Com um plano voltado a reforçar e atualizar suas capacidades de artilharia, a Alemanha confirmou a compra dos seus primeiros 84 obuseiros autopropulsados sobre rodas RCH 155, em um investimento estimado em aproximadamente € 1,2 bilhão. Segundo informou a Rheinmetall em comunicado divulgado em 22 de dezembro, o pedido integra um acordo mais amplo que pode chegar a até 500 unidades, firmado com o Escritório Federal de Equipamentos, Tecnologia da Informação e Suporte em Serviço (BAAINBw) e com a Artec GmbH. Esse mesmo entendimento também abre caminho para que Berlim apoie o fornecimento da plataforma a outros parceiros internacionais que já a escolheram.
Como será a produção: Rheinmetall, Artec e a integração no Boxer
Na prática, a empresa alemã ficará encarregada de produzir e fornecer à Artec os sistemas elétricos, o software e o obuseiro. A Artec - uma joint venture entre a Rheinmetall e a KNDS - responde pelos veículos Boxer, nos quais esses conjuntos serão instalados. Pelo calendário divulgado, a expectativa é iniciar as entregas em 2027 e finalizá-las até 2029, desde que o cronograma transcorra sem contratempos.
RCH 155: canhão L52 de 155 mm, alto ritmo de tiro e automação
Ao observar as principais características técnicas da plataforma comprada pela Alemanha, o destaque recai sobre os canhões L52 de 155 mm. Eles podem realizar entre 6 e 8 disparos por minuto, com alcance em torno de 54 km e azimute de 360°, oferecendo ampla cobertura de tiro.
Outro diferencial relevante do RCH 155 é a capacidade de atirar em movimento, atributo que amplia a sobrevivência e a flexibilidade em cenários de combate. Além disso, sua capacidade de armazenamento de munição é até 50% maior do que a dos sistemas hoje disponíveis ao Exército Alemão. Em comparação com o PzH 2000, a plataforma também se sobressai pelo elevado nível de automação, o que permite operação com uma equipe reduzida de apenas dois militares (comandante e motorista).
Adoção internacional: Reino Unido, Suíça e Ucrânia
Até o momento, esse conjunto de capacidades contribuiu para que o Reino Unido selecionasse o sistema como substituto de seus obuseiros sobre lagartas AS90. A decisão foi confirmada durante uma reunião em abril de 2024 entre o então chanceler alemão Olaf Scholz e o primeiro-ministro britânico Rishi Sunak.
O Exército Suíço também seguiu uma linha semelhante, com o objetivo de atualizar sua frota de M109 KWEST, que permaneceu em serviço por mais de cinco décadas. Nesse caso, porém, o obuseiro seria instalado em um veículo blindado Mowag Piranha IV 10×10, e não nos veículos Boxer citados anteriormente.
Já a Ucrânia, tornando-se o primeiro usuário a colocar o sistema em serviço, encomendou uma frota de 54 unidades para reforçar seus estoques de artilharia, hoje sob forte pressão devido ao combate contra a invasão russa. Em meados de janeiro deste ano, a Alemanha realizou em Kassel uma cerimônia simbólica de entrega da primeira unidade, dando início ao programa que prevê a entrega em três lotes, conforme a solicitação de Kiev.
Impactos operacionais e de sustentação do RCH 155 na força alemã
Além dos números de compra e do cronograma industrial, a incorporação do RCH 155 tende a exigir planejamento consistente de treinamento de tripulações, cadeia de manutenção e fornecimento de munição 155 mm, especialmente para aproveitar o nível de automação e a capacidade de tiro em movimento. A padronização de procedimentos e a integração com sistemas digitais de comando e controle também ganham peso, pois influenciam diretamente a rapidez de engajamento e a coordenação com outras armas.
Do ponto de vista estratégico, o pedido alemão se insere em um contexto europeu de maior prioridade à artilharia de tubo, com ênfase em alcance, cadência e mobilidade. Ao estruturar um acordo que pode chegar a 500 unidades, a Alemanha também cria margem para ampliar a escala industrial e facilitar entregas a parceiros, o que pode contribuir para reduzir prazos e melhorar a disponibilidade de sistemas em um cenário de demanda crescente.
As imagens são usadas apenas para fins ilustrativos.
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