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Novas imagens sugerem testes com drones no navio de assalto anfíbio Tipo 076 da Marinha chinesa

Homem com capacete vermelho guia drone em decolagem da plataforma de porta-aviões no mar.

Imagens recentes divulgadas nas redes sociais levaram diferentes fontes de OSINT a apontar que o novo navio de assalto anfíbio Tipo 076 da Marinha chinesa pode estar se preparando para iniciar ensaios com drones embarcados. Caso se confirme, a integração desses sistemas ampliaria a capacidade de ataque da plataforma, oferecendo apoio direto às operações de desembarque de tropas.

O material que circula publicamente parece mostrar um sistema não tripulado com perfil voltado a atingir alvos em terra, indicando um foco inicial em missões de ataque. Ainda assim, a expectativa é que esse não seja o único tipo de drone a operar no navio no futuro, à medida que o componente aéreo do Tipo 076 for sendo estruturado.

CNS-51 Sichuan e o avanço dos testes no Tipo 076 com drones

Vale lembrar que o navio em questão vem passando, nos últimos meses, por uma sequência de provas de mar antes de ser incorporado às frotas chinesas - e a possível presença de drones aparece como mais um sinal de progresso nessa etapa.

Em termos de cronologia, o CNS-51 Sichuan teria concluído com êxito sua primeira rodada de testes por volta de meados de novembro, em um ciclo de dois dias, finalizado com o retorno da embarcação ao estaleiro Hudong-Zhonghua.

Na ocasião, conforme comunicado da própria Marinha chinesa:

“(...) foram avaliados a propulsão, a geração de energia e outros sistemas e equipamentos essenciais do navio, alcançando os objetivos pretendidos. No futuro, novos testes serão realizados gradualmente, de acordo com o plano geral de construção do equipamento.”

Relatos daquele período também indicavam que não teriam sido realizados ensaios com as catapultas eletromagnéticas instaladas no convés de voo, nem com helicópteros ou com outros sistemas aéreos não tripulados - como os modelos GJ-11J, frequentemente citados como possíveis candidatos a operar a partir da plataforma.

Já no começo de dezembro, foi noticiado que o Sichuan completou uma segunda série de provas de mar, desta vez partindo do estaleiro Jiangnan. Embora não exista confirmação oficial, a projeção é que, ao longo deste ano, o navio participe de testes cada vez mais exigentes, integrando gradualmente os diferentes sistemas que formarão seu futuro componente aéreo. Pelas estimativas atuais, a meta seria colocar a embarcação em serviço até 2027.

Características do navio de assalto anfíbio Tipo 076: evolução do Tipo 075 e catapultas eletromagnéticas

Retomando características já conhecidas do projeto, o Tipo 076 é descrito como um desenvolvimento do Tipo 075, porém com maiores dimensões e maior deslocamento, superando inclusive classes como a America (Marinha dos EUA) e a Izumo (Japão).

Em números, o Sichuan é apontado com cerca de 263 m de comprimento e 43 m de boca, acima dos aproximadamente 232 m de comprimento e 32 m de boca dos navios do Tipo 075. Outro ponto de destaque é que a embarcação seria apenas a segunda em serviço na China equipada com catapultas eletromagnéticas, capacidade que, até aqui, estaria presente somente no porta-aviões Fujian.

Capacidade de transporte e importância estratégica no Indo-Pacífico

Relatórios disponíveis também ressaltam uma vantagem relevante do desenho: a possibilidade de transportar até 1.000 fuzileiros navais, além de veículos de assalto anfíbio e suprimentos. Esse elemento é particularmente importante porque o projeto é visto como um dos principais instrumentos com os quais Pequim poderia ampliar suas opções de projeção e desembarque de tropas em cenários de conflito.

No Ocidente, Taiwan costuma ser o cenário que mais concentra atenção, embora não seja o único ponto potencial de tensão no Indo-Pacífico.

Além do efeito direto sobre o desembarque, a adoção de drones embarcados tende a mudar o perfil de emprego de um navio de assalto anfíbio: sistemas não tripulados podem ampliar a vigilância, oferecer aquisição de alvos mais persistente e reduzir o tempo entre detecção e engajamento, especialmente quando integrados a redes de comando e controle e a outras plataformas navais e aéreas.

Por outro lado, a introdução de catapultas eletromagnéticas e de um pacote variado de drones impõe desafios práticos que costumam aparecer justamente nas fases de testes: compatibilidade com o convés, procedimentos de decolagem e recuperação, manutenção embarcada, logística de peças e, sobretudo, a integração de dados e comunicações em ambiente contestado - fatores que ajudam a explicar por que os ensaios costumam evoluir em etapas.

Imagem de capa: @China_Navy no X

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