Num setor em que muita gente previa travagem, a Toyota fez exatamente o contrário: voltou a acelerar em 2025. Mesmo já sendo a maior fabricante de automóveis do mundo, a marca registou um novo recorde global, com 11,32 milhões de veículos vendidos (incluindo Lexus, Daihatsu e Hino). E isso aconteceu apesar de um ano cheio de obstáculos, como as tarifas nos EUA e um mercado europeu a andar de lado.
O mais curioso é que a Toyota não parece disposta a “defender posição”. Quer continuar a crescer. Em 2026, prepara uma nova ofensiva de produto, agora com o tipo de carro que tantas vezes lhe apontam como insuficiente na gama: elétricos. Só que, ao mesmo tempo, não descuida os modelos que sustentam a liderança. A estratégia não é uma rutura - é ampliar o que já funciona.
Em equipa que ganha mexe… pouco
Um dos pilares para a Toyota ser o maior construtor do mundo é o RAV4. Tudo indica que voltou a ser o carro mais vendido do mundo em 2025 - cerca de 1,12 milhões de unidades -, depois de já o ter sido em 2021, 2022 e 2024.
Agora chega uma nova geração - mais detalhes no vídeo acima -, com a versão europeia revelada no Salão de Bruxelas, em janeiro. Há evoluções em segurança e software, mas o “coração” do SUV mantém-se: continua a apostar nas motorizações híbridas. No caso do híbrido plug-in, a autonomia sobe até aos 100 km, graças à introdução de uma bateria maior, de 22,68 kWh.
Outro pilar incontornável da Toyota é a Hilux. À semelhança do RAV4, é um sucesso global: a pick-up japonesa foi o nono veículo mais vendido do mundo em 2025, com mais de 966 mil unidades vendidas.
A nona geração também se estreou na Europa no Salão de Bruxelas, mas só deve chegar ao mercado no final do verão ou início do outono. Em termos tecnológicos, representa o maior salto na história da Hilux. E, pela primeira vez, existe uma Toyota Hilux 100% elétrica - mas não se preocupe: o motor Diesel continua a ser uma peça-chave na pick-up. Fique a saber tudo sobre a nova Hilux:
Ofensiva elétrica acelera
A Toyota não saiu disparada atrás dos elétricos como muitos outros construtores. Não é birra: é uma leitura pragmática do mercado. O resultado fala por si: as vendas de híbridos estão no nível mais alto de sempre, enquanto outros fabricantes tiveram de reduzir metas elétricas e admitir perdas de milhares de milhões.
Isso não significa que a Toyota seja contra os elétricos - nunca foi. Como os seus responsáveis têm repetido, eles são apenas mais uma parte do puzzle da descarbonização, e não a única. Talvez por isso tenha esperado até agora para acelerar de verdade, e 2026 parece ser o momento.
Tudo começou com a renovação do bZ4X, o seu primeiro elétrico, que já testámos. Passa a estar disponível com duas baterias - 57,7 kWh e 73,1 kWh -, e autonomias até 569 km, com preços a partir dos 44 997 euros. Mais à frente chega o bZ4X Touring, já revelado - saiba mais detalhes -, que ganha 140 mm atrás, algo que se nota na bagageira, agora com até 600 litros.
O passo seguinte é a chegada do C-HR+, possivelmente ainda neste primeiro trimestre. O nome é conhecido, mas não tem relação com o C-HR híbrido que está à venda. A nível técnico, partilha plataforma e vários componentes com o bZ4X. Promete até 609 km de autonomia, apoiado numa bateria de 77 kWh. Também já o conduzimos - fique com as nossas primeiras impressões:
Para fechar a ofensiva elétrica este ano, teremos o Toyota Urban Cruiser. É o elétrico mais compacto e acessível da marca, mas com um detalhe importante: na prática, é um Suzuki. As duas marcas cooperam em vários níveis e a Suzuki tem na gama versões dos RAV4 e Corolla - Across e Swace, respetivamente. No Urban Cruiser, a lógica inverte-se e ele é, essencialmente, um Suzuki Vitara elétrico com outro emblema.
Apresenta-se com duas baterias, promete autonomias até cerca de 400 km e deve chegar depois do verão - saiba mais detalhes sobre o Utban Cruiser.
Uma incógnita chamada GR Corolla
O melhor fica para o fim? Para os petrolheads, a resposta tende a ser sim. É que existe a possibilidade de vermos chegar - finalmente - à Europa o Toyota GR Corolla. O hot hatch japonês vai começar a ser produzido no Reino Unido, reflexo de uma procura que continua alta, o que reacende a esperança de o vermos desembarcar no «velho continente».
E já que falamos da Gazoo Racing, que retirou “Toyota” do nome em mais um passo rumo a uma marca independente dentro do universo Toyota, ainda teremos de esperar por 2027 para que a sua nova estrela, o GR GT, chegue ao mercado.
A receita da Toyota para continuar a crescer parece simples: reforçar onde era mais frágil - os elétricos - sem mexer (demais) na base que a levou ao topo. É uma estratégia menos barulhenta do que a de alguns rivais, mas, até aqui, tem funcionado.
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