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Testámos a Mercedes-Benz Classe C All-Terrain na estrada e fora dela. Convenceu?

Carro SUV Mercedes-Benz C AllTerrain prata exibido em showroom moderno e iluminado.

Diria que a Mercedes-Benz Classe C All-Terrain chega meio na contramão do mercado: num momento em que as marcas enxugam gamas (menos variações de carroceria e menos opções de motor), a Classe C ganha, pela primeira vez, uma versão com “pegada” de fora de estrada.

A proposta é permitir escapadas ocasionais do asfalto para areia/lama/pedras sem medo de estragar a carroceria (agora há proteções nas áreas mais expostas) nem componentes mecânicos na parte de baixo. Para isso, a altura livre do solo aumenta 4 cm, graças ao uso de molas 30 mm mais altas e rodas com +10 mm de diâmetro.

A Classe C All-Terrain se soma à Classe E All-Terrain como alternativa para quem gosta de peruas - pela versatilidade e pelo porta-malas maior -, mas também valoriza atributos extras para rodar em estradas de terra de “off-road leve”.

E, assumindo o papel de rival direta das peruas Audi A4 Allroad e Volvo V60 Cross Country (que já comparamos anteriormente), ela entra num território em que essas concorrentes já atuam há algum tempo com a mesma filosofia.

O que diferencia a Mercedes-Benz Classe C All-Terrain?

No visual, além da maior altura do solo e das rodas maiores, aparecem as proteções em plástico e metal ao redor da carroceria, as placas metalizadas na dianteira e na traseira e uma grade do radiador exclusiva (com apenas uma barra transversal). Some a isso o efeito “perua Classe C mais alta e robusta”, que muda a leitura do conjunto.

Como opcional, dá para instalar engate de reboque com acionamento automático: ao apertar um botão no porta-malas, ele se posiciona para engatar um reboque de até 1800 kg.

Por dentro, as diferenças em relação às demais Classe C Station são ainda mais sutis. A All-Terrain parte do pacote Avantgarde por fora e por dentro, e oferece três combinações de cores: preto, bege ou preto/marrom. No sistema MBUX, entra um menu dedicado com informações de off-road: inclinação lateral e longitudinal da carroceria, ângulo das rodas dianteiras, além de bússola digital (para não perder o rumo) e câmeras 360°.

Aos modos de condução tradicionais (Eco, Comfort, Sport e Individual), somam-se dois específicos para as capacidades adicionais da Classe C All-Terrain: Off-road (limitado a 110 km/h) e Off-road+ (até 45 km/h, com o controle de descida de rampas sempre ativo “em segundo plano”).

Vale mencionar também a possibilidade de equipar a C All-Terrain com o avançado sistema de iluminação Digital Light, lançado na nova Classe S, que amplia e melhora a projeção do feixe em velocidades de até 50 km/h.

Apenas uma motorização para Portugal

Nesta primeira experiência ao volante da nova Classe C All-Terrain, estavam disponíveis as duas motorizações previstas: 200 e 220 d. A primeira é a gasolina, e a segunda a diesel; ambas com quatro cilindros, mild-hybrid e câmbio automático de nove marchas. Como apenas a C Station 220 d 4MATIC All-Terrain (nome completo) será comercializada em Portugal, a escolha acabou sendo óbvia.

O sistema híbrido leve (mild-hybrid) usa motor de partida/gerador (ISG) e arquitetura elétrica de 48 V, ajudando o motor a combustão com 22 cv e 200 Nm em acelerações médias e fortes. O objetivo é reduzir consumo, melhorar o desempenho e, ao mesmo tempo, recuperar energia.

Espaço na medida certa

No geral, materiais e acabamento ficam em bom nível, e o espaço interno acompanha. Há bastante área para as pernas também na segunda fileira, além de boa altura, apesar de o carro avaliado ter teto panorâmico (que inevitavelmente tira alguns centímetros) ao longo de todo o habitáculo.

Por outro lado, o grande túnel no assoalho na segunda fileira vai atrapalhar (e muito) quem for no banco do meio. O cenário ideal é viajar com duas pessoas atrás, aproveitando o conforto, o apoio de braço central e os assentos traseiros mais elevados que os dianteiros, o que melhora a visão para fora.

O porta-malas tem formato bem aproveitável, com cobertura rígida e bom revestimento. Mesmo sendo menor do que o da Audi A4 Allroad e o da Volvo V60 Cross Country, ele traz piso com altura regulável, permitindo criar uma base plana se o usuário quiser. Há ainda botões na parte traseira para rebater os encostos em 1/3–2/3.

Capacidades fora de estrada convincentes na Classe C All-Terrain

O conforto chama atenção em qualquer tipo de piso (sem excesso de rolagem lateral em curvas). Isso porque os engenheiros alemães partiram da calibração Comfort da perua “normal”, como explicou Christof Kuehner, diretor de desenvolvimento: “entendemos que não seria necessário incluir a opção de amortecimento eletrônico variável porque isso só acrescentaria complexidade e custo, sem um grande benefício”.

A direção entrega a precisão necessária, e os modos de condução mudam, em maior ou menor grau, a forma como a perua se comporta no asfalto. Como costuma acontecer nos híbridos da Mercedes-Benz (mesmo sendo mild-hybrid), o pedal de freio tem pouca resposta no começo do curso e passa a “morder” de maneira mais clara a partir de cerca de 30% do acionamento.

O teste incluiu uma trilha moderada de fora de estrada, ainda assim mais exigente do que a maioria dos proprietários de uma Classe C All-Terrain de mais de 60 000 euros provavelmente enfrentará.

E, como esperado, ela passou por esse trecho sem dificuldade. Lama, piso escorregadio e subidas de terra e pedras bem íngremes ficaram para trás com tranquilidade. O controle de velocidade em descidas funcionou muito bem: opera entre 3 km/h e 16 km/h, com ajuste por um botão à esquerda do volante, e a velocidade fica memorizada. O limite definido é temporariamente ignorado quando o motorista acelera ou freia além do valor programado, voltando a atuar quando os pedais são liberados.

Mais rápida do que parece no papel

O motor ganha fôlego de verdade a partir de 1750 rpm - não apenas porque os 440 Nm de torque máximo já estão presentes (atingidos a 1800 rpm), mas também porque o sistema elétrico contribui com 200 Nm. Mais do que os 20 cv extras, esse empurrão de torque ajuda bastante nas retomadas e nas acelerações em geral.

Com isso, a Classe C All-Terrain 220 d acaba ficando mais ágil do que se imaginaria para um modelo de quase 1900 kg e 200 cv de potência máxima. O câmbio também se beneficia desse apoio elétrico, ganhando suavidade nas trocas - que podem ser feitas manualmente pelas aletas atrás do volante. Um porém: essas aletas deveriam ter um toque mais “premium”, com material mais agradável e um acionamento menos “clunk”.

Ao fim do percurso em estrada, de cerca de 60 km, a média registrada foi de 7,6 l/100 km, aproximadamente 2 l/100 km acima do valor homologado. Parte desse aumento, porém, também se explica pelo fato de o teste ter acontecido parcialmente em rodovias alemãs com trechos sem limite de velocidade.

Quanto custa?

A Mercedes-Benz C Station 220 d 4MATIC All-Terrain custa 6300 euros a mais do que a C Station “normal” com o mesmo motor. O salto parece alto e ainda fica um pouco acima do preço das duas rivais diretas da Audi e da Volvo (que giram em torno de 59 300 euros).

Por outro lado, para quem prioriza os atributos TT desta perua e aceita abrir mão de um pouco de espaço, ainda assim são 9000 euros a menos do que uma E All-Terrain com motorização equivalente.

Especificações técnicas

Mercedes-Benz C Station 220 d 4MATIC All-Terrain
Motor
Posição Dianteiro longitudinal
Arquitetura 4 cilindros em linha
Capacidade 1993 cm³
Distribuição 4 válv. por cilindro (16 válv.)
Alimentação Inj. direta, turbo de geometria variável, intercooler
Potência 200 cv às 3600 rpm
Binário 440 Nm entre 1800-2800 rpm
Motor elétrico
Potência 20 cv
Binário 200 Nm
Transmissão
Tração 4 Rodas
Caixa de velocidades Automática (conversor de binário) de 9 velocidades
Chassis
Suspensão DI: Independente multibraços; DT: Independente multibraços;
Travões DI: Discos ventilados; DT: Discos Ventilados;
Direção/Diâmetro de viragem Assistência eletro-hidráulica/11,5 m
Dimensões e Capacidades
Comp. x Larg. x Alt. 4755 mm x 1841 mm x 1494 mm
Distância entre eixos 2865 mm
Capacidade do porta-malas 490-1510 l
Capacidade do depósito 40 l
Rodas 245/45 R18
Peso 1875 kg (EU)
Desempenho e consumos
Velocidade máxima 231 km/h
0-100 km/h 7,8s
Consumo combinado 5,6-4,9 l/100 km
Emissões CO₂ 147-129 g/km

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