Com alguns ajustes bem pensados, ela pode se transformar em um lounge ao ar livre aconchegante, capaz de agradar até nos dias de frio intenso.
Muita gente que mora na cidade conhece bem essa cena: no verão, a varanda serve por pouco tempo como espaço para churrasco ou para pegar sol; a partir de outubro, vira depósito de varal, caixas de bebidas e bicicletas. Só que esse pequeno espaço externo pode funcionar como um cômodo a mais - desde que seja planejado com inteligência e preparado para enfrentar frio, vento e falta de luz. Profissionais de decoração de interiores e paisagismo apostam em seis pilares que fazem diferença mesmo quando há poucos metros quadrados disponíveis.
Móveis confortáveis para a varanda que resistem ao vento e ao tempo
A base de qualquer varanda utilizável é sempre o mobiliário. Quem recorre a cadeiras de plástico instáveis ou banquinhos dobráveis duros dificilmente vai querer sair para ficar ali no inverno. O segredo está em unir conforto, visual e resistência.
- cadeiras e poltronas com assento bem acolchoado
- banco de madeira com almofadas grossas
- estrado com colchão, usado como área de descanso
Em varandas pequenas, valem muito os bancos empilháveis ou as cadeiras dobráveis, que podem ser encostados na parede depois do uso. Assim sobra espaço para circular - algo importante quando a pessoa sai para a área externa no frio, levando mantas e uma bandeja nas mãos.
Quanto aos materiais, os especialistas recomendam opções preparadas para lidar com o clima:
- vime sintético, que dá aparência acolhedora e resiste bem à umidade
- teca ou acácia, já que essas madeiras são naturalmente fortes
- alumínio ou aço com pintura eletrostática, para um visual mais contemporâneo
Quem quiser um clima mais próximo de férias pode instalar uma poltrona suspensa ou um pequeno banco de balanço. Só não vale descuidar: é essencial verificar a fixação segura no teto ou na parede, sobretudo em prédios antigos.
Quanto mais confortável for o lugar para sentar, maior é a chance de a varanda ser usada mesmo quando a temperatura cai.
Têxteis transformam a zona fria em um ninho aconchegante
Sem tecidos, até o sofá externo mais bonito acaba esquecido. Almofadas, mantas e tapetes suavizam a dureza do cimento e ainda ajudam a reter um pouco de calor.
Para deixar a varanda mais acolhedora, os itens mais indicados são:
- almofadas macias em tamanhos e cores variados
- mantas grossas ou cobertores de lã para ombros e pernas
- um tapete para área externa, que faz o piso parecer menos gelado
No inverno, muita gente aposta em tecidos mais pesados, como lã, veludo cotelê, veludo ou algodão de trama fechada. Eles transmitem sensação de aquecimento e, visualmente, ampliam a impressão de continuidade da sala de estar. No verão, as capas podem ser trocadas por tecidos leves de linho ou algodão - a lógica permanece, mas a aparência muda.
Também faz diferença contar com uma solução prática para guardar tudo: um baú que funcione ao mesmo tempo como banco protege almofadas e mantas da umidade e evita que a varanda fique desorganizada.
Mais verde: a varanda como mini jardim em vez de fundo cinza
As plantas mudam o ambiente de forma radical. Mesmo uma varanda muito pequena fica visivelmente mais agradável e protegida com alguns vasos - e, no inverno, bem menos melancólica.
Para manter o verde durante o ano inteiro, as espécies mais interessantes são as perenes:
- hera, como trepadeira na grade, ideal para criar uma proteção visual verde
- bambu em vasos, que também ajuda a resguardar a privacidade
- euônimo-japonês, que conserva as folhas mesmo em baixas temperaturas
Quem gosta de cozinhar pode adicionar ervas em floreiras presas ao parapeito: alecrim, tomilho e sálvia toleram geadas leves e dão à varanda um toque mediterrâneo até em janeiro. O mais importante é usar vasos e pratos resistentes ao frio, para que nem as raízes nem o piso sofram danos.
Uma varanda verde continua com sensação de vida mesmo quando as árvores da rua já perderam todas as folhas.
Luz suave em vez de claridade forte vinda da sala
No inverno, o uso da varanda depende muito da iluminação. Sem uma luz com clima, o espaço externo rapidamente parece sombrio ou duro demais.
As melhores opções são, principalmente:
- cordões de luz de LED ao longo da grade ou suspensos no teto
- lanternas solares, que carregam durante o dia e acendem sozinhas à noite
- luminárias portáteis para área externa, com bateria recarregável e intensidade ajustável
- velas de LED para a mesa, que imitam a luz de vela real
Um detalhe técnico faz bastante diferença: luz branca quente, em torno de 2700–3000 Kelvin, transmite sensação de conforto e lembra as lâmpadas da sala. Já a luz branca fria remete a escritório ou obra e tira da varanda qualquer clima acolhedor.
Ideias de armazenamento na varanda em vez de canto da bagunça
Muitas varandas não fracassam por falta de espaço, e sim por causa da forma como são usadas. Um canto para ferramentas, outro para garrafas vazias, mais a churrasqueira - e pronto, não sobra lugar nem para uma cadeira. Sistemas de organização ajudam a tratar a área externa como um ambiente de verdade.
Algumas soluções práticas são:
- caixa organizadora que também funcione como banco
- prateleiras de parede para plantas, lanternas e acessórios menores
- cestos de vime ou caixas metálicas para mantas, almofadas e objetos miúdos
- tampo de mesa dobrável preso ao parapeito
Quem gosta de fazer pequenos projetos pode aproveitar a faixa estreita sob o teto para instalar suportes com ganchos: ali cabem lanternas, regador e até um pequeno secador de ervas. Assim o chão fica livre e a varanda passa menos impressão de estar apertada.
Proteção contra frio, vento e vizinhos curiosos
Para que a varanda não vire apenas uma área decorativa em janeiro, ela precisa de proteção contra corrente de ar, chuva e olhares da frente. Muitas soluções podem ser adotadas em apartamentos alugados, desde que não interfiram na estrutura do imóvel.
Entre as alternativas mais comuns estão:
- toldo ou lona de sombra, que não serve só para fazer sombra no verão, mas também cria um teto contra garoa no inverno
- biombo de madeira ou trançado, que corta o vento e garante um pouco de privacidade
- cortinas externas pesadas, que correm nas laterais em trilhos ou cabos de aço
As cortinas mais grossas têm um efeito duplo: reduzem a exposição e seguram parte do frio, sem dar a sensação de que a pessoa está dentro de uma caverna. Quem sente mais frio pode ainda usar aquecedores elétricos de infravermelho ou almofadas aquecidas - nesse caso, vale conferir com atenção o consumo de energia e as regras de segurança contra incêndio.
Varanda como mini sala de estar o ano inteiro
Quando os seis pontos - móveis, tecidos, plantas, luz, armazenamento e proteção - entram no planejamento, o efeito aparece rápido: a varanda deixa de ser vista só como um lugar para guardar coisas e passa a ser um ambiente pensado com intenção. Muitas pessoas contam que, depois de deixar a varanda mais bem resolvida, passaram a tomar mais ar fresco, a ficar mais tempo do lado de fora à noite ou a levar o primeiro café do dia para esse espaço.
Com um conceito bem planejado, a varanda deixa de ser depósito e vira refúgio - no verão e no inverno.
Exemplos práticos para a rotina na varanda
Uma varanda urbana típica, com cerca de dois metros quadrados, pode ser organizada assim: um tampo dobrável preso ao parapeito, um tapete estreito para área externa abaixo dele. Ao longo da parede lateral, uma estante fina para ervas e itens decorativos; à frente, duas cadeiras dobráveis com almofadas no assento. Uma pequena sequência de luzes no guarda-corpo e uma barreira contra o vento em tecido - e o espaço já comporta duas pessoas com vinho quente e livro.
Quem dispõe de mais área pode criar setores: ao fundo, um canto de leitura com poltrona suspensa; ao lado, uma mesa baixa; na frente, um mini jardim com canteiro elevado e uma fileira de bambus. Dessa maneira, a varanda passa menos a impressão de corredor e mais a de um pequeno terraço.
Riscos, regras e complementos úteis para a varanda
Mesmo com tantas ideias, vale conferir o regulamento do prédio: fogo aberto com velas de verdade ou recipientes com chama é proibido em muitas varandas. Aquecedores também precisam estar bem fixados e afastados de tecidos. Vasos pesados devem ficar presos de modo seguro, para não tombarem nem caírem em caso de vento forte.
Quem tem vizinhos logo acima ou abaixo precisa prestar atenção à água escorrendo dos vasos e ao barulho - no inverno, conversas e música ecoam mais facilmente para dentro dos apartamentos. Tapetes mais grossos e pés de borracha sob os móveis ajudam a reduzir o ruído dos passos, enquanto protetores de feltro evitam o arrastar alto das cadeiras.
A combinação com outras ideias de lazer também pode ser interessante: um pequeno tampo dobrável serve, durante o dia, como mesa de trabalho em casa; à noite, vira apoio para bebidas. Um cordão de luz cria clima para sessões de vídeo no tablet, e uma almofada grossa transforma o banco rapidamente em um canto de meditação ou ioga.
Quando a varanda é pensada para cumprir mais de uma função, aqueles poucos minutos extras para estender uma manta ou acender a luz acabam parecendo muito mais agradáveis - e a pessoa quase se espanta ao perceber como conseguiu passar os invernos anteriores sem esse pequeno refúgio particular ao ar livre.
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