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Escritório contesta a legalidade dos radares fixos da Prefeitura de Lisboa

Homem de terno conversa com casal em escritório, com documentos sobre mesa e janela com vista para bonde amarelo.

Um escritório de advocacia em Lisboa vai entrar com uma medida cautelar para questionar a legalidade dos radares fixos de velocidade da Prefeitura de Lisboa (CML), segundo o Correio da Manhã.

A argumentação dos advogados se apoia no fato de que, na avaliação deles, os 41 radares fixos não estão cadastrados no Sistema Nacional de Controle de Velocidade, administrado pela Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária (ANSR). Na prática, isso significaria que os equipamentos não atendem às exigências legais para fiscalização de velocidade.

Carlos M. Barroso, advogado que lidera a iniciativa, também sustenta que as multas geradas pelas infrações flagradas por esses radares estão sendo tratadas pela Polícia Municipal, órgão que, segundo ele, não tem competência para instaurar processos administrativos de infração.

Em disputas desse tipo, a discussão costuma envolver não apenas a validade formal dos equipamentos, mas também a transparência sobre sua instalação, a publicidade das regras aplicadas e a forma como os registros são auditados. Quando essas informações não aparecem de maneira clara, aumenta a pressão por esclarecimentos técnicos e jurídicos mais detalhados.

Pedido de cancelamento das multas e devolução dos valores

Com base nisso, o escritório solicita o cancelamento dos processos administrativos de infração e a devolução das multas já cobradas, cujo total já alcança milhões de euros.

“Não vale tudo. Eu defendo a segurança viária e reconheço que os radares são uma ferramenta importante para reduzir acidentes. No entanto, nos locais em que a CML os instalou, além da evidente intenção de arrecadação, não há dados concretos sobre como os índices de acidentes variaram antes e depois da implantação.”

  • Carlos M. Barroso, advogado

Os radares em questão foram instalados durante a gestão de Fernando Medina (PS) na CML e exigiram um investimento de 2,142 milhões de euros. Entre 1º de junho de 2022 e 30 de abril de 2024, as infrações registradas por esses equipamentos geraram 10 milhões de euros em receita para a prefeitura.

Se a medida cautelar for aceita, as multas aplicadas poderão ser suspensas e os valores já pagos poderão ser reembolsados.

O que pode acontecer agora?

Caso a Justiça dê andamento ao pedido, o caso pode abrir espaço para uma revisão mais ampla sobre a legalidade da fiscalização eletrônica em Lisboa. Além do impacto financeiro, a discussão também deve reforçar o debate sobre critérios de homologação, competência para autuar e necessidade de comprovação pública dos efeitos dos radares na redução de acidentes.

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