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Pela primeira vez, um dos novos submarinos KSS-III, da Coreia do Sul, fará exercícios com a Marinha do Canadá.

Dois oficiais da marinha cumprimentam-se diante de um submarino com bandeira do Canadá, enquanto outros oficiais saudam.

Um movimento que combina diplomacia, operação e indústria vai marcar um precedente no Pacífico: pela primeira vez, um dos novos submarinos KSS-III da Coreia do Sul vai treinar lado a lado com a Marinha do Canadá. A iniciativa acontece dentro de um desdobramento mais amplo, que também inclui a participação sul-coreana em exercícios multinacionais liderados pelos EUA, com o objetivo declarado de estreitar a cooperação marítima e, ao mesmo tempo, ganhar terreno na disputa industrial pelo futuro programa de submarinos que o Canadá está avaliando.

O submarino ROKS Dosan Ahn Chang-ho, de 3.000 toneladas, deixará Jinhae rumo a Victoria, na costa oeste canadense, para participar de manobras combinadas previstas para junho. A Marinha da Coreia do Sul informou que a travessia deve somar cerca de 14.000 km e terá escalas em Guam e no Havaí para reabastecimento. Nessas paradas, dois submarinistas canadenses se juntarão à tripulação sul-coreana para a etapa final até o território canadense. Ao fim da missão, essa será a maior distância já percorrida por um submarino sul-coreano.

Depois dos exercícios bilaterais, o ROKS Dosan Ahn Chang-ho será incorporado ao exercício multinacional Rim of the Pacific (RIMPAC), liderado pelos EUA, que ocorrerá no Havaí no fim de junho. Segundo a Marinha sul-coreana, o desdobramento busca evidenciar capacidades operacionais em um momento em que empresas da Coreia do Sul competem por um contrato considerado essencial pelo Canadá para renovar sua frota de submarinos.

A partida do submarino será assinalada por uma cerimônia no Comando de Forças Submarinas, na base naval de Jinhae, com a presença de autoridades sul-coreanas, incluindo o vice-chefe naval e o dirigente da agência estatal de aquisições de armamentos. Também devem participar representantes estrangeiros, como o embaixador do Canadá na Coreia do Sul, Philippe Lafortune, e o embaixador do Reino Unido na Coreia do Sul, Colin Crooks, conforme comunicou a Marinha sul-coreana. As autoridades ressaltaram que a atividade integra um processo mais amplo de cooperação.

No plano industrial, a Coreia do Sul tenta posicionar o modelo KSS-III na disputa para fornecer 12 novos submarinos de ataque à Marinha Real Canadense, programa voltado a substituir a atual classe Victoria. Em maio de 2025, empresas sul-coreanas confirmaram que o projeto tem apoio do governo, com a meta de ampliar a presença de equipamentos militares sul-coreanos entre novos operadores ao redor do mundo. Nesse mesmo processo, também foram avaliadas propostas japonesas da classe Taigei, espanholas S-80 Plus, francesas Scorpene e os modelos U212/214 oferecidos pela empresa alemã Thyssenkrupp Marine Systems (TKMS).

No começo de 2026, a TKMS anunciou que vai ampliar sua proposta para fornecer submarinos Tipo 212CD ao Canadá, negociando acordos com empresas norueguesas e alemãs para tornar a oferta mais competitiva. O diretor da companhia, Oliver Burkhard, afirmou que as conversas abrangem não apenas a construção das embarcações, mas também temas como terras raras e inteligência artificial, componentes vistos como relevantes por Ottawa. O processo segue após a pré-seleção, em 2025, dos modelos sul-coreano KSS-III e alemão Tipo 212CD, com a saída das propostas de Saab, Naval Group e Navantia.

A Coreia do Sul intensificou sua campanha industrial nos últimos meses, incluindo a assinatura de um documento oficial no fim do ano passado entre os ministérios da Defesa, Relações Exteriores e Indústria, junto com a Marinha e as empresas Hanwha Ocean Co. e HD Hyundai Heavy Industries Co., formalizando o apoio estatal à proposta. O valor total em disputa é estimado em cerca de 60 trilhões de won (US$ 40 bilhões), número que evidencia o tamanho do programa para as companhias envolvidas.

O exercício conjunto entre o submarino sul-coreano e a Marinha do Canadá se encaixa, assim, em um cenário em que se sobrepõem interesses operacionais, diplomáticos e industriais. O desdobramento do ROKS Dosan Ahn Chang-ho permitirá à Coreia do Sul demonstrar capacidade de longo alcance, enquanto o Canadá segue avançando na avaliação de alternativas para modernizar sua frota submarina - uma decisão com impacto estratégico e econômico pelas próximas décadas.

Imagens a modo ilustrativo.

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