A Feira Internacional do Ar e do Espaço (FIDAE) 2026, realizada em Santiago do Chile, reuniu anúncios e atualizações importantes para o setor de defesa. No evento, a Zona Militar conversou com Miles Chambers, Vice-Presidente Sênior do EDGE Group, que, em parceria com a brasileira SIATT, apresentou novos pontos sobre o míssil antinavio MANSUP (e sua evolução MANSUP-ER) e sobre o míssil antitanque MAX 1.2, ambos adotados pelas Forças Armadas do Brasil.
A seguir, as declarações foram reorganizadas para dar mais fluidez ao panorama de programas navais e terrestres - mantendo integralmente o conteúdo e o nível de detalhe.
MANSUP: do desenvolvimento à produção seriada para a Marinha do Brasil
Pergunta: Em 2026, a SIATT e a EDGE continuam na linha de frente do desenvolvimento de mísseis no Brasil, com programas como o MANSUP e o MAX 1.2 ganhando relevância operacional nos ambientes naval e terrestre. Qual é o retrato mais recente do programa MANSUP, especialmente na transição do desenvolvimento para capacidades operacionais na Marinha do Brasil?
A atualização do programa MANSUP passa, hoje, por um passo industrial decisivo: a construção de uma nova instalação de pirotecnia em Caçapava, na região de São José dos Campos. O local será voltado a todo o ciclo de mistura, formulação e fabricação de propelentes e materiais explosivos, tanto para o MANSUP quanto para o MAX.
A fase 1 da obra está sendo finalizada agora, e a fase 2 é esperada para o fim do ano. Esse cronograma acompanha a passagem do MANSUP da etapa de desenvolvimento para a produção em série.
Além das encomendas já existentes junto à Marinha do Brasil e aos Emirados Árabes Unidos, a avaliação é de que existe uma demanda internacional robusta pelo MANSUP, com interesse de diversas marinhas com as quais a empresa afirma manter contato. Com isso, a expectativa é iniciar produção em alta cadência já no próximo ano.
Integração do míssil antinavio MANSUP e marcos rumo ao emprego no mar (classe Tamandaré)
Pergunta: O MANSUP vem mostrando evolução contínua, indo além do papel naval original e avançando como sistema multiplataforma, com testes bem-sucedidos em plataformas terrestres como o ASTROS. Com a integração em andamento e a futura instalação nas fragatas da classe Tamandaré, quais são os próximos marcos e as expectativas para a integração operacional completa no mar?
No ambiente embarcado, a avaliação é de que o projeto está em um patamar elevado de maturidade, especialmente no momento em que a iniciativa deixa o desenvolvimento e entra na produção inicial.
Em paralelo, já foram feitas demonstrações de integração do MANSUP em plataformas terrestres, o que abre uma frente considerada promissora para crescimento fora do Brasil. A expectativa de expansão se apoia em dois caminhos: integração em plataformas já existentes ou a adaptação para outras soluções veiculares 6×6 e 8×8, com foco em missões costeiras de defesa mar-terra.
MANSUP-ER: alcance estendido, radar e potencial para lançamentos por diferentes plataformas
MANSUP-ER (EDGE Group e SIATT): desafios e oportunidades para a capacidade antinavio do Brasil
Pergunta: O MANSUP-ER é um projeto marcado por inovação contínua, com esforços para ampliar as opções de lançamento a partir de plataformas terrestres e navais e, possivelmente, aéreas. Quais são os principais desafios tecnológicos e oportunidades desses desenvolvimentos, e como eles podem moldar as futuras capacidades antinavio e aerolançadas do Brasil?
O eixo central do desenvolvimento do MANSUP-ER é o aumento de alcance - elevando a capacidade do MANSUP para mais de 200 km. Paralelamente, há evoluções no radar do buscador (seeker), visando oferecer aquisição de alvos mais avançada e também capacidade de seguimento do terreno.
No curto prazo, o foco permanece mais diretamente associado ao emprego naval, seja em cenários mar-terra ou navio-navio. Ainda assim, dentro do roteiro de desenvolvimento, também se considera que as tecnologias podem ser aplicadas a soluções terrestres e que o conjunto de capacidades é compatível com o caminho para lançamento aéreo.
MAX 1.2: entrada em serviço, integração com veículos e demanda internacional
Pergunta: No campo da guerra terrestre, o MAX 1.2 entrou recentemente em serviço e está sendo integrado a plataformas como o blindado Cascavel. Considerando a implantação operacional e os testes em andamento, quais são os próximos passos, sobretudo em alcance, capacidade “dispare e esqueça” e potencial de exportação?
Segundo a entrevista, o MAX 1.2 já entrou em serviço no Exército Brasileiro. Além disso, durante o Dubai Airshow do ano anterior, em novembro, foi anunciado um acordo com a Marinha do Brasil para o fornecimento de veículos de operações especiais ISV, que também receberão integração com um sistema de lançamento veicular do MAX.
A leitura apresentada é de que cresce a procura não apenas pela versão de emprego individual do combatente, mas também por soluções de lançamento a partir de viaturas. Essa demanda seria percebida no Brasil, na América Latina, e também em clientes globais na África, Norte da África, Sudeste Asiático e Oriente Médio - indicando, portanto, um cenário de forte apetite internacional.
Em termos de posicionamento, o MAX 1.2 é descrito como um produto em uma faixa de preço estratégica frente a concorrentes, entregando um nível consistente de capacidade. Para o futuro, as melhorias em avaliação incluem alcance estendido e diferentes combinações de ogivas, como ogivas tandem. Ao mesmo tempo, a expectativa é de que o MAX 1.2 continue crescendo mesmo no formato atual, por atender a um equilíbrio entre custo e requisito operacional que, segundo a análise citada, cobre cerca de 80% das necessidades típicas. Sistemas mais caros podem oferecer maior alcance, porém, para a maioria dos cenários, o MAX 1.2 seria um encaixe particularmente eficiente.
Indústria, sustentação e prontidão: pontos que influenciam a adoção operacional
A ampliação de instalações críticas - como a nova unidade de pirotecnia em Caçapava - tende a impactar não apenas volume de produção, mas também previsibilidade de entregas, gestão de lotes e ciclos de manutenção. Em programas como MANSUP, MANSUP-ER e MAX 1.2, a capacidade de sustentar a operação ao longo dos anos costuma depender de uma cadeia nacional robusta para insumos sensíveis, rotinas de qualificação e processos de segurança industrial.
Outro fator que costuma acelerar a integração real ao emprego é o pacote de treinamento, documentação técnica, procedimentos de armazenamento e transporte, além da adaptação de doutrina e de logística para diferentes plataformas (navios, baterias costeiras, veículos 6×6/8×8 e viaturas de operações especiais). Na prática, a maturidade operacional nasce tanto do desempenho do míssil quanto da consistência do ecossistema que o mantém pronto para uso.
EDGE na FIDAE 2026: expansão na América Latina e carta de intenções com o Equador
Pergunta: Para concluir, gostaria de acrescentar algo além dos temas já tratados?
A participação da EDGE na FIDAE é apresentada como a primeira exibição da empresa no Chile, entendida como reflexo de uma trajetória de expansão e crescimento na América Latina. Com sistemas e presença já estabelecidos no Brasil nos últimos três anos, e com investimento superior a US$ 500 milhões na região, a avaliação é de que existe um potencial relevante para avançar por toda a América do Sul.
Foi mencionado também que, poucas semanas antes, a EDGE anunciou a assinatura de uma carta de intenções com o Equador para um programa integrado de segurança de fronteiras. Segundo o posicionamento apresentado, trata-se de uma demanda atual de diversos países latino-americanos. Assim, a América Latina é definida como foco estratégico, com busca de crescimento contínuo e de parcerias regionais que permitam agregar valor local nos países onde a empresa atue.
Leia também
ZM na FIDAE 2026 – A ASELSAN busca ampliar sua presença na América Latina com foco em cooperação industrial e modernização militar
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário