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A NASA tenta prolongar a vida das sondas Voyager: engenheiros preparam uma ousada manobra de energia chamada "Big Bang".

Homem em uniforme da NASA operando computadores em centro de controle espacial com imagens de nave e dados.

Após a queda de potência no Voyager-1, engenheiros preparam uma reconfiguração radical do sistema de energia para ganhar mais anos de operação além do Sistema Solar

A NASA está a finalizar um novo plano para estender a vida operacional das sondas interestelares Voyager-1 e Voyager-2. A iniciativa recebeu o apelido informal de "Big Bang" e prevê uma revisão profunda de como os dois veículos, lançados há quase meio século, consomem energia a bordo.

Os dois aparelhos operam num cenário extremo. O Voyager-1 já se encontra a mais de 25 bilhões de quilômetros da Terra, o que torna qualquer intervenção física impossível. A eletricidade vem de um gerador termoelétrico de radioisótopos (RTG), cuja potência diminui de forma contínua com o passar do tempo - e o mesmo acontece com o seu “gêmeo”, o Voyager-2.

O alerta mais recente veio de um evento no Voyager-1: durante uma manobra de rotina em 27 de fevereiro, o nível de energia caiu de maneira inesperada. A equipa temia que uma nova queda acionasse o sistema de proteção contra baixa tensão, que desliga automaticamente equipamentos e pode exigir um longo processo para restabelecer comunicações - com riscos adicionais para a missão.

Para ganhar fôlego, os engenheiros desligaram um dos instrumentos científicos: o experimento de partículas carregadas de baixa energia (LECP). A medida liberou parte da energia disponível e, segundo estimativas dos especialistas, deve prolongar a operação da sonda em cerca de um ano. Ainda assim, o instrumento não foi “desativado” por completo: componentes essenciais foram mantidos num modo que preserva a possibilidade de retorno ao funcionamento integral no futuro, caso surja energia adicional.

É justamente nesse contexto que a NASA prepara a operação "Big Bang", uma estratégia mais agressiva de economia energética. A proposta é desligar simultaneamente determinados sistemas e substituí-los por configurações mais eficientes, mantendo o mínimo indispensável de aquecimento e funcionamento para que as sondas continuem a realizar observações científicas.

O plano já está perto da fase de teste em operação real. Entre maio e junho, a NASA pretende experimentar o novo arranjo no Voyager-2. Se o ensaio funcionar como esperado, mudanças equivalentes serão aplicadas ao Voyager-1 não antes de julho.

Caso o resultado seja positivo, ainda existe a possibilidade de reativar o LECP - o que representaria mais um marco para uma missão que, originalmente, tinha duração prevista de apenas 4 anos. Hoje, 48 anos após o lançamento, as duas sondas seguem em atividade, embora, dos 10 instrumentos científicos de cada uma, apenas 3 permaneçam ativos.

A operação "Big Bang" é uma tentativa de extrair o máximo possível de uma energia que está a terminar, prolongando uma missão única que continua a ser a única fonte de dados diretos sobre o espaço interestelar.

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