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A cometa interestelar 3I/ATLAS mostrou enriquecimento anômalo de deutério.

Mulher observando dados cósmicos em tela de computador em escritório ao entardecer.

Dados apontam para formação em um ambiente extremamente frio, mas explicações alternativas também são debatidas

Uma equipe internacional de cientistas analisou o cometa interestelar 3I/ATLAS e encontrou uma concentração incomumente alta de deutério - um isótopo estável do hidrogênio -, o que despertou interesse sobre sua possível origem.

Quando combinado com o trítio, o deutério pode desencadear reações potentes de fusão nuclear, tornando-se um possível candidato a fonte de energia limpa. No caso de 3I/ATLAS, porém, os pesquisadores acreditam que essa grande concentração esteja ligada a processos naturais que ocorreram há bilhões de anos.

O primeiro estudo se baseou em dados de espectroscopia no infravermelho próximo obtidos com o telescópio James Webb. Os cientistas identificaram moléculas raras de deutério no metano liberado pelo objeto. Isso pode indicar que 3I/ATLAS se formou em um ambiente muito frio, como o disco protoplanetário de outro sistema estelar.

O segundo estudo confirmou que a água em 3I/ATLAS é enriquecida com deutério em uma quantidade dezenas de vezes maior do que a observada em cometas conhecidos. Os cientistas sugerem que o objeto se formou em temperaturas abaixo de 30 Kelvin, em um ambiente pobre em metais, o que aponta para uma idade de 10–12 bilhões de anos.

Esses dados reforçam a hipótese de que 3I/ATLAS seja um fragmento de um antigo sistema planetário preservado desde as fases iniciais de formação da Via Láctea. O objeto oferece evidências únicas da química ativa dos gelos e da formação de planetesimais na Galáxia jovem.

Ainda assim, o astrônomo de Harvard Avi Loeb apresentou uma hipótese alternativa. Ele afirma que discos protoplanetários não poderiam ser mais frios que a radiação cósmica de fundo do Universo, cuja temperatura na época da formação era de cerca de 30 Kelvin. Na avaliação do astrônomo, isso leva a questionar se o excesso de deutério em 3I/ATLAS poderia ser um vestígio tecnológico. Loeb sugere que o objeto pode usar deutério como combustível. Embora essa hipótese continue especulativa, ela levanta perguntas importantes sobre possíveis marcadores tecnológicos em objetos interestelares.

Independentemente de sua origem, 3I/ATLAS é um objeto singular para estudo, com potencial para lançar luz sobre processos que ocorreram no Universo primitivo. Sua investigação segue despertando o interesse da comunidade científica e abrindo novos caminhos para compreender a evolução dos sistemas planetários.

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