Em 19 de novembro, o governo do Reino Unido informou que decidiu cancelar a modernização da aeronave de inteligência Shadow, da Royal Air Force (RAF), alegando que o programa acumulou atrasos e estouros de custo considerados inaceitáveis. A informação foi confirmada pelo atual Ministro de Aquisições de Defesa, Luke Pollard, ao responder a questionamentos na Câmara dos Comuns, indicando que o país optou por não avançar com o padrão R2.
Ao citar trechos das declarações oficiais do ministro: “Posso confirmar que o programa de atualização do Shadow [R2] foi cancelado devido a atrasos e à sua falha em entregar a capacidade de que nossas forças armadas precisam. Além disso, ele enfrenta aumentos de custo e atrasos inaceitáveis. Essa decisão nos permitirá concentrar investimentos em outras prioridades de defesa e no Shadow [R1].”
Programa Shadow R2: origem, contrato e cronograma
Vale lembrar que essa iniciativa começou em 2021, quando o Ministério da Defesa do Reino Unido publicou um requisito para modernizar e ampliar a frota de aeronaves Shadow, em serviço desde o fim dos anos 2000. O contrato - no valor de £110 million - foi concedido à Raytheon UK. Na unidade de Broughton, foram criados até 150 novos postos de trabalho vinculados ao projeto, que previa a atualização de seis aeronaves ao todo.
Em 2023, os sinais pareciam indicar um cenário positivo: a revisão crítica de projeto foi concluída com sucesso, liberando o caminho para a entrega das aeronaves e também de simuladores de voo - algo planejado para 2024, quando a notícia se tornou pública pela primeira vez. Cabe destacar que essa data já era uma revisão após um atraso anterior em 2022, e não seria o último ajuste considerado pelo portfólio de defesa britânico, que mais tarde passou a mirar 2026.
Por que o Shadow da RAF é relevante para missões ISTAR
Ainda assim, uma rápida análise das características da plataforma ajuda a dimensionar sua importância. Desde que passou a integrar a RAF, o Shadow se destacou como uma das aeronaves mais versáteis projetadas para missões ISTAR, com capacidade de realizar operações de vigilância, inteligência e reconhecimento. Seu principal recurso é o sensor eletro-óptico/infravermelho instalado na parte inferior da fuselagem, apoiado por sistemas avançados de comunicações - incluindo enlace por satélite - e por equipamentos de autoproteção voltados a aumentar a capacidade de sobrevivência em ambientes hostis.
Derivado do turboélice comercial Beechcraft King Air 350CER, o modelo atualmente opera nos Esquadrões nº 14 e nº 54 da RAF, baseados em RAF Waddington; anteriormente, também serviu no Esquadrão nº 5. O tipo entrou em serviço na Royal Air Force em 2009, período em que o Ministério da Defesa buscava aeronaves com essas capacidades para operações no Afeganistão, emitindo um Requisito Operacional Urgente por meio do qual elas foram adquiridas.
Imagens usadas apenas para fins ilustrativos.
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