Em 2026, a Range Rover - agora tratada como uma marca - entra em uma das fases mais sensíveis de sua história recente. A eletrificação deixou de ser uma inevitabilidade distante e se tornou uma aposta concreta em segmentos nos quais o cliente ainda demonstra cautela. E isso acontece com dois modelos elétricos bastante diferentes entre si, mas igualmente decisivos.
O contexto ajuda a entender essa prudência. Depois de lançar o Jaguar I‑Pace em 2018, a JLR não apresentou nenhum outro elétrico. Não por falta de desenvolvimento - plataformas e tecnologias seguiram evoluindo -, mas por uma leitura cada vez mais cuidadosa da demanda real no segmento premium e de luxo.
Ícone 100% elétrico será aceito?
A primeira aposta é o Range Rover Electric, cujo lançamento foi adiado em quase dois anos e deve enfim acontecer em 2026. Visual e conceitualmente, não há ruptura: ele preserva a silhueta, o posicionamento e o status do Range Rover que conhecemos, mudando apenas o sistema de propulsão.
Baseado na mesma plataforma MLA das versões a combustão e híbridas plug-in, o Range Rover Electric terá bateria de 118 kWh e arquitetura elétrica de 800 V. A potência anunciada gira em torno de 550 cv, para assegurar um desempenho equivalente ao dos atuais Range Rover V8, algo que a marca considera essencial para não enfraquecer o posicionamento do modelo.
Outro ponto sensível: as capacidades off-road. A Range Rover afirma que o elétrico manterá as aptidões que definem o nome, destacando o controle superior de tração proporcionado pelos dois motores elétricos e a gestão eletrônica adaptada ao uso fora de estrada.
Isso pode ser um argumento decisivo para um cliente tradicionalmente conservador, mas, ainda assim, o risco é claro. O caso recente do Mercedes‑Benz Classe G elétrico, com vendas muito abaixo do esperado, também ajuda a explicar o adiamento do Range Rover Electric e mostra a dificuldade de eletrificar ícones de luxo sem comprometer sua aceitação. Ainda assim, a marca diz acumular mais de 60.000 manifestações de interesse desde a abertura das pré-reservas, no fim de 2023.
Sucessor do Velar muda de forma e talvez de nome
A segunda aposta é mais estrutural. A Range Rover vai revelar em 2026 um sucessor elétrico para o Velar, que pode adotar uma nova denominação. Será o primeiro modelo da JLR sobre a nova plataforma EMA (Electric Modular Architecture) de 800 V, que dará origem a outros veículos, como o próximo Evoque (2027) e um Defender mais compacto (2027).
Mais baixo, comprido e aerodinamicamente mais eficiente, sua silhueta se aproxima mais da de uma perua elevada do que da de um SUV convencional. O objetivo é claro: maximizar eficiência e autonomia em um segmento cada vez mais competitivo, que ganhará rivais de peso: BMW iX3 - que já dirigimos -, Mercedes‑Benz GLC e Volvo EX60 também chegam neste ano, juntando-se ao Audi Q6 e‑tron e ao Porsche Macan elétrico.
Nada se sabe sobre as especificações finais, além da certeza de uma configuração com dois motores (um por eixo), desenvolvidos internamente. As dúvidas, além dos números, continuam concentradas na adoção dos modelos 100% elétricos, alimentando rumores de que ele possa vir a ter uma opção elétrica com extensor de autonomia (EREV). Fora essa possibilidade, tudo indica que o atual Velar com motor a combustão continuará em produção por mais alguns anos.
As apostas são altas e o risco é concreto, mas também inevitável. Em 2026, a Range Rover saberá se o luxo elétrico já encontrou espaço no mercado ou se ainda precisa de mais tempo.
Comentários
Ainda não há comentários. Seja o primeiro!
Deixar um comentário