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O francês se torna o segundo idioma mais falado ao redor da Lua.

Astronauta canadense em gravidade zero lendo livro na estação espacial, janela mostra a lua cheia ao fundo.

A mais de 400.000 km da Terra, uma frase em francês ecoou no rádio - e entrou para a história. O responsável foi o astronauta canadense Jeremy Hansen, que marcou uma estreia simbólica dentro da missão Artemis 2, uma etapa que, por sua composição, acabou deixando a Europa fora do centro das atenções.

Além de registrar uma nova marca de distância para uma comunicação nesse contexto, a Artemis 2 também colocou o francês como a segunda língua falada nas imediações da Lua, atrás apenas do inglês. Em mais de cinquenta anos sem qualquer missão tripulada orbitando o satélite natural, nenhuma outra língua havia sido ouvida por lá.

Jeremy Hansen leva o francês para perto da Lua na Artemis 2

Esse feito ganhou forma graças a Jeremy Hansen. Embora tenha nascido em London, na província de Ontário (majoritariamente anglófona), o astronauta respondeu em francês a perguntas durante uma coletiva de imprensa, enquanto a cápsula Orion seguia rumo à Lua.

O momento aconteceu após 72 horas de missão. Naquele ponto, a tripulação ainda estava a mais de 24 horas de entrar na chamada esfera de influência lunar - ou seja, ainda faltava um trecho considerável antes da chegada ao ambiente dominado pela gravidade da Lua.

Em missões desse tipo, uma fala em outra língua pode parecer apenas um detalhe, mas tem peso cultural e diplomático: mostra quem está a bordo, quem acompanha a missão e como diferentes comunidades se veem representadas em um projeto global conduzido pela NASA.

“A língua de Champlain”: Quebec valoriza o francês quebequense

Hansen respondeu a uma pergunta em francês do veículo quebequense TVA Notícias. Pouco depois, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, publicou no X um trecho do vídeo e escreveu que ele seria o primeiro astronauta da história a falar francês tendo como destino a Lua, destacando o canadense Jeremy Hansen. Na resposta, o astronauta comentou suas emoções e o orgulho do momento, além de enfatizar a importância do trabalho em equipe.

A repercussão também chegou ao Parlamento. O deputado do distrito Louis-Saint-Laurent–Akiawenhrahk acrescentou: “Parabéns, Jeremy Hansen, estamos todos orgulhosos de você! Obrigado por nos fazer sentir tanto orgulho de sermos canadenses e por falar tão bem a língua de Champlain”. A referência aponta para o francês falado no Quebec, que preserva particularidades históricas e traços associados a influências do século XVII, diferenciando-se do francês moderno em alguns aspectos.

Europa, NASA e o programa Artemis: participação indireta na missão

O programa Artemis deve incluir astronautas europeus em missões futuras, mas, na Artemis 2, a Europa ficou fora do “elenco” principal. Ainda assim, existe um ponto relevante em que os europeus podem dizer que estão presentes nas proximidades da Lua neste momento: o conjunto de painéis solares da Orion, desenvolvido pela Airbus.

Segundo o astronauta francês Thomas Pesquet, é esperado que, mais adiante, um francês ou um alemão participe de uma missão lunar ao lado dos norte-americanos, reforçando a ideia de que a cooperação internacional tende a crescer nas próximas etapas.

Vale lembrar que, mesmo quando um país não envia tripulantes, a contribuição por meio de tecnologia embarcada (energia, comunicações, componentes críticos) pode ser decisiva para a viabilidade e a segurança de um voo tripulado. Em programas complexos como o Artemis, a divisão de responsabilidades costuma refletir acordos de longo prazo e metas compartilhadas entre agências e indústria.

A volta após a passagem pela Lua: cronograma até 10 e 11 de abril

Na noite de ontem, a Artemis 2 concluiu sua fase mais impressionante, ao contornar a Lua e permitir que a tripulação observasse a face oculta do astro. A partir de agora, os astronautas terão bastante tempo livre até 10 de abril, quando começam os preparativos para as manobras de reentrada atmosférica, previstas para a noite de 10 para 11 de abril.

No retorno, eles serão recebidos inicialmente por uma embarcação de recuperação e, na sequência, voltarão à terra firme ainda pela manhã.

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