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Hyundai vai investir cerca de 20 bilhões de euros nos EUA em meio à pressão das tarifas de Trump

Carro SUV elétrico Hyundai Future prata em exposição em estande minimalista e iluminado.

A Hyundai, além de estar entre as maiores fabricantes de automóveis do planeta, também figura entre os principais produtores de aço do mundo. É uma das poucas empresas capazes de fabricar praticamente tudo o que um carro precisa, desde parafusos simples até componentes mais sofisticados.

Diante das tarifas impostas pela administração de Trump, a montadora sul-coreana anunciou um investimento expressivo de aproximadamente 20 bilhões de euros nos Estados Unidos. Segundo a Reuters, o anúncio oficial foi feito recentemente na Casa Branca.

Uma parte desse valor, de 5,3 bilhões de euros, será destinada à construção de uma nova fábrica de aço no estado da Louisiana. A unidade terá capacidade para produzir até 2,7 milhões de toneladas métricas de aço por ano.

A Hyundai também apresentou um plano de investimentos nos EUA até 2028. Desse total, cerca de 8,3 bilhões de euros serão aplicados para ampliar sua capacidade de produção no país para 1,2 milhão de unidades. Além disso, a marca pretende investir aproximadamente 5,5 bilhões de euros em parcerias estratégicas.

“Esse investimento é uma demonstração clara de que as tarifas funcionam.”

  • Donald Trump, presidente dos EUA

Hyundai e tarifas de Trump: o que vem pela frente?

O anúncio ocorre em um cenário de forte incerteza provocado pela política comercial agressiva de Donald Trump. O presidente dos EUA já afirmou que, a partir de 2 de abril, novas tarifas de importação poderão entrar em vigor.

Além disso, Trump também tem ameaçado adotar tarifas específicas para setores como o automotivo, embora ainda não tenha feito anúncios definitivos nesse sentido. Recentemente, ele concedeu uma espécie de alívio temporário às montadoras que cumprirem os termos do acordo comercial já em vigor entre Estados Unidos, México e Canadá, o USMCA.

Essa movimentação preocupa a Hyundai, que enxerga os EUA como um parceiro comercial estratégico. Até agora, Trump não anunciou tarifas direcionadas à Coreia do Sul, mercado doméstico da Hyundai, mas países como Canadá, México e China já foram atingidos por tarifas que variam entre 10% e 25%.

A Coreia do Sul é uma das nações que Trump costuma classificar como “abusadora” no comércio internacional, o que aumenta as especulações de que o país asiático também possa ser alvo de novas cobranças tarifárias em breve.

No continente norte-americano, a Hyundai já mantém várias operações, incluindo uma fábrica no Alabama e uma unidade da Kia, sua afiliada, na Geórgia. Juntas, essas instalações têm capacidade de produção anual de 700 mil veículos.

Além disso, a fabricante sul-coreana está prestes a inaugurar uma nova fábrica de automóveis e baterias na Geórgia, fruto de um investimento de cerca de 7 bilhões de euros.

Ao reforçar a produção local, a Hyundai também reduz sua exposição a eventuais custos logísticos e às mudanças bruscas no comércio internacional. Em um mercado cada vez mais pressionado por disputas tarifárias, produzir mais perto do consumidor final virou uma estratégia importante para manter competitividade.

Outro ponto relevante é a integração entre aço, baterias e montagem de veículos. Ao controlar mais etapas da cadeia produtiva, a empresa amplia sua flexibilidade industrial e fortalece sua posição em um momento em que os Estados Unidos disputam espaço no avanço dos carros elétricos e híbridos.

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