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Geração Z está sem dinheiro e sem moradia, mas ainda assim caminha para ser a geração mais rica da história.

Quatro jovens sentados no chão em sala, olhando gráficos em laptop sobre caixa de papelão.

Nos bastidores, porém, está em curso um empurrão gigantesco de patrimônio que pode virar o jogo em tudo.

A Gen Z muitas vezes parece a “geração perdida”: aluguéis nas alturas, comida mais cara, empregos instáveis. Não é raro ver pessoas chegando ao fim dos vinte anos voltando a morar com os pais, cortando gastos onde dá e se perguntando como, algum dia, vão conseguir pagar o próprio apartamento. Ao mesmo tempo, novos dados financeiros indicam um contraste curioso: justamente essa geração deve, em algumas décadas, comandar mais dinheiro do que qualquer outra antes dela.

Entre a falta de moradia e a promessa de riqueza para a Gen Z

No dia a dia, o cenário desanima. Segundo análises internacionais, em muitos países um salário mínimo integral já não garante uma vida independente. Em certos casos, é preciso algo em torno de 150 por cento do salário mínimo apenas para cobrir aluguel, energia, alimentação e transporte. Quem é jovem e está entrando agora no mercado de trabalho normalmente ganha bem menos do que isso.

Na prática, aparecem problemas recorrentes entre quem tem hoje de 18 a 28 anos:

  • Superqualificação para vagas mal pagas
  • Contratos temporários no lugar de previsibilidade
  • Custos de moradia muito mais altos do que os de gerações anteriores
  • Inflação forte nas despesas do cotidiano

Esse conjunto alimenta frustração. Muita gente jovem passa a recusar empregos que considera sem sentido ou que drenam toda a energia. Chefias deixam de ser tratadas automaticamente como autoridades intocáveis; horários são questionados, e flexibilidade vira exigência. Em círculos conservadores, por isso, a Gen Z costuma receber o rótulo de “preguiçosa” ou “pouco resiliente”.

"Por trás da imagem de jovens supostamente mimados, existe uma geração que começa sob condições de partida muito mais duras do que as de seus pais."

Por que, ainda assim, a Gen Z deve se tornar a geração mais rica

A Bank of America analisou fluxos financeiros e a evolução patrimonial em escala global. A conclusão: mesmo com crise, custo de vida elevado e insegurança no emprego, a Gen Z já acumulou, em apenas dois anos, um patrimônio total de cerca de 9.000 bilhões de dólares.

E as projeções avançam bastante:

  • Até 2030, esse patrimônio poderia quadruplicar para aproximadamente 36.000 bilhões de dólares.
  • Até 2040, a expectativa é chegar a cerca de 74.000 bilhões de dólares.

Há mais um fator: em poucos anos, a Gen Z deve representar por volta de 30 por cento da população mundial. Nunca houve tanta gente dentro de uma mesma geração atravessando ao mesmo tempo o período mais produtivo da vida profissional. Isso dá a eles um peso econômico enorme - como trabalhadores, consumidores, fundadores de empresas e investidores.

A “grande transferência de riqueza”: bilhões mudam de mãos entre gerações

O ponto de virada real, segundo especialistas, está numa onda monumental de heranças e doações que já começou. Nos próximos vinte anos, estima-se que cerca de 84.000 bilhões de dólares sejam repassados no mundo todo de gerações mais velhas para as mais novas.

Num primeiro momento, quem tende a receber mais são a Geração X e os Millennials - em termos gerais, as pessoas de 30 a 55 anos hoje. Ainda assim, uma parcela relevante chega diretamente à Gen Z: estimativas apontam que quase 40 por cento das pessoas dessa faixa etária receberá, ao longo da vida, transferências patrimoniais perceptíveis.

"Ainda hoje, uma parte grande da riqueza está nos balanços dos baby boomers - mas seus filhos e netos já estão a postos."

Quem cresce em famílias com imóveis, participação em empresas ou carteiras maiores de investimentos passa a entrar na vida adulta com uma almofada financeira completamente diferente. Mesmo quando os valores não são tão altos, uma herança ou doação pode virar a entrada decisiva para um apartamento ou o impulso inicial para abrir um pequeno negócio.

Novas prioridades: consumo no lugar da caderneta de poupança clássica

Enquanto gerações anteriores apostavam forte em casa própria, planos de poupança imobiliária e poupança tradicional, a Gen Z reorganiza prioridades. Para muitos, o sonho de comprar uma casa parece, no curto e médio prazo, pouco realista. Em grandes cidades, os preços de compra frequentemente ficam entre 8 e 12 vezes a renda anual - algo quase impossível para quem está começando.

Com isso, o dinheiro tende a ir mais para qualidade de vida imediata do que para projetos imobiliários distantes. Gastos comuns incluem:

  • Viagens e escapadas para outras cidades
  • Assinaturas de streaming, jogos e serviços digitais
  • Compras online, sobretudo moda e tecnologia
  • Academia, terapia, coaching e outros serviços ligados à saúde mental e física

Ao mesmo tempo, cresce o grupo que testa alternativas à poupança tradicional: aportes em ETFs, experiências com cripto, crowdfunding de investimentos e “rendas extras” (side hustles). Nem tudo é prudente ou seguro, mas o movimento revela mais disposição para assumir risco e investir por meios digitais.

Como a Gen Z pode mudar mercados e a sociedade

Quando uma geração passa a controlar tanto capital e carrega valores tão específicos, setores inteiros sentem o impacto. As empresas já observam, há um tempo, a mudança de comportamento e de expectativas entre os mais jovens:

  • Sustentabilidade e propósito: marcas sem postura crível em relação a clima, diversidade e responsabilidade social tendem a perder atratividade.
  • Digital first: banco, compras, namoro, estudo - tudo precisa funcionar no celular, com rapidez e o mínimo possível de barreiras.
  • Flexibilidade em vez de símbolos de status: carsharing e modelos por assinatura substituem, em parte, a compra tradicional de carro e o compromisso de longo prazo com contratos.

"Estudos estimam que a Gen Z se tornará uma das gerações mais disruptivas para a economia e para os sistemas sociais - isto é, capaz de deslocar regras estabelecidas de forma perceptível."

Daí surgem oportunidades e riscos. Caixas de previdência e sistemas de aposentadoria podem se beneficiar se muitos jovens adultos tiverem bons salários e consumirem mais. Por outro lado, as tensões aumentam se a desigualdade de patrimônio dentro da própria geração se ampliar - separando herdeiros com grande colchão financeiro de quem não tem apoio familiar.

Por que muita gente jovem ainda não sente esse “enriquecimento”

As projeções falam em valores trilionários, mas a rotina de muitos jovens continua bem distante disso. Na Alemanha, assim como em outros países, grandes heranças costumam ficar concentradas em um grupo relativamente pequeno. Quem vem de uma família com menos recursos talvez receba só uma poupança modesta - ou nada.

Além disso, o dinheiro geralmente chega tarde. Muitas heranças só são liberadas quando quem hoje tem entre 20 e 30 anos já passou dos 40 ou 50. Ainda assim, os anos decisivos de arranque - primeiro imóvel alugado, formação, empreendedorismo, decisão sobre ter filhos - precisam ser bancados com recursos próprios.

Fase situação típica da Gen Z
20–30 anos Formação, estágios, início no mercado de trabalho, pouco patrimônio
30–40 anos Filhos, primeiros saltos maiores na carreira, dívidas por estudos ou crédito
40–55 anos Heranças mais frequentes, salário mais alto, fase de maior acumulação de patrimônio

Isso ajuda a entender por que a Gen Z pode se sentir, ao mesmo tempo, sem dinheiro e potencialmente rica: a riqueza aparece nas estatísticas, mas ainda não está, para muitos, na conta bancária.

O que jovens adultos podem aprender com esse cenário

Quem faz parte da Gen Z tem pouca margem para interferir nas grandes tendências macroeconômicas. Ainda assim, existe controle sobre a estratégia pessoal. Alguns pontos ficam cada vez mais claros:

  • Educação financeira vira uma competência-chave - mais cedo e de forma mais ampla do que em gerações anteriores.
  • Expectativas realistas sobre heranças evitam frustrações e consumo antecipado contando com dinheiro que pode não vir.
  • Flexibilidade no percurso profissional ajuda a aproveitar melhor oportunidades no mercado de trabalho digital.
  • Saúde mental segue como um “capital” próprio, com efeito direto sobre carreira e renda.

Quem aprende hoje a lidar com dinheiro, medir riscos e definir objetivos consegue aproveitar melhor a anunciada transferência de patrimônio - independentemente de quão grande será, de fato, a soma herdada.

Gen Z entre pressão e poder de moldar o futuro

Crise habitacional, emergência climática, conflitos políticos - muito pesa sobre os mais jovens. Ao mesmo tempo, o poder de influência aumenta: no voto, no consumo e, em breve, também como proprietários de patrimônio. A forma como essa geração usar essa força vai determinar se a previsão de “geração mais rica de todos os tempos” vira uma realidade para muitos - ou se permanece apenas como um número bonito em um estudo bancário.

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