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O maior trunfo do Hyundai Inster não é o sistema elétrico

Carro elétrico verde metálico SUV Inster EV em ambiente interno com paredes brancas e vidro.

O Hyundai Inster é um daqueles casos em que o verdadeiro encanto está no interior.


O maior diferencial do Hyundai Inster não é o conjunto elétrico. Não que ele seja ruim - mais adiante isso fica claro, porque o sistema é até bem competente -, mas há outro aspecto que chama ainda mais atenção no elétrico menor e mais acessível da marca coreana.

Não vou prolongar o suspense - não sou fã disso. Estou falando do espaço interno que, somado ao preço, quase empurra este modelo para um segmento acima. Ele me acompanhou por quase uma semana e, nas linhas a seguir, conto como foi a experiência.

As expectativas não eram altas. Faz cerca de nove meses que vi o vídeo do Guilherme no primeiro contato com o novo Hyundai Inster. Um modelo que tem um irmão gêmeo menor, o Casper, que não é vendido na Europa.

O desenho não mudou, mas as dimensões aumentaram: 23,5 cm no comprimento, chegando a modestos 3,82 m. A distância entre-eixos também cresceu para 2,58 m - igual à do maior i20 -, assim como a largura, que avançou 2 cm para 1,61 m.

Ao vivo, o Hyundai Inster passa uma impressão diferente e parece maior do que realmente é. Visualmente, ele transmite uma presença que contrasta com os números da ficha técnica.

Isso ajuda o fato de trazer os já conhecidos elementos “pixelizados” que marcam o design da família 100% elétrica da Hyundai: na dianteira, eles funcionam como setas; na traseira, formam duas barras horizontais marcantes, acompanhadas por elementos circulares de iluminação com várias funções.

Confesso que não foi amor à primeira vista. Mas o Inster tem aquele tipo de aparência que vai conquistando aos poucos - ou com os quilômetros.

Hyundai Inster: muito maior por dentro do que por fora

Pelo porte, 3,8 m de comprimento não deveriam render um interior tão espaçoso. Admito que eu não esperava tanto.
Claro que há limitações por causa da largura - meu braço esquerdo fica encostado na porta e, se eu esticar o direito, toco na porta do lado oposto. Ainda assim, encontrei rapidamente uma posição de dirigir agradável, com bastante espaço disponível, inclusive no banco traseiro.

Esta galeria de imagens não faz jus ao espaço disponível no Inster:

Com o banco do motorista ajustado para minha altura de 1,85 m, abri a porta traseira, entrei na segunda fileira com a mesma facilidade de carros de segmentos superiores e ainda sobrou espaço para as pernas.

Outra vantagem: os bancos traseiros têm regulagem longitudinal e nem estavam na posição mais recuada. Assim que os levei para trás, meus joelhos ficaram a cerca de quatro dedos do banco da frente. Mas todo esse espaço tem um custo: a Hyundai equipou o Inster com apenas quatro lugares.

Se o espaço para os passageiros impressiona, o porta-malas convence com capacidade mínima de 280 litros. Parte desse volume fica sob o assoalho e serve para guardar os cabos de carregamento. Por outro lado, não há porta-malas dianteiro ou frunk - sob o capô está o motor elétrico.

Hyundai Inster: tudo fácil na cidade e na estrada

Nem precisa dizer que as dimensões compactas do Inster vão agradar bastante quem dirige no uso urbano. Ele cabe em qualquer lugar, é simples de manobrar, embora a visibilidade traseira deixe a desejar - ponto que a câmera resolve. E, com 115 cv disponíveis sob o comando do pé direito, o ritmo também pode ser bem interessante.

O consumo é outro ponto a favor do Hyundai Inster. Com a regeneração ativa, é fácil rodar na faixa de 12-13 kWh/100 km. Com alguma “ajuda” do relevo, consegui registrar menos de 10 kWh/100 km em trajetos curtos.

Por outro lado, a rodovia continua sendo um desafio para a maioria dos elétricos e, especialmente no caso do Inster, que está longe de oferecer a menor resistência ao ar. A cerca de 120 km/h, o consumo pode ficar muito perto de 20 kWh/100 km. Por isso, de forma realista, não esperem autonomias acima de 240 km nessas condições.

Ainda assim, a autonomia anunciada de 360 km em ciclo combinado WLTP não é difícil de alcançar, graças à maioria dos trajetos urbanos percorridos - a Hyundai informa 493 km em ciclo urbano WLTP. Aliás, durante o teste, não fiquei com dúvidas de que chegaria aos 400 km.

No fim, depois de vários dias de avaliação, a média foi de 14,7 kWh/100 km, considerando todo tipo de trajeto, da cidade à rodovia.

Pequeno, mas nem tanto

O preço do Hyundai Inster parte de 19 250 euros… sem impostos. É um valor promocional, reservado a empresas e empresários individuais. Se você não se enquadra nesse grupo, o preço sobe para 24 900 euros na versão de entrada Comfort: motor de 97 cv, bateria de 42 kWh e autonomia de 327 km.

Mas o Inster testado era o topo de linha, o Style Plus: 115 cv, bateria de 49 kWh e 360 km de autonomia. O preço sobe para 29 450 euros e, somando os opcionais da versão avaliada, mais as despesas de documentação e transporte, ultrapassa a barreira dos 30 mil euros, chegando a 31 017 euros.

Já fica mais difícil de aceitar, mas há compensações: ar-condicionado automático, sistema de navegação, rodas de 17”, chave inteligente… Só faltam mesmo os faróis 100% LED e as conexões sem fio para Apple CarPlay e Android Auto.

Mesmo assim, o preço do Hyundai Inster o coloca numa posição em que já aparecem outras propostas, de categoria superior: Renault 5 E-Tech (120 cv e 40 kWh) ou o Citroën ë-C3 (113 cv e 44 kWh).

O Dacia Spring, o outro elétrico urbano à venda no mercado, é bem mais barato - preços abaixo dos 20 mil euros -, mas fica longe do Hyundai Inster em desempenho, autonomia e oferta de equipamentos.

Veredito

Especificações técnicas

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