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Novos dados questionam se há realmente muito gelo na Lua.

Astronauta com traje completo usando lanterna ao lado de robô explorador em crateras lunares ao pôr do sol.

Pesquisas com a câmera ShadowCam indicam que o gelo nas regiões permanentemente sombreadas da Lua pode ser menos comum do que se imaginava

Astrônomos da Universidade do Havaí, liderados por Shuai Li, realizaram um estudo cujos resultados colocam em dúvida a existência de grandes reservas de gelo de água na Lua. Com base nos dados da câmera ShadowCam, instalada no orbitador lunar sul-coreano Korea Pathfinder Lunar Orbiter, os cientistas não encontraram sinais de gelo puro nas regiões permanentemente sombreadas (PSRs).

As regiões permanentemente sombreadas se formam em crateras profundas nos polos de corpos celestes que têm pequena inclinação do eixo de rotação. Essas áreas nunca recebem luz solar direta e permanecem extremamente frias, o que as torna “armadilhas potenciais para o gelo”. Regiões desse tipo, com depósitos de gelo confirmados, já foram identificadas em Mercúrio e em Ceres, mas, na Lua, as evidências da presença de gelo ainda eram apenas indiretas.

O trabalho da equipe de Li concentrou-se em duas propriedades ópticas do gelo: seu alto poder de reflexão e sua capacidade de espalhar a luz. Esses atributos permitem diferenciá-lo do regolito lunar. No entanto, para uma detecção confiável, o gelo precisaria representar pelo menos 20–30% da superfície, e nenhuma assinatura desse tipo apareceu nas observações da ShadowCam.

Mesmo assim, os pesquisadores não descartam a existência de gelo em concentrações menores, abaixo de 10%, que por enquanto continuam fora do alcance dos métodos de detecção atuais. As próximas investigações buscarão reduzir o limite de detecção para menos de 1%. Mesmo uma quantidade pequena de gelo pode ter grande importância para futuras missões tripuladas, por oferecer acesso a recursos essenciais.

Os dados atualizados devem ajudar a entender como a água foi transportada para a Lua e também fornecer novas pistas sobre a história inicial do Sistema Solar. Os resultados atuais reforçam a necessidade de continuar explorando os recursos lunares, que podem desempenhar um papel decisivo no avanço do programa lunar e na preparação para missões de longa duração.

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