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Faz sentido limitar a potência e a aceleração dos carros?

Carro esportivo cinza metálico exibido em showroom com piso branco e paredes espelhadas.

A eletrificação mudou o jogo: potência deixou de ser um luxo exclusivo dos superesportivos. Hoje, dá para tirar a habilitação de manhã e, à tarde, assumir o volante de um SUV familiar com mais de 1000 cv - e que faz de 0 a 100 km/h em menos de 3 s.

Esse novo cenário, claro, abre um pacote de dúvidas. Tanto que alguns países já começaram a colocar soluções em prática para tentar conter o salto de potência e desempenho que os carros ganharam nos últimos anos.

Afinal, faz sentido existir legislação para limitar a potência e a aceleração dos automóveis novos? É esse o tema do Auto Rádio, um podcast da Razão Automóvel com apoio do PiscaPisca.pt. Confira:

China já tem plano em marcha

A China também entrou nessa discussão e já sinalizou que está preparando uma proposta de regulamentação com a promessa de reduzir as acelerações dos automóveis nas estradas do país.

A ideia do documento passa por determinar que todos os automóveis novos precisem levar pelo menos cinco segundos para acelerar de 0 a 100 km/h - pelo menos no modo padrão com o qual o carro deve sair de fábrica e dar a partida.

Na prática, o motorista até poderá escolher modos de condução alternativos, mas o modo padrão - aquele que limita a aceleração - terá de estar ativo obrigatoriamente sempre que o veículo for ligado.

Esse modo, que vai “castrar” as acelerações, deve operar de forma parecida com o modo Eco presente em muitos veículos elétricos, reduzindo a potência do motor via software.

A regra será aplicada a todos os veículos leves de passageiros, independentemente do tipo de motorização. Ainda assim, deve atingir principalmente os elétricos de alta performance, como o Xiaomi SU7 Ultra e o BYD YangWang U9, ambos capazes de ir de 0 a 100 km/h em menos de 2,5 s.

O exemplo australiano

A Austrália também decidiu agir para frear o aumento de potência e desempenho nos carros modernos, passando a exigir uma habilitação específica para dirigir automóveis de alto rendimento.

É isso mesmo: desde 1º de janeiro de 2025, no estado da Austrália do Sul (o quarto maior do país), é necessária uma carteira de motorista especial para conduzir, por exemplo, um Ferrari 296 GTB, um Lamborghini Huracán Tecnica ou um Tesla Model S Plaid.

Para conseguir essa habilitação, é preciso fazer um treinamento específico, realizado online, no qual são apresentados os riscos associados à condução de um carro de alta performance - ou UHPV (Ultra High Power Vehicle, ou, em português, veículo de ultra alta potência).

Além disso, o curso inclui um módulo totalmente dedicado ao uso dos sistemas de assistência à condução. Entre eles, os controles de tração e de estabilidade, que passam a não poder ser desativados.

Quanto aos modelos que entram na categoria de UHPV, são todos os automóveis com relação potência/peso de, no mínimo, 276 kW (375 cv) por tonelada - equivalente a 2,66 kg/cv - e com peso bruto abaixo de 4,5 toneladas.

Um debate antigo sobre potência e velocidade

Não é a primeira vez que a indústria automotiva tenta colocar um freio nos excessos, seja limitando velocidade, seja limitando potência. Um exemplo clássico é o caso alemão: BMW, Audi e Mercedes-Benz firmaram uma espécie de acordo de cavalheiros, comprometendo-se a restringir a velocidade máxima dos seus automóveis a 250 km/h.

Também vale lembrar os fabricantes japoneses, que, na década de 1990, acertaram - de maneira oficiosa - que seus modelos não passariam de 280 cv de potência.

Encontro marcado no Auto Rádio para a próxima semana

Motivos não faltam para assistir/ouvir o episódio mais recente do Auto Rádio, que volta na próxima semana nas plataformas de sempre: YouTube, Apple Podcasts e Spotify.

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