Cientistas identificam no interior do Sol a região que aciona o ciclo de 11 anos de erupções solares
Pesquisadores do Instituto de Tecnologia de Nova Jersey encontraram uma área na estrutura do Sol que, muito provavelmente, tem papel decisivo no início dos processos que levam a erupções solares, manchas solares e à inversão da polaridade magnética.
De acordo com o estudo, o chamado dínamo solar - o mecanismo magnético que controla os ciclos de 11 anos do Sol - atua a cerca de 200 mil quilômetros abaixo da superfície da estrela. Trata-se da camada de transição conhecida como tachoclina, que separa a zona convectiva turbulenta da região radiativa interna, bem mais estável. É nessa faixa que ocorre uma mudança acentuada na velocidade de rotação do plasma solar, e os cientistas acreditam que seja justamente aí que os principais processos magnéticos começam.
Para localizar essa área, os pesquisadores examinaram dados de três ciclos de 11 anos de atividade solar, utilizando observações das sondas espaciais SOHO e SDO, além da rede terrestre de telescópios GONG. A equipe estudou a propagação de ondas sonoras no interior do Sol, geradas pelo movimento do plasma, e, com base nesses dados, construiu um dos registros mais longos e detalhados das oscilações internas da estrela.
A análise revelou que existem, abaixo da superfície solar, faixas migratórias de rotação mais rápida e mais lenta, que desenham o conhecido padrão em forma de “borboleta”. Esse desenho reflete a migração das manchas solares, que mais tarde se torna visível na superfície. Foi justamente por meio desses fluxos internos que os pesquisadores identificaram a importância central da tachoclina.
Segundo os autores do estudo, alterações na estrutura magnética da região da tachoclina podem se propagar até a superfície do Sol ao longo de vários anos. Isso significa que os novos dados podem, em tese, permitir previsões mais cedo e com mais precisão sobre períodos de atividade solar intensificada.
Os cientistas destacam que muitos modelos atuais descrevem os processos apenas nas camadas próximas à superfície do Sol, enquanto a nova pesquisa mostra a necessidade de considerar toda a zona convectiva, especialmente a tachoclina.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário