A celebridade de reality show Kim Kardashian voltou a alimentar uma das teorias conspiratórias mais antigas da era espacial: a ideia de que as missões Apollo teriam sido encenadas. A resposta da NASA veio rápida - e com uma pitada de ironia.
Segundo a repercussão, o administrador interino da NASA, Sean Duffy, decidiu se pronunciar publicamente depois que a fala de Kardashian circulou nas redes e provocou reação imediata de cientistas e divulgadores científicos.
Kim Kardashian, Apollo e a teoria do “pouso falso” na Lua
A declaração apareceu em um episódio recente de The Kardashians. Em conversa com a atriz Sarah Paulson, Kim Kardashian diz, olhando para a câmera, que acredita que a alunissagem foi falsa.
Ela ainda acrescenta que teria visto vídeos em que Buzz Aldrin afirmaria que “nunca aconteceu”. O problema é que Aldrin, astronauta da Apollo 11, não fez esse tipo de afirmação.
Como explicou a Reuters em 2022, trechos de uma entrevista antiga foram recortados e reinterpretados por conspiracionistas: Aldrin falava sobre animações e recursos visuais usados por emissoras de TV para ilustrar as missões ao público - e isso foi distorcido como se fosse uma “prova” de fraude. Na prática, Aldrin jamais questionou a autenticidade das missões Apollo.
Uma teoria persistente apesar das evidências
A narrativa de que os seis pousos tripulados dos Estados Unidos na Lua, entre 1969 e 1972, teriam sido filmados em estúdio circula há mais de meio século. Mesmo com grande volume de evidências em sentido contrário, o mito continua reaparecendo - e, desta vez, ganhou um novo megafone ao ser repetido em um programa com audiência global.
Além de registros técnicos amplamente documentados, há indícios que podem ser verificados por diferentes instituições: por exemplo, retrorefletores deixados na superfície lunar (usados em medições a laser realizadas até hoje) e amostras de rochas lunares analisadas por laboratórios e pesquisadores ao longo de décadas. Somam-se a isso rastreamentos independentes de trajetórias e comunicações, além de documentação histórica extensa do programa.
Também vale lembrar que desinformação científica costuma se fortalecer quando fragmentos de vídeo, frases fora de contexto e cortes “dramáticos” são consumidos como evidência. Em um ambiente de redes sociais, um comentário de alto alcance pode ter mais impacto do que páginas de explicações técnicas - o que aumenta a responsabilidade de quem fala para milhões.
A NASA reage: “Sim, fomos à Lua. Seis vezes!” - e cita Artemis
Sean Duffy não deixou a fala passar. Em uma publicação no X, ele reforçou: “Sim, nós fomos à Lua. Seis vezes!” Em seguida, emendou que, com o programa Artemis, os Estados Unidos pretendem retornar ao satélite natural, sob a gestão do presidente Donald Trump.
O chefe interino da NASA ainda aproveitou para alfinetar a China, que também tem metas ambiciosas envolvendo a Lua: segundo ele, os EUA venceram a primeira corrida espacial e pretendem vencer a próxima.
Para contextualizar, o programa Artemis tem como objetivo estabelecer uma presença humana sustentável na Lua, preparando o caminho para missões futuras rumo a Marte. A Artemis II, que deve levar quatro astronautas para uma órbita ao redor da Lua, está prevista para ocorrer em alguns meses. Já a Artemis III, que deve colocar uma tripulação novamente no solo lunar pela primeira vez desde 1972, agora é esperada entre 2027 e 2028.
Do “pouso falso” ao 3I Atlas: a pergunta sobre “nave alienígena”
Depois do esclarecimento público, Kim Kardashian perguntou a Duffy sobre o 3I Atlas, um objeto que passou recentemente perto de Marte e que algumas pessoas vêm tratando como possível nave extraterrestre - apesar de haver amplo consenso científico de que se trata de um cometa.
Duffy respondeu no mesmo tom bem-humorado: não há alienígenas e não existe ameaça para a Terra, mas elogiou o entusiasmo dela e disse que Kardashian está oficialmente convidada para assistir a um lançamento em Cap Canaveral.
O impacto do que se diz para milhões
Resta saber se a explicação pública será suficiente para mudar a opinião de Kardashian. De todo modo, o episódio expõe um ponto sensível: quando figuras midiáticas repetem teorias sem base, o alcance é enorme - e as consequências podem ser relevantes, já que milhões de espectadores acompanham o cotidiano da família mostrado na série.
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