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Este é o motor que a Porsche nunca teve coragem de fazer até hoje

Carro esportivo prata com motor exposto na traseira e placa HETZER R3 em ambiente interno brilhante.

Por anos, a Porsche rondou a ideia de um motor flat-eight - oito cilindros opostos, arrefecido a ar - sem nunca transformá-la em realidade. A marca chegou a brincar com isso nos anos 60, nos protótipos de Le Mans, voltou ao tema em outras décadas, mas sempre parou antes da decisão final. Ficou no campo das possibilidades de engenharia e do som de corrida, nunca no asfalto.

Quem resolveu levar essa fantasia adiante foi a norte-americana Runge Cars. O resultado atende pelo nome de Hetzer: um flat-eight de 5,3 litros, refrigerado a ar, com quatro comandos de válvulas e 32 válvulas no total. É uma peça de engenharia que parece perguntar, sem rodeios: e se a Porsche tivesse ido até o fim?

O Hetzer foi desenvolvido em parceria com a britânica Swindon Powertrain e com o especialista Sol Snyderman, um nome respeitado entre os motores arrefecidos a ar. E há um detalhe que vai agradar qualquer purista: ele é diretamente compatível com os chassis clássicos do 911. O giro máximo chega a 9000 rpm - porque um motor desse tipo não foi feito para funcionar com pressa moderada.

Esse flat-eight vai equipar o Runge R3, um esportivo artesanal de 780 kg com câmbio manual de seis marchas, pensado para entregar “a experiência de condução analógica mais visceral disponível hoje”, nas palavras do fundador Christopher Runge.

Os três primeiros motores serão feitos exclusivamente para a própria marca. Depois disso, a Runge abrirá as encomendas - e talvez aí esteja o ponto mais simbólico de tudo. Num momento em que a indústria busca ser discreta e previsível, ainda existe espaço para quem queira reacender o som metálico da combustão.

No fim das contas, não se trata só de um motor. É a materialização daquilo que a Porsche imaginou, mas nunca teve a coragem de construir.

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