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A Marinha Argentina cancelou a licitação para compra de fuzis DD MK18 destinados ao COFE.

Soldado em uniforme camuflado senta-se à mesa com fuzil e documentos carimbados como rejeitados.

A Armada Argentina declarou fracassado o processo licitatório voltado à aquisição de fuzis Daniel Defense MK18 RIS III para o Comando de Forças de Operações Navais Especiais (COFE). O pacote previa, além das armas, a compra de acessórios, supressores Huxwrx e miras Trijicon MRO HD com magnificador. Após a análise, as propostas apresentadas foram consideradas inadmissíveis pela Comissão Avaliadora, devido a falhas e omissões de caráter administrativo.

Modernização do COFE com os Daniel Defense MK18 RIS III

A licitação foi aberta no fim de novembro de 2025, com a divulgação do edital e das condições para a compra de 44 fuzis Daniel Defense MK18 RIS III, armamento solicitado pelo COFE. No mesmo processo, a intenção era incorporar:

  • 44 supressores Huxwrx FLOW 556K
  • 44 conjuntos de mira Trijicon MRO HD com magnificador 3x, incluindo as montagens

Os MK18 RIS III deveriam ser entregues com um conjunto amplo de itens, pensado para emprego operacional imediato e padronizado, incluindo:

  • 7 carregadores Magpul PMAG 30 por fuzil
  • Apagador de chamas tipo A2
  • Adaptador para tiro com munição de festim
  • Conjunto de miras Magpul MBUS
  • Empunhadura frontal
  • Kit de limpeza PROSHOT
  • Bandoleira Blue Force Gear Vickers
  • Estojo rígido
  • Entre outros acessórios previstos no pacote

A motivação central para adquirir os Daniel Defense MK18 RIS III era atualizar a dotação do COFE. Parte dessa modernização havia ocorrido anteriormente, de forma parcial, com a compra de kits Daniel Defense M4 e MK18 RIS II destinados à Agrupação Comandos Anfíbios. Essa incorporação foi concluída em 2019 e incluiu, entre outros itens, miras Trijicon ACOG e Trijicon MRO.

Defasagem da Agrupação Buzos Táticos e impacto operacional

Apesar desse avanço pontual em outras frações, a Agrupação Buzos Táticos da Armada não chegou a receber material novo nos últimos anos, em contraste com diferentes unidades de operações especiais das Forças Armadas. A expectativa era que os novos MK18 RIS III funcionassem como o primeiro passo de um ciclo de re-equipamento para reduzir essa diferença.

Também pesa o fato de que os Buzos ainda operam com armamento com várias décadas de serviço, abaixo do padrão esperado para uma unidade de operações especiais navais. Quando comparado aos Comandos do Exército e ao Grupo de Operações Especiais da Força Aérea Argentina, o COFE segue em desvantagem no quesito armamento, tanto em fuzis quanto em pistolas, metralhadoras leves, fuzis para atirador designado, submetralhadoras, sistemas de pontaria e demais acessórios.

Além da capacidade de combate em si, a atualização pretendida teria efeitos diretos na logística e na instrução: um lote homogêneo de fuzis e acessórios simplifica manutenção, reposição de peças e treinamento, reduzindo variações de configuração que costumam gerar custos adicionais e aumentar o tempo de adaptação em cursos e ciclos de prontidão.

Ao mesmo tempo, em compras desse tipo, a conformidade documental e o atendimento estrito às exigências do edital são tão determinantes quanto as especificações técnicas. Pequenas inconsistências administrativas podem inviabilizar contratações, mesmo quando o material ofertado atende ao emprego pretendido.

Ofertas inadmissíveis

Depois de examinar as propostas de dois concorrentes, a Comissão Avaliadora de Contratações vinculada ao Comando de Adestramento e Alistamento da Armada decidiu que ambas deveriam ser desclassificadas. A conclusão foi que as ofertas não atendiam plenamente a requisitos administrativos, técnicos e econômicos previstos no processo.

As empresas participantes foram:

  • American Guns SRL
  • Sideworld SRL (frequente em licitações das Forças Armadas)

Na etapa de Avaliação Administrativa, as duas companhias apresentaram falhas e lacunas documentais, apontadas como um dos fatores determinantes para o encerramento do certame sem vencedor.

Já na Avaliação Técnica e Econômica, a proposta da American Guns SRL foi considerada adequada, enquanto a da Sideworld SRL não atingiu os critérios exigidos. A diferença de valores também foi expressiva:

  • American Guns SRL: USD 366.696

    • USD 173.492 (fuzis)
    • USD 81.400 (supressores)
    • USD 111.804 (miras)
  • Sideworld SRL: USD 1.125.484,36

    • USD 611.369,44 (fuzis)
    • USD 210.744,6 (supressores)
    • USD 303.370,32 (miras)

Com o resultado negativo, abrem-se dois caminhos prováveis: a Armada Argentina pode lançar uma nova licitação para o mesmo objeto ou optar por aguardar o avanço de um projeto de compra conjunta que vinha sendo impulsionado pelo Estado-Maior Conjunto das FFAA. Essa decisão, por sua vez, pode afetar o rumo da padronização que vinha se consolidando entre unidades argentinas de operações especiais.

Imagem de capa ilustrativa.

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