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ACAP quer proteger os híbridos plug-in com mudança no cálculo do Euro 6e-bis

Carro elétrico branco plugado em estação de recarga dentro de showroom moderno.

Na coletiva de imprensa da ACAP, em que foram apresentadas cinco propostas para levar ao próximo governo, uma delas ganhou destaque por afetar diretamente os híbridos plug-in.

Com a entrada em vigor da norma Euro 6e-bis, prevista para janeiro de 2025, a forma de apurar as emissões homologadas desses veículos vai mudar de maneira relevante. Na prática, o novo enquadramento deve tornar os valores oficiais mais altos.

Além de ampliar a distância considerada no teste de cálculo das emissões, que passará de 800 km para 2.200 km, o fator de utilização - o Utility Factor - também será revisto. Esse indicador estima quanto tempo o híbrido plug-in roda em modo elétrico e terá menor peso na conta final, buscando aproximar o resultado das condições reais de uso.

A alteração surge depois de um estudo da Comissão Europeia, divulgado em 2024, indicar que os híbridos plug-in emitiam, no uso cotidiano, 350% mais CO₂ do que o informado nos resultados do ciclo WLTP.

Híbridos plug-in e o impacto fiscal da Euro 6e-bis

Na prática, com a aplicação da Euro 6e-bis, a maior parte dos híbridos plug-in verá as emissões oficiais de CO₂ quase dobrar. Em muitos casos, isso fará com que deixem de atender ao limite fiscal de até 50 g/km, faixa que hoje assegura isenções e vantagens tributárias, especialmente em sede de ISV e Tributação Autónoma.

Para evitar esse efeito, a ACAP defende uma solução objetiva: em vez de vincular a elegibilidade fiscal de cada carro apenas às emissões poluentes, o critério deveria ser opcional, podendo considerar esse valor ou a autonomia elétrica real do sistema. Esse modelo, segundo a associação, já é adotado em mercados como Alemanha e Espanha.

A entidade também destaca que os híbridos plug-in mais recentes apresentam, em média, autonomia totalmente elétrica entre 80 km e 120 km. Para a ACAP, trata-se de um intervalo plenamente útil para milhões de motoristas, sobretudo em trajetos urbanos e suburbanos.

Esse ponto é particularmente relevante para frotas corporativas e para quem usa o carro diariamente em percursos previsíveis. Nesses casos, a combinação entre motor elétrico e motor a combustão permite reduzir consumo, emissões locais e dependência de recarga constante, sem impor a mesma limitação de uso que ainda existe em parte da mobilidade 100% elétrica.

Penalizar essa tecnologia apenas por uma mudança regulatória, argumenta a associação, desconsidera o papel que ela ainda desempenha nesta fase da transição energética.

Sem esse ajuste, o efeito pode ser expressivo. A ACAP alerta para uma possível queda nas vendas de híbridos plug-in e para o risco de substituição desses modelos por automóveis a diesel importados, muitos deles com mais de 10 anos de uso.

A proposta da ACAP busca manter a coerência do sistema fiscal português, garantindo que a prioridade continue sendo a redução efetiva das emissões poluentes, e não apenas uma mudança metodológica nos testes de homologação.

Eletrificação com pragmatismo fiscal

Num cenário em que a eletrificação total ainda enfrenta obstáculos importantes - da rede de carregamento ao preço dos próprios veículos -, os híbridos plug-in seguem como uma solução técnica de compromisso.

A proposta da ACAP é pragmática: continuar a premiar veículos com autonomia elétrica relevante, mesmo que a nova fórmula europeia lhes atribua emissões oficiais mais elevadas. Só assim, afirma a associação, será possível dar estabilidade a consumidores e empresas durante a transição energética e tecnológica.

Se a medida for adotada, Portugal evitará uma penalização considerada injusta para quem já optou por essa tecnologia e manterá seu sistema fiscal alinhado com a realidade do mercado e com a estratégia europeia de descarbonização.

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