam evidências novas.
Resta acompanhar se o apelo a testemunhas no Texas, em especial no condado de Brewster, vai produzir elementos verificáveis que reforcem a pista americana - ou se ficará apenas como mais uma tentativa de movimentar um dos casos mais marcantes e controversos ligados ao nome Xavier Dupont de Ligonnès.
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