Enquanto muita gente acompanha a chegada dos caças F-16 AM/BM Fighting Falcon à Força Aérea Argentina (FAA) pelos marcos oficiais e anúncios, o trabalho decisivo acontece longe dos holofotes: a preparação de quem vai sustentar e operar o novo sistema de armas segue em ritmo constante nos Estados Unidos. Exemplo disso foram as atividades realizadas nos primeiros dias de janeiro na Base Aérea de Davis-Monthan, no estado do Arizona, dentro dos esforços de cooperação do programa Peace Condor.
Durante essa passagem, militares argentinos trocaram experiências com o 305th Rescue Squadron, unidade especializada em missões de Busca e Salvamento em Combate - Combat Search and Rescue (CSAR). A agenda serviu para aprofundar procedimentos e capacidades de recuperação de pilotos em ambientes hostis, um elemento central no ecossistema operacional do F-16, pois impacta diretamente a sobrevivência das tripulações, a efetividade das missões e a tomada de decisão.
Vale lembrar que integrar capacidades de CSAR é especialmente importante para forças que passam a operar um sistema de armas de primeira linha. No caso argentino, a chegada dos primeiros seis F-16 AM/BM no início de dezembro passado não representa apenas a aquisição da plataforma: exige também adaptação doutrinária, logística e operacional de toda a estrutura de apoio, para manter a capacidade de emprego em cenários mais complexos.
Formación integral en el marco del programa F-16
A capacitação nos Estados Unidos faz parte de um processo mais amplo de transferência de conhecimento e treinamento técnico que a FAA vem conduzindo desde 2024, após a assinatura do acordo de aquisição dos F-16 MLU provenientes da Dinamarca. Como ocorre normalmente, o esforço inclui a adaptação de documentação técnica, sistemas de gestão logística e procedimentos de manutenção ao padrão adotado pela Força Aérea Argentina, além da já citada formação de pilotos e do pessoal técnico - especialistas em manutenção, logística e planejamento operacional.
Também é importante destacar que as aeronaves que chegaram em dezembro de 2025 seguem, até o momento, em processo de prontidão técnica e adequação de sistemas, sem terem iniciado operações de voo após a cerimônia de recebimento, que foi conduzida pelo presidente da Nação, Javier Milei.
Nessa mesma linha, nos últimos meses, diferentes grupos de técnicos da Força Aérea Argentina participaram de cursos específicos ligados à manutenção da aeronave, à gestão de sobressalentes e ao suporte de sistemas eletrônicos. Dentro desse esquema, em junho de 2025, pessoal técnico argentino participou nos Estados Unidos de etapas iniciais de capacitação voltadas à manutenção do F-16, incluindo cursos práticos orientados ao sustentamento da célula, do motor e dos sistemas associados. Essas atividades formaram uma primeira fase de preparação nas instalações da empresa de agressores Top Aces, na cidade de Mesa, Arizona (EUA), antes da chegada das aeronaves ao país, dando início à consolidação das capacidades técnicas sobre o sistema de armas.
Depois, em setembro de 2025, uma delegação técnica da Força Aérea Argentina concluiu na cidade de Kolding, Dinamarca, a aceitação do primeiro pacote logístico do Programa Peace Condor. Na ocasião, efetivos da FAA realizaram a verificação física e documental do material sob o sistema de gestão ILIAS, utilizado pela Real Força Aérea Dinamarquesa e incorporado pela Argentina. Esse primeiro pacote marcou o começo da transferência logística para a Argentina e estabeleceu as bases do suporte técnico para os F-16AM/BM que chegaram recentemente ao país.
Por fim, o antecedente mais recente dos passos dentro do programa se concretizou há poucas semanas, com o recebimento de um novo pacote logístico na Área de Material Río Cuarto (ARMACUAR), etapa-chave para começar a estruturar, em território nacional, a infraestrutura necessária para sustentar a frota. Conforme informado, em 9 de janeiro chegaram 50 contêineres com ferramentas, sobressalentes, componentes e armamento destinados a apoiar as futuras operações do sistema F-16.
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