O BYD Atto 2 é o SUV 100% elétrico mais compacto da marca chinesa, que oferece muito por pouco.
Se há algo que tem mexido com o mercado europeu (e, por tabela, com o brasileiro), é o avanço rápido das marcas chinesas. No meio dessa onda, a BYD é uma das que mais tem acelerado a sério - e com uma estratégia bem clara.
O Atto 2 é um bom exemplo dessa abordagem: entra diretamente no segmento B-SUV, um dos mais concorridos e importantes em volume, onde convivem propostas bem diferentes entre si, do Citroën C3 Aircross ao Volvo EX30.
Em termos de design, estão lá os traços que já reconhecemos noutros SUV da marca, sobretudo na traseira. Já na dianteira, quase dá para “enxergar” uma certa inspiração no Ferrari 12Cilindri - com alguma boa-vontade - graças à faixa preta que liga os faróis.
No conjunto, o que mais foge à regra são as rodas de 17” com um pneu de perfil bem alto, algo pouco comum. Pode não ser a escolha mais bonita, mas, como verá adiante, ajuda bastante no conforto a bordo.
De resto, e olhando de forma geral, o BYD Atto 2 traz alguns pormenores interessantes num segmento superlotado, com elementos e equipamentos que podem pesar na hora de decidir a compra.
Ambiente tecnológico
Os SUV compactos, como o Atto 2, têm sido a opção ideal para a rotina do dia a dia - ida e volta do trabalho, paradas em infantários e escolas pelo caminho. Para quem quer espaço e tecnologia para esse tipo de uso, o BYD Atto 2 cumpre sem desiludir.
O ambiente a bordo é claramente tecnológico, graças aos dois ecrãs: o do painel de instrumentos e o central, maior, que pode ser usado tanto na horizontal como na vertical.
Na consola central, há um carregador sem fios bastante útil para o telemóvel e um comando da caixa com um aspeto mais sofisticado. Ele domina uma zona onde ficam alguns dos comandos (físicos) mais usados, como o volume do som e o seletor dos modos de condução: Eco, Normal e Sport.
Uma “arrumação” muito bem-vinda, até porque a quantidade de funções no infoentretenimento - e a organização pouco prática de alguns menus - ainda nos obriga a desviar a atenção vezes demais daquilo que (ainda) é a principal tarefa do condutor: conduzir.
Espaço para (quase) tudo
Quanto ao espaço no habitáculo, o BYD Atto 2 também foi uma boa surpresa. Na frente, há bancos com regulação elétrica, bom apoio, encostos de cabeça integrados e uma posição de condução bem conseguida. Atrás, o espaço continua garantido, seja para dois ou três passageiros, com boa folga para pernas e em altura.
Ainda mais atrás, na bagageira, a marca anuncia 400 litros, mas este volume revelou-se muito fácil de encher com coisas que normalmente ocupariam bem menos espaço. Segundo o catálogo da BYD, a medição dos 400 litros é até ao tejadilho e, assim, já faz mais sentido.
Não dá para esquecer que este SUV elétrico chinês foi pensado essencialmente para o mercado europeu e com a meta de ser barato. Por isso, encontrei alguns materiais mais simples, embora em zonas em que quase não tocamos - e as críticas ficam por aqui.
Mesmo com essa missão de custo controlado, o BYD Atto 2 passa uma sensação de robustez acima da média, com materiais agradáveis ao toque no topo do tabliê e nos painéis das portas, e sem diferença evidente de qualidade entre as portas dianteiras e traseiras.
Em certos detalhes, os acabamentos com aspeto de camurça e as costuras no volante e nos bancos em cor contrastante - visíveis também no tabliê e na base do carregador sem fios - chegam a lembrar modelos com outras ambições (e mais caros).
Ferramenta de rotina
Mais do que um 100% elétrico feito para divertir ao volante, o BYD Atto 2 funciona como uma ferramenta: está ali para resolver, dia após dia, tudo o que a rotina exige.
Imagine o interior com compras, brinquedos, migalhas de bolachas, papéis nas bolsas das portas, chapéus de chuva e casacos esquecidos… está a ver onde quero chegar, certo? Pois bem, o BYD Atto 2 “tolera” tudo isso, quase como se estivesse a sorrir, entrando com gosto nessa azáfama familiar.
No conforto, ajudam as rodas de 17″ e o perfil de pneu maior do que o habitual. Não é a configuração ideal para uma condução mais empenhada e precisa - algo que está longe de ser o objetivo do BYD Atto 2 -, mas em troca filtra uma dose extra das irregularidades do piso.
Mesmo não sendo a proposta mais afiada do segmento em dinâmica, o Atto 2 responde com movimentos de carroçaria controlados e previsíveis, transmitindo confiança e segurança a quem vai ao volante.
É poupadinho
Ainda há muitas dúvidas e perguntas nesta “coisa” dos carros elétricos. Ainda assim, este é mais um ponto em que o BYD Atto 2 acabou por surpreender pela positiva.
Mesmo com uma bateria de capacidade modesta, de 45,12 kWh - longe de ser a escolha ideal para quem quer autonomia para ir ao fim do mundo e voltar, parando só cinco minutos num café para carregar -, o consumo comedido do Atto 2 dá margem para muitas “voltinhas” em ambiente urbano.
Terminei este teste com uma média de 14 kWh/100 km - abaixo dos 16 kWh/100 km oficiais -, e cheguei a registar valores entre 12-13 kWh/100 km.
A autonomia anunciada é de 312 km (ciclo combinado WLTP), um número que, com ar condicionado ligado, dias de chuva intensa e alguns ritmos irregulares que a rotina por vezes impõe, tende a cair. De forma realista, não deverá ser difícil chegar aos 280 km por carga em condições reais.
Um forte argumento
Como seria de esperar, o preço é um dos trunfos mais fortes do BYD Atto 2. No caso da unidade ensaiada, o nível de equipamento é o Boost, o mais completo dos dois disponíveis em Portugal, com preço de 32 990 euros.
Em opcionais, a escolha é fácil: não há. Até a pintura metalizada entra neste valor, assim como a lista (muito extensa) de equipamentos que encontramos a bordo.
Entre eles, há itens que nem são assim tão comuns no segmento, como o volante aquecido, o ecrã central rotativo e tátil de 12,8”, o teto panorâmico com cortina de comando elétrico e até a chave digital via NFC (Near Field Communication).
Se estes 32 990 euros ainda parecerem puxados, a BYD tem uma alternativa mais em conta. Durante a fase de lançamento do modelo, o preço de entrada pode ficar abaixo dos 30 mil euros, se optar pelo nível Active e pelo financiamento proposto pela marca.
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