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Anduril começa a produção em série do drone de combate YFQ-44A Fury para a USAF

Três homens em conversa próximos a drones militares dentro de um hangar bem iluminado.

A Anduril deu início à produção do novo drone de combate YFQ-44A Fury destinado à Força Aérea dos EUA (USAF), marcando o começo da fabricação em série do sistema dentro da fábrica Arsenal-1, no estado de Ohio. A empresa comunicou o marco em 24 de março de 2026 por meio de suas redes sociais, indicando que os novos processos industriais devem permitir fornecer à Força Aérea um volume expressivo de aeronaves - embora não tenha divulgado mais detalhes, além de uma imagem do veículo aéreo não tripulado em voo.

Produção do YFQ-44A Fury e o avanço do Collaborative Combat Aircraft (CCA)

O início da produção acontece após relatos recentes que, com alguns meses de antecedência, já apontavam que esse anúncio estava próximo, citando executivos da companhia. O movimento reforça a continuidade do programa Collaborative Combat Aircraft (CCA), por meio do qual a Força Aérea dos EUA pretende complementar a sua frota atual, hoje limitada, adotando uma doutrina de aquisição voltada a evitar problemas de programas anteriores e a reduzir a dependência de grandes contratantes no desenvolvimento de tecnologias críticas.

Mudança industrial e críticas de Palmer Luckey

A empresa também enfatizou que a decisão se encaixa em uma transformação mais ampla no setor industrial dos Estados Unidos. Palmer Luckey, fundador da Anduril, tem criticado líderes da indústria de defesa por não investirem em capacidade de manufatura doméstica e, com isso, contribuírem para gargalos na cadeia de suprimentos em projetos estratégicos. Nessa linha, ele declarou que pretende evitar esse tipo de erro, lembrando que a Anduril tem cumprido prazos e orçamentos nos contratos que recebeu. “Não vamos repetir os falhos que têm afetado a indústria de defesa”, disse Luckey em declarações anteriores divulgadas em redes sociais.

Campanha de ensaios: AMRAAM, Hivemind e Lattice

Desde o primeiro voo, em 31 de outubro de 2025, o YFQ-44A Fury vem acumulando marcos relevantes na campanha de testes. Entre eles, houve um ensaio de integração com um míssil ar-ar AIM-120 AMRAAM inerte, seguido por voos controlados pelo sistema Hivemind, da Shield AI, e pelo software Lattice, da Anduril. Até o momento, são conhecidas duas unidades do modelo, identificadas pelas matrículas “25-1001” e “25-1003”, sem confirmação de outros exemplares que não tenham sido fotografados.

A-GRA, MOSA e integração de autonomia de terceiros

Segundo Jason Levin, vice-presidente sênior de engenharia da Anduril, o voo com agentes de inteligência artificial foi viabilizado pela “implementação antecipada” da Arquitetura de Referência Autônoma do Governo (A-GRA) tanto no YFQ-44A quanto na pilha de software de autonomia de missão. A evolução do programa também está associada ao desenvolvimento da Arquitetura Modular de Sistemas Abertos (MOSA), com o objetivo de evitar amarras tecnológicas que dificultem melhorias futuras e, ao mesmo tempo, permitir a integração de softwares autônomos de terceiros, como o Hivemind e o Sidekick, da Collins Aerospace.

Sem baia interna de armamento no Incremento 1

A aeronave não conta com baia interna para armamentos - algo que ficou evidente no teste com o míssil AMRAAM - e, por isso, as primeiras avaliações devem servir para definir ajustes ligados ao uso de cargas externas. Esse arranjo não é incomum na primeira geração de drones do CCA, como também ocorre com os modelos Kizilelma, da Turquia, e MQ-28A Ghost Bat Block II, da Austrália. Já os drones planejados para o Incremento 2, incluindo o YFQ-48A Talon Blue e o UCAV Vectis, deverão trazer baias internas e capacidades avançadas, incorporando os aprendizados obtidos no Incremento 1.

Autonomia avançada no CCA e o rumo do Incremento 2

A Força Aérea dos EUA segue ampliando a adoção de autonomia avançada no programa CCA, alinhada às expectativas de que essas plataformas executem funções como decolagem, taxiamento, navegação por pontos predefinidos, patrulha e retorno à base. Ensaios recentes - como os conduzidos pela Lockheed Martin em manobras de evasão autônoma a bordo do X-62 VISTA - ajudam a indicar o caminho evolutivo esperado para os sistemas do Incremento 2. Nesta fase, a prioridade operacional está em aliviar caças tripulados de tarefas rotineiras e aumentar a massa disponível em um eventual cenário de combate, mais do que aperfeiçoar imediatamente a furtividade ou incorporar baias internas em todos os modelos.

Imagens meramente ilustrativas.

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