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Submarinos classe Victoria: periscópios digitais e modernização tecnológica da Marinha do Canadá

Homem com uniforme da marinha canadense operando equipamentos em sala de controle com visão para área congelada.

Há poucos dias, o Ministério da Defesa Nacional do Canadá informou que os atuais submarinos da classe Victoria da Marinha Real Canadense passarão a contar com novos periscópios digitais, dentro de um programa de modernização tecnológica pensado para prolongar sua vida operacional. A medida integra o projeto de atualização voltado a ampliar as capacidades de vigilância, inteligência e reconhecimento das embarcações que compõem a classe.

Como parte desse movimento, o governo canadense fechou um contrato de 118 milhões de dólares, sem impostos, com a Safran Trusted 4D Canada Inc. para o fornecimento dos novos sistemas optrônicos digitais. O acordo também cobre o suporte inicial, treinamentos para operação e manutenção, além do fornecimento de sobressalentes de bordo e equipamentos de teste. De acordo com o comunicado, os avanços técnicos dos periscópios devem elevar de forma expressiva a capacidade da Marinha para executar missões de obtenção de inteligência, vigilância e reconhecimento.

A instalação desses novos sistemas começará em 2030 e deve ser concluída no fim de 2033, depois da finalização dos testes da primeira unidade modernizada. O suporte em serviço passará a valer após o encerramento dos ensaios iniciais da classe, o que ajudará a consolidar a integração dos novos equipamentos à frota submarina.

Os submarinos da classe Victoria formam o eixo das capacidades de vigilância subaquática da Marinha Real Canadense (RCN). Compradas do Reino Unido em 1998 e entregues entre 2000 e 2004, essas unidades são quatro: HMCS Victoria, HMCS Windsor, HMCS Corner Brook e HMCS Chicoutimi. O último deles entrou oficialmente em serviço em 2015, depois de ter sofrido um incêndio em 2004, que exigiu extensos reparos antes de sua plena operacionalidade.

A modernização está sendo conduzida no âmbito do Projeto de Modernização da Classe Victoria (VCM), que reúne 12 iniciativas de atualização de equipamentos. Nove desses projetos já estão em fase de implementação e três ainda se encontram na etapa de definição, enquanto a integração e a instalação dos novos sistemas são gerenciadas principalmente pelo contrato de suporte em serviço da classe Victoria (VISSC), um acordo de longo prazo firmado com a indústria canadense.

Entre as tecnologias avaliadas nessa atualização está a Série 30 SOM, um sistema optrônico cuja principal função abrange a segurança da navegação e a obtenção de inteligência. Além das capacidades avançadas de busca na superfície, o equipamento pode atuar como alarme aéreo automático, usar um laser, receber telecomunicações aéreas e sinais de GPS, além de incorporar um sensor de guerra eletrônica (ESM), ampliando assim o leque de operações dos submarinos em diferentes cenários.

Esse programa de modernização ocorre ao mesmo tempo em que avança o planejamento para a futura substituição dos submarinos da classe Victoria ao longo da próxima década. Ottawa já iniciou consultas com a indústria naval internacional para a aquisição de doze (12) novos submarinos de ataque, com o objetivo de evitar uma lacuna em suas capacidades submarinas e garantir que a primeira nova unidade esteja disponível até, no máximo, 2035, em um contexto marcado pela crescente importância estratégica do Ártico.

Neste momento, entre as propostas recebidas e analisadas pelas autoridades da pasta de defesa canadense, duas se destacam: a apoiada por Alemanha e Noruega, materializada na nova geração da classe Tipo 212 da TKMS, denominada Tipo 212CD, que equipará as marinhas dos dois países; e, vinda da Ásia, a proposta de apoio à Hanwha Ocean, que coloca em evidência seus submarinos KSS-III, já em operação na Marinha da República da Coreia.

Imagens obtidas do Ministério da Defesa Nacional do Canadá.

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