Um lobo solitário de um comercial de Natal conquistou milhões de corações - e agora ganha um lugar fixo no marketing de uma das maiores redes de supermercados.
Desde o fim de 2025, um lobo animado que prefere cozinhar a caçar virou assunto. A rede Intermarché transformou o personagem em uma figura publicitária carregada de emoção e decidiu mantê-lo de forma permanente - como mascote oficial da marca.
Como um lobo triste virou ícone de publicidade do Intermarché
No encerramento de 2025, a Intermarché lançou na TV e na internet um curta de animação que foge do padrão de propaganda de supermercado. Em vez de placas de desconto e carrinhos cheios, a história acompanha um único lobo, vivendo isolado na floresta.
O filme foi produzido em parceria com a agência criativa Illogic. A narrativa mostra um animal que parece forte e perigoso por fora, mas que, por dentro, sofre com uma solidão profunda. Ele quer fazer amigos - só que é carnívoro e sempre viveu como caçador.
É justamente esse choque interno que torna o personagem tão humano: ele busca proximidade, porém sua própria natureza afasta todos ao redor. Nenhum outro morador da floresta tem coragem de chegar perto. A mensagem é imediata - preconceitos são difíceis de quebrar, e quem é visto como ameaça raramente recebe uma segunda chance.
"A figura publicitária quebra o clichê do lobo mau - e o apresenta como um personagem vulnerável, que muda aos poucos."
Do caçador ao rei dos vegetais: a transformação do lobo
Em determinado momento, o lobo não aguenta mais ficar sozinho. Ele decide mudar - não apenas por dentro, mas também de maneira prática, mudando o que coloca no prato. O objetivo é aprender a cozinhar com legumes para poder sentar-se à mesa com os outros animais sem colocá-los em risco.
Em várias cenas, ele treina na cabana no meio do mato. Pica cenouras, limpa alho-poró, salteia cogumelos, experimenta receitas diferentes com quiches, sopas e gratinados. Em pouco tempo, a cozinha parece mais a de um cozinheiro amador dedicado do que o esconderijo de um predador.
Depois de muitas tentativas, o cozinheiro desajeitado vira um verdadeiro apreciador de comida. A animação mostra com cuidado como o jeito dele lidar com os alimentos vai mudando: no começo, ingredientes crus jogados sem atenção; mais adiante, pratos montados com capricho. E, sem precisar explicar demais, o comercial reforça uma ideia clara: legumes podem ser protagonistas e ainda assim significar prazer à mesa.
O grande momento na mesa da floresta
O ápice emocional acontece quando os animais da floresta organizam um grande jantar. Coelhos, lontras, esquilos, pássaros - todos estão sentados em uma mesa comprida, mas o lobo não aparece. De longe, ele observa o grupo, cria coragem e leva uma quiche feita por ele mesmo.
Quando sai das sombras, a mesa inteira congela. O medo é palpável: para eles, ele ainda é o antigo caçador perigoso. Só depois de alguns segundos de hesitação, resolvem dar uma chance e provam o prato.
A atmosfera muda. O lobo é convidado a se sentar, divide a comida e, pela primeira vez, ri junto com os outros. Anos de isolamento se desfazem - e o filme termina com uma imagem claramente conciliadora: convivência no lugar da desconfiança.
Música, design e narrativa: por que o comercial funciona tão bem
O curta é embalado por uma música conhecida de Claude François, que aumenta ainda mais a carga emocional. A mistura de referência musical clássica, animação moderna e uma linha narrativa muito objetiva fez o comercial ganhar repercussão muito além da França.
Vários fatores explicam o impacto:
- Personagem forte: o lobo tem fragilidades, erra, evolui - e isso aproxima o público.
- Design visual: a animação é sofisticada, detalhada e com cara de cinema, não de peça publicitária comum.
- Emoção direta: solidão, medo, esperança e aceitação aparecem de um jeito fácil de sentir.
- Tema relevante: preconceito, segundas chances e mudança - assuntos que atingem muita gente.
- Foco em comida: legumes e cozinha são o centro da história e conversam diretamente com a marca.
Profissionais de publicidade elogiaram sobretudo o fato de o filme ter “tempo” para contar uma história, em vez de tentar empurrar produtos em 20 segundos. A marca aparece ao longo do vídeo, mas sem se impor de forma agressiva.
Intermarché torna o lobo a mascote oficial
O sucesso não passou despercebido dentro do grupo. Thierry Cotillard, presidente do grupo Les Mousquetaires (ao qual a Intermarché pertence), confirmou que o lobo vai assumir daqui para frente o papel de mascote oficial do supermercado.
Com isso, o personagem deixa de ser uma estrela pontual de Natal e passa a ocupar uma função de longo prazo na construção da marca. A proposta é que ele apareça em diferentes canais de comunicação - das redes sociais às ações tradicionais de marketing no ponto de venda (PDV).
"O lobo solitário vira o rosto permanente da marca - com uma posição clara sobre alimentação, empatia e mudança."
Onde os clientes devem voltar a ver o lobo
Ainda não foram divulgadas campanhas detalhadas, mas alguns usos são bastante prováveis:
| Área | Possível uso do lobo |
|---|---|
| Redes sociais | Clipes curtos de animação, receitas sazonais, vídeos verticais sobre legumes e cozinha |
| Lojas | Cartazes, displays, sinalização no supermercado, possivelmente versões pensadas para crianças |
| Comerciais | Continuação da história, novos episódios, temas como refeições em família |
| Impressos & folhetos | Ilustrações ao lado de ofertas, destaques para produtos da estação |
| Ações com clientes | Campanhas de colecionáveis, livretos de receitas, talvez aulas de culinária ou workshops online |
O ponto mais interessante será ver se a rede vai usar o personagem apenas como elemento visual ou se continuará ampliando a história. O lobo tem profundidade suficiente para sustentar várias linhas narrativas: sustentabilidade, consumo responsável, cozinhar em conjunto, alimentação saudável para crianças.
Por que marcas apostam em mascotes emocionais
Mascotes já fazem parte do repertório padrão de grandes redes de varejo. Na Alemanha, quase todo mundo conhece figuras como o urso da Haribo ou antigos mascotes de supermercados, como pequenos personagens de quadrinhos em campanhas de colecionáveis. As marcas recorrem a esse tipo de personagem porque ele transmite mensagens com mais facilidade do que um logotipo abstrato.
O lobo da Intermarché segue essa lógica, mas avança um passo na forma de contar história. Ele não existe apenas para ser fofo ou engraçado: carrega um passado e um arco completo de transformação. Isso torna o personagem mais duradouro, já que ele pode reaparecer em situações diferentes sem perder sentido.
Para crianças, o lobo pode funcionar como porta de entrada para o tema “legumes”. E os pais podem puxar o assunto a partir das cenas do comercial: “Lembra como o lobo aprendeu a cozinhar? Vamos tentar também.” Assim, a marca cria um vínculo emocional que chega até a rotina das famílias.
Oportunidades e riscos de um personagem publicitário tão marcante
Ao adotar uma mascote tão forte, a empresa também assume um risco. Se o personagem for mal desenvolvido adiante ou aparecer em excesso, pode rapidamente parecer saturado.
Por outro lado, as vantagens são grandes:
- O reconhecimento da marca cresce de forma significativa.
- Temas complexos como alimentação viram histórias fáceis de contar.
- Campanhas podem se conectar ao longo de anos.
- A marca ganha um rosto mais “humano”, mesmo sendo apenas uma figura animada.
Se a Intermarché vai manter esse equilíbrio, só os próximos anos dirão. De todo modo, o ponto de partida é incomum de tão sólido: um comercial muito elogiado, um protagonista simpático e ambivalente, e uma ligação direta com o que define um supermercado - comida.
Para consumidores, isso pode até gerar efeitos concretos no dia a dia. Quando o varejo deixa de falar só de preço e passa a falar também de sabor, receitas e refeições compartilhadas, a própria ideia de “fazer compras” muda. O lobo mostra quanta narrativa cabe até em uma simples prateleira de legumes.
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