No ano passado, as orcas desfilaram no universo da moda com chapéus de salmão morto. Agora, quem está chamando atenção são golfinhos que surpreendem ao usar fascinators extravagantes feitos de esponjas marinhas.
As imagens desse comportamento inusitado - com um invertebrado “na cabeça” - foram registradas por cientistas do Departamento de Biodiversidade, Conservação e Atrações (DBCA) no litoral da Península de Burrup, na Austrália Ocidental.
“Os machos de golfinho-corcunda usam esponjas marinhas na cabeça como oferendas para ‘conquistar’ as fêmeas, um pouco como oferecer um buquê de flores”, explicou o DBCA em uma publicação no Instagram.
Os golfinhos-corcunda-australianos (Sousa sahulensis) foram vistos carregando as esponjas enquanto se deslocavam pela Flying Foam Passage, no Arquipélago de Dampier.
“[As esponjas são] de formatos e tamanhos diferentes, cores diferentes, mas tudo parece estar concentrado nesta área específica [da Austrália Ocidental]”, disse a bióloga marinha do DBCA, Holly Raudino, à Australian Broadcasting Corporation.
Segundo Raudino, esse padrão foi observado apenas em alguns pontos dessa faixa costeira da Austrália Ocidental: no Arquipélago de Dampier, no Golfo de Exmouth (mais ao sul) e ao largo da costa de Kimberley, mais ao norte.
Embora golfinhos-nariz-de-garrafa já tenham sido vistos usando esponjas para proteger o focinho ao revirar o fundo do mar em busca de alimento, os pesquisadores do DBCA não têm conhecimento de relatos dessa “moda de esponjas” específica em outras partes do mundo.
Reconhecidos como espécie distinta apenas em 2014, os golfinhos-corcunda-australianos são classificados como “vulneráveis”, com estimativa de menos de 10.000 adultos existentes.
“Na Austrália Ocidental, e particularmente na região de Pilbara, a perda e a degradação de habitat provavelmente são as principais ameaças aos golfinhos que usam águas costeiras e estão associadas à construção de instalações de processamento e de infraestrutura de exportação para as indústrias de petróleo e minerais”, observou um estudo de 2023 liderado por Raudino.
Por isso, qualquer coisa que desperte o interesse reprodutivo desses animais - por mais estranha que pareça para nós - é algo que certamente deveria ser incentivado.
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