A cidade se transformou, ficou maior e mais moderna - mas ainda preserva algo que muita gente imaginava que, a esta altura, já teria desaparecido: os automóveis. Quase tudo já foi discutido sobre os desafios da mobilidade urbana e, em praticamente todo debate, o automóvel surge como o alvo principal: seja para restringir sua entrada, seja até para bani-lo por completo.
Mas será que o automóvel também pode fazer parte da resposta nas cidades do futuro, convivendo de forma equilibrada com as demais alternativas - dos transportes públicos ao simples ato de caminhar?
Para esclarecer essa e outras questões ligadas à mobilidade urbana, convidamos Susana Castelo, diretora executiva da TIS (Consultoria em Transportes, Inovação e Sistemas), para o episódio mais recente do Auto Talks. A edição foi gravada durante a 36.ª Convenção Anual da ANECRA, com apoio do Banco Credibom.
Os desafios para uma mobilidade urbana melhor
Para tornar a mobilidade urbana mais eficaz e eficiente, Susana Castelo reconhece que houve avanços, mas não descarta o automóvel. Ainda assim, ressalta que hoje existe uma “utilização excessiva” do carro.
Na visão da executiva, é preciso repensar com inteligência qual deve ser o papel do automóvel nas cidades do futuro, buscando uma “utilização mais coerente do espaço público e uma coexistência mais pacífica entre os diversos modos”.
Segundo Susana Castelo, o que impede a mobilidade de caminhar nessa direção são as políticas, já que isso exige decisões difíceis - que passam por temas como acesso ao estacionamento, velocidade de circulação e até o envelhecimento das frotas.
No caso do estacionamento, em sua perspectiva, “medidas mais exigentes são inevitáveis”: desde a adoção de estacionamento totalmente pago nas áreas centrais até modelos em que o valor varia conforme o número de carros que cada morador mantém ocupando a via pública.
Isso acontece porque, em muitas cidades portuguesas, estacionar é gratuito ou custa pouco, o que mantém o carro como uma alternativa atrativa para se deslocar. Para ela, esse cenário, por si só, torna qualquer mudança muito mais difícil.
O objetivo, conforme Susana Castelo, não é expulsar o automóvel das cidades, e sim “ganhar espaço para quem anda a pé, de bicicleta ou depende do transporte público”. Sem essa reorganização, ela afirma, será muito difícil alterar hábitos que já estão enraizados.
Car-sharing: a partilha do automóvel é uma oportunidade ainda pouco explorada (Susana Castelo)
Susana Castelo entende que o car-sharing - ou partilha do automóvel - segue sendo uma aposta para o futuro da mobilidade, apesar de ter fracassado de forma significativa não apenas em cidades portuguesas, mas também em muitas cidades europeias.
Isso é especialmente relevante, de acordo com a convidada, para as gerações mais jovens, que tendem a valorizar mais o acesso do que a posse, algo impulsionado pelas tecnologias atuais. Além disso, o próprio modelo de car-sharing pode evoluir para um formato um pouco diferente, como Susana Castelo comentou na conversa que você pode assistir acima.
Encontro marcado no próximo Auto Talks
Nesta edição do Auto Talks, outras questões sobre mobilidade urbana também entraram na discussão, como o papel dos transportes públicos (ferroviário e rodoviário) e a necessidade de ampliar sua cobertura territorial, além da defesa, por parte da convidada, de devolver o espaço urbano às pessoas.
Por isso, não faltam motivos para ver/ouvir o Auto Talks mais recente - o novo formato editorial da Razão Automóvel - nas plataformas de sempre: YouTube, Apple Podcasts e Spotify.
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