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Por que algumas pessoas somem de repente e depois reaparecem

Jovem sentada em cafeteria próxima à janela, usando celular com café, caderno aberto e fones sobre a mesa.

Muita gente conhece esse roteiro: alguém parece interessado, manda mensagem, flerta, combina encontros - e, de repente, corta o contacto. Semanas ou meses depois, surge uma notificação no telemóvel como se nada tivesse acontecido. Por trás desse vaivém confuso, muitas vezes existe mais do que simples falta de respeito ou indecisão.

Quando o contacto vira um vai e vem

Na Psicologia, esse comportamento já tem nome há bastante tempo: “breadcrumbing”. Trata-se de um tipo de contacto mínimo - apenas o suficiente para manter a ligação “viva”, mas nunca a ponto de resultar numa relação realmente consistente e fiável.

"Pessoas que aparecem por um instante e voltam a desaparecer com frequência costumam procurar proximidade - e, ao mesmo tempo, ter medo dela."

Um estudo publicado em 2023 na revista científica BMC Psychology mostra: esse padrão está fortemente ligado a um estilo de apego inseguro. Ou seja, a questão tem menos a ver com joguinhos e mais com modelos profundos de como a pessoa lida com proximidade, distância e emoções.

Breadcrumbing e estilo de apego inseguro: querer proximidade, temer proximidade

O primeiro ponto central é o estilo de apego. Psicólogos diferenciam, de forma geral, entre apego seguro e inseguro. Quem tem apego seguro consegue permitir proximidade sem se sentir ameaçado e tolera alguma distância sem entrar em pânico.

Já pessoas com apego inseguro tendem a oscilar bastante:

  • Apego ansioso: buscam uma proximidade intensa, mas ao mesmo tempo têm muito medo de serem abandonadas.
  • Apego evitativo: sentem-se rapidamente sufocadas e recuam assim que a relação fica emocionalmente séria.
  • Padrões combinados: algumas pessoas carregam os dois lados - ora se agarram, ora fogem.

Segundo o estudo, são precisamente esses grupos que apresentam maior tendência ao breadcrumbing. Eles sentem duas necessidades opostas: viver a proximidade, mas também se proteger ao mesmo tempo. Daí surgem os movimentos típicos:

  • a pessoa procura contacto, flerta, e se abre até certo ponto;
  • a relação parece mais intensa - e isso gera tensão interna;
  • para reduzir essa tensão, a pessoa se afasta ou corta o contacto;
  • passado algum tempo, aparece uma sensação de vazio ou saudade - e ela volta.

Visto de fora, isso muitas vezes parece manipulativo. Porém, em muitos casos, trata-se de reações de proteção automatizadas, das quais a própria pessoa quase não tem consciência.

O combustível silencioso: a vontade de validação

Outro componente é a necessidade de validação

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