Um visual mais esportivo muda tanta coisa? Muda, sim.
A escolha do nome Monte Carlo para o Skoda Fabia serve para reforçar a ligação da marca ao Mundial de Rali e à prova histórica que, há mais de um século, é a “responsável” por abrir o calendário todos os anos.
Fora das pistas, nas linhas da Skoda em que não existe a alternativa mais esportiva da marca tcheca para os modelos de rua, a RS (Rally Sport), o emblema Monte Carlo acaba assumindo esse papel. No fim das contas, há muita gente que prefere um carro com aparência mais esportiva, mesmo sem mudanças mecânicas.
Foi exatamente esse o caso da unidade que tive a oportunidade de testar. De longe, ele pode até parecer um Skoda Fabia como qualquer outro desta quarta geração, que já traz um desenho mais refinado. Ainda assim, não é preciso chegar muito perto para notar que esta versão está bem longe de ser igual às demais.
Como acontece em outras versões Monte Carlo da Skoda, este Fabia recebeu vários detalhes em preto: frisos, defletores aerodinâmicos, saias laterais, grade dianteira e até os logótipos da marca e do modelo.
No carro das imagens, esses elementos podem passar mais batidos por estarem na mesma cor da carroceria, mas acabam “realçando” as linhas mais marcadas que o Fabia “convencional” já exibe.
Além disso, a unidade avaliada vinha com as rodas de liga leve opcionais de 18” de diâmetro, o que deixa o conjunto ainda mais com cara de esportivo. E, para não restar dúvida sobre qual versão é, o nome Monte Carlo aparece acompanhado de uma bandeira quadriculada nos paralamas dianteiros.
Skoda Fabia Monte Carlo: visual mais esportivo de série
Por dentro, o Skoda Fabia mantém a proposta mais esportiva com bancos dianteiros que oferecem maior apoio lateral e trazem encostos de cabeça integrados. Mesmo seguindo o clima mais escuro típico das versões de apelo esportivo do Grupo Volkswagen, eles ganham listras verticais centrais em tons de cinza e vermelho.
Para colocar o motorista ainda mais nesse ambiente, o painel, o console central e as maçanetas internas das portas recebem frisos em um vermelho bem vivo. Essa cor conversa com a identidade do painel de instrumentos digital e com alguns acabamentos que imitam fibra de carbono. Já no banco traseiro, o padrão do revestimento continua, mas os detalhes em vermelho deixam de aparecer.
Espaço a bordo do Fabia surpreende
Um dos principais pontos fortes do Skoda Fabia é o espaço interno que este compacto oferece, tanto na frente quanto atrás. Ao volante, a posição de dirigir é excelente; no banco traseiro, há boas medidas de altura e um bom espaço para as pernas.
O que pesa contra é o fato de quase todos os materiais internos serem duros - embora não tenham surgido rangidos incômodos - e a mensagem exibida na tela sensível ao toque quando tentamos conectar o celular via Apple CarPlay, indicando que ainda é preciso usar um cabo.
ADN de competição, mas só na aparência
O Skoda Fabia Monte Carlo até entrega um visual mais esportivo, mas vale lembrar: não se trata de uma versão RS. Em outras palavras, o pacote é essencialmente estético. Tanto a suspensão quanto a direção são exatamente as mesmas das demais versões da linha.
Ainda assim, a presença das rodas de 18” contribui para um rodar mais firme e também deixa as respostas das rodas dianteiras mais imediatas aos comandos do volante. Isso se soma a um chassi bem desenvolvido, capaz de oferecer uma dinâmica mais acertada e reações previsíveis, como acontece no restante da gama.
Com quatro ou apenas dois cilindros
Um dos maiores trunfos deste Skoda Fabia Monte Carlo, porém, está escondido sob o capô. O motor 1.5 TSI EVO do Grupo Volkswagen entrega 150 cv e traz melhorias voltadas a aumentar a eficiência térmica. Além disso, ele conta com a função de desativar dois dos seus quatro cilindros quando não há demanda - algo que, pelo menos na teoria, ajuda a reduzir o consumo.
De acordo com os números da marca e com a ajuda do câmbio automático DSG de dupla embreagem e sete marchas, o consumo médio desta versão fica em torno de 5,6 l/100 km em um trajeto misto. No teste, entretanto, a média ao final fechou em 6,3 l/100 km. Ainda assim, é um número interessante, especialmente considerando que houve alguns quilômetros em um ritmo menos contido.
Versão especial com preço especial
Com o pacote Monte Carlo, o Skoda Fabia ganha pontos em carisma por oferecer uma opção com um “toque” mais diferenciado. Além disso, a lista de itens de série é bem completa e inclui alguns elementos exclusivos, como a própria ambientação interna.
O lado ruim é que o preço deste Skoda Fabia Monte Carlo já encosta muito na marca dos 32 mil euros. E, somando os opcionais presentes no carro testado, o próximo degrau já é o dos 35 mil euros.
Ou seja, entra-se em uma faixa de preço que permite escolher praticamente qualquer compacto disponível no nosso mercado, seja nas versões mais fortes, seja com sistemas híbridos.
Nesse grupo, aparecem opções como Peugeot 208, Renault Clio e até o SEAT Ibiza. Neste último caso, na configuração de apelo mais esportivo (FR), com o mesmo motor e câmbio do Skoda Fabia - embora sem um pacote de série tão completo e com bem mais opcionais para selecionar.
Cadê o Monte Carlo vermelho?
O Skoda Fabia Monte Carlo acaba sendo, assim, um dos compactos mais diferentes entre os disponíveis no mercado nacional. Ele combina um motor a gasolina tecnologicamente avançado, mesmo sem qualquer tipo de eletrificação, e o câmbio DSG, que também eleva a experiência.
A aparência mais esportiva talvez seja o maior atrativo, mas não entendi por que a cor “Vermelho Velvet” da carroceria, mostrada no lançamento desta versão, não está disponível. Por aqui, apenas branco, preto e dois tons de cinza.
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