A partir desta quinta-feira, entra em vigor uma mudança importante para quem paga com cartão: a autoridade reguladora e os bancos passam a definir os rumos de quanto será possível pagar por aproximação no Reino Unido e até que ponto os próprios clientes poderão interferir nisso. A novidade afeta primeiro os consumidores britânicos, mas já aponta para a direção em que os pagamentos com cartão vêm avançando no geral.
O que muda nas regras dos pagamentos por aproximação
A Autoridade de Conduta Financeira do Reino Unido, a FCA, passa a permitir que bancos e empresas de pagamento fixem por conta própria o limite dos pagamentos por aproximação, tanto para cima quanto para baixo. A condição é que contem com prevenção a fraudes robusta e controles de segurança eficazes.
A partir de agora, instituições com medidas de segurança eficientes podem decidir sozinhas qual será o valor máximo dos pagamentos por aproximação.
Até aqui, o teto para uma compra por aproximação sem digitar a senha era definido de forma centralizada no Reino Unido em 100 £. Esse limite continua valendo por enquanto, porque os grandes bancos afirmam que não pretendem alterar nada no curto prazo. A reforma, na prática, abre espaço sobretudo para mais flexibilidade no futuro.
É importante destacar: as empresas continuam obrigadas a avisar os clientes de forma transparente sempre que fizerem ajustes nos limites. Mudanças totalmente inesperadas, portanto, não serão permitidas.
Por que a supervisão ampliou a margem de decisão
A reforma surge em meio ao crescimento acelerado dos pagamentos por aproximação. Nas lojas britânicas, praticamente todas as transações com cartão já acontecem no modelo “toque e siga”.
- Cerca de 94,6 % de todos os pagamentos com cartão elegíveis nas lojas são feitos por aproximação.
- O volume mensal desses pagamentos está cerca de dez vezes acima do que era em 2015.
- A modalidade por aproximação responde por 67 % de todas as transações com cartão de crédito.
- Nos cartões de débito, o índice chega a 76 % dos pagamentos.
- O valor médio de cada pagamento por aproximação fica em quase 18 £.
Com as novas regras, a FCA quer que os bancos tenham mais liberdade para reagir melhor a três fatores:
- Mudança no comportamento dos clientes e na procura por formas mais rápidas de pagar
- Inflação e alta dos preços no dia a dia
- Avanços tecnológicos em cartões, terminais e detecção de fraude
Ao mesmo tempo, a supervisão espera um efeito colateral positivo: se os bancos puderem ajustar os limites com mais liberdade, terão mais incentivo para aprimorar seus sistemas antifraude. Isso porque eles arcam com a maior parte dos custos quando pagamentos criminosos passam pelos filtros.
Que proteções continuam valendo e o que ainda resguarda o cliente
Os mecanismos básicos de proteção ao consumidor não mudam. Se alguém for vítima de uso não autorizado de um cartão, o banco ainda deverá ressarcir o cliente, por exemplo quando um cartão perdido ou furtado é usado de forma indevida.
Além disso, já existem hoje duas travas de segurança que seguem em vigor e não são eliminadas pelas novas regras:
- Limites acumulados: depois de um certo número de pagamentos por aproximação ou de um valor total acumulado, o terminal volta a exigir a senha.
- Carteiras digitais: em serviços como Apple Pay, Google Wallet e semelhantes, é possível pagar valores mais altos por aproximação porque o celular ou o relógio inteligente autentica o usuário ativamente - por exemplo, por reconhecimento facial ou impressão digital.
A FCA também permitirá que os bancos tornem esses limites “acumulados” mais flexíveis. Assim, as instituições poderão escolher se pedem a senha depois de um número específico de transações, a partir de uma soma total ou com outro modelo.
Como os grandes bancos estão reagindo agora
Mesmo com a nova liberdade passando a valer nesta quinta-feira, uma corrida para elevar os limites ainda não deve ocorrer de imediato. A maior parte dos grandes bancos prefere esperar.
| Banco / provedor | Limite atual | O cliente pode reduzir o limite? | A função por aproximação pode ser desativada? |
|---|---|---|---|
| NatWest | 100 £ | Sim, abaixo de 100 £ no aplicativo | Sim |
| Santander UK | 100 £ | Sim, em passos de 5 £ | Sim |
| Lloyds / Halifax / Bank of Scotland | 100 £ | Sim, em passos de 5 £ | Sim |
| Barclays | 100 £ | Sim, até 100 £ no aplicativo | Sim |
| HSBC UK / First Direct | 100 £ | Não | Parcialmente |
| Nationwide / Virgin Money | 100 £ | Sim, abaixo de 100 £ | Sim |
| TSB | 100 £ | Sim, até 0 £ | Sim |
| Starling Bank | 100 £ | Sim, de 100 £ até 0 £ | Sim |
| Monzo | 100 £ | Sim | Sim |
| Revolut | 100 £ | Diretamente, não; mas há limites mensais totais | Parcialmente possível |
Quase todas as instituições fazem questão de dizer que estão analisando o nível atual e se reservam o direito de fazer mudanças. O ponto principal é claro: o caminho para valores mais altos nos pagamentos por aproximação já está aberto, mas ainda não está sendo aproveitado por enquanto.
Mais controle para o cliente: ajustar o limite ou bloquear a função por aproximação
A FCA incentiva de forma explícita o setor a oferecer mais possibilidades de controle aos usuários. Muitos bancos já seguem nessa direção: nos aplicativos, é possível reduzir os limites ou até desligar completamente a função por aproximação.
Quem não se sente à vontade com valores altos em pagamentos por aproximação pode, em muitos bancos, diminuir o próprio limite - em alguns casos, até zero.
Entre as opções mais comuns nos aplicativos bancários estão:
- Definir um valor máximo por compra por aproximação
- Desativar totalmente a função por aproximação em determinados cartões
- Limitar os gastos totais mensais em todos os pagamentos com cartão
- Ativar notificações em tempo real para cada compra
Pessoas mais preocupadas com segurança, idosos ou pais que entregam cartões a adolescentes tendem a se beneficiar especialmente dessas configurações. Ao mesmo tempo, continua preservada a praticidade de pagar rápido no caixa.
Por que nem todos os limites sobem de imediato
Do ponto de vista dos bancos, há vários motivos para evitar um aumento apressado:
- Cartões com pagamento por aproximação são atraentes para ladrões, porque permitem transações pequenas sem senha.
- Quanto maior o limite, maior o valor potencial de cada uso indevido.
- Os bancos pagam a conta dos reembolsos em transações não autorizadas e querem conter esse impacto.
Um especialista da consultoria KPMG destaca que os pagamentos por aproximação se tornaram o método padrão em quase dez anos. As pessoas querem, acima de tudo, rapidez e praticidade. Ainda assim, não se espera o desaparecimento total dos limites de imediato, mas sim ajustes graduais ao longo dos próximos anos.
O que usuários alemães podem aprender com essa mudança
Embora as alterações britânicas não valham diretamente para a Alemanha, elas oferecem uma pista interessante sobre tendências futuras no setor de pagamentos. Também por lá muitos consumidores já usam cartões de débito e crédito principalmente por aproximação, tanto no caixa do supermercado quanto no café.
Três pontos ficam evidentes:
- O pagamento por aproximação seguirá virando padrão. Formas rápidas e sem dinheiro físico continuam avançando em quase todas as situações do dia a dia.
- Limites individuais ganham importância. Quem quiser manter o risco baixo deve procurar as opções de configuração no próprio aplicativo bancário.
- As carteiras digitais ficam mais relevantes. Elas combinam valores mais altos com verificação biométrica e, por isso, são consideradas relativamente seguras.
Hoje, muitos bancos alemães já permitem bloquear temporariamente um cartão no internet banking ou no aplicativo, desativar pagamentos no exterior ou restringir certos tipos de transação. Vale a pena examinar as configurações com atenção - assim como no Reino Unido, a tendência é que surjam mais opções com o tempo.
Termos explicados de forma rápida: pagamento por aproximação, limite acumulado, solicitação de senha
Pagamento por aproximação: o cartão ou o celular é encostado rapidamente no terminal, e o chip transmite os dados por rádio (NFC). Até determinado valor, não é necessário digitar a senha.
Limite acumulado: além do limite por compra individual, como 100 £ por transação, existe um limite conjunto em segundo plano. Depois de várias compras pequenas ou de uma soma total determinada, o terminal volta a pedir a senha, mesmo que cada valor isolado esteja abaixo do teto.
Solicitação de senha: funciona como uma barreira extra contra uso indevido. A combinação entre o limite por compra e o limite em segundo plano serve para impedir que criminosos usem cartões roubados sem restrição para pequenos valores.
Para o consumidor, a mudança nas regras no Reino Unido significa, acima de tudo, que o pagamento por aproximação continua sendo o padrão, mas caminha para mais flexibilidade. Os bancos ganham mais liberdade para aumentar limites, enquanto os clientes, idealmente, passam a ter mais controle para reduzi-los. Quem administra o cartão com atenção, ativa notificações e define limites de forma sensata consegue unir praticidade e um bom nível de segurança - independentemente de o teto máximo ficar em 50, 100 ou, no futuro, bem mais de 100 £.
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