A espera foi longa. O novo Mazda 6e deveria já estar circulando pelas estradas europeias, mas, por algum motivo, o modelo nascido de um empreendimento conjunto entre a Mazda e a Chongqing Changan Automobile demorou mais do que o previsto para desembarcar na Europa. E vale lembrar: no início, ele nem sequer fazia parte dos planos.
Em um segmento em que desenho, eficiência e recarga rápida pesam muito na decisão de compra, o Mazda 6e chega com a missão de provar que a marca consegue avançar na eletrificação sem abrir mão da própria identidade. Essa é justamente a grande aposta do modelo.
Foi para responder se a espera compensou que fomos até a Alemanha, em um evento de apresentação, onde tivemos o primeiro contato com o novo Mazda 6e.
Neste vídeo, explicamos tudo. Ele traz quase exatamente o que esperávamos:
Um Mazda de verdade - ou quase isso?
Como mostrei no vídeo, a equipe de design comandada por Jo Stenuit conseguiu uma tarefa difícil: a partir de uma base que não pertence à Mazda, criou um modelo que segue com clareza todos os códigos visuais da marca.
O resultado interno vai na mesma linha. Há materiais bem selecionados e, pelo menos à primeira vista, um encaixe caprichado - embora estivéssemos diante de uma unidade de pré-série.
A avaliação do sistema de infotainment ficará para outra ocasião. Nesta unidade não foi possível testar essas funções, tão relevantes nos carros atuais.
Além dos comandos por toque, a Mazda diz que o modelo contará com controles por gestos, uma solução que nem sempre se mostra prática - como já vimos em diversos carros da BMW. Resta aguardar para saber se a implementação japonesa será mais convincente.
Sobre a experiência ao volante, os representantes da marca nos fizeram uma promessa: toda a parte dinâmica, incluindo suspensão, chassi e direção, foi acertada pelos engenheiros da Mazda. Isso cria a expectativa de um bom desempenho nesse aspecto, já que a marca tem reputação sólida nessa área. Em breve, vamos conduzi-lo para tirar a prova.
O Mazda 6e entrega quase tudo o que esperávamos
No vídeo, explico qual será a autonomia e a potência deste 100% elétrico, que chegará em duas versões. Tudo está no nosso canal no YouTube.
Mas esperávamos potências de recarga mais altas. O Mazda 6e pode atingir 200 kW em corrente contínua (DC) e 11 kW em corrente alternada (AC). E, curiosamente, é justamente a versão com a bateria menor, de 68,8 kWh, que apresenta os melhores números nesse quesito.
Em relação à potência do motor elétrico, ela não impressiona pelo exagero, mas também está longe de ser fraca: são cerca de 250 cv nas duas versões. Ainda assim, o desempenho deve ser plenamente satisfatório. A aceleração de 0 a 100 km/h acontece em 7,6 segundos na variante com a bateria menor e em 7,8 segundos na que traz a bateria maior - um resultado bastante interessante para um sedã desse porte.
Falta um motor a gasolina no Mazda 6e?
Na China, esse Mazda tem um “irmão gêmeo”: o Deepal SL03. Esse modelo também conta com uma versão que usa um motor de combustão como extensor de autonomia, de maneira semelhante ao que acontece no Mazda MX-30 R-EV, embora com um propulsor térmico convencional de quatro cilindros.
Por enquanto, a Mazda descarta de forma categórica lançar o Mazda 6e com motor a combustão. Ainda assim, a possibilidade existe. E, como sabemos, a marca continua desenvolvendo diferentes tecnologias ligadas aos motores a combustão.
De qualquer forma, neste 100% elétrico, a Mazda pode ter um argumento comercial forte. Em 2024, a marca japonesa alcançou seu melhor resultado de sempre em um de seus mercados mais importantes: os Estados Unidos.
Agora, resta saber se, na Europa, esse preço competitivo se confirmará como um trunfo suficiente para enfrentar rivais como BYD Seal, Tesla Model 3, Volkswagen ID.7 e Hyundai IONIQ 6.
Na prática, o que deve pesar mais para o comprador é a combinação entre preço, autonomia real, velocidade de recarga e comportamento em estrada. Em um mercado cada vez mais disputado, não basta parecer premium: é preciso entregar uma experiência coerente do começo ao fim.
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