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Até 200 euros por mês: em meio à crise de combustíveis, este app paga para você ir ao trabalho de carro.

Carro elétrico branco estacionado em garagem moderna com aplicativo de controle aberto ao lado.

Uma iniciativa lançada pela Île-de-France Mobilités está pagando motoristas que dividem o trajeto entre casa e trabalho. Em apenas quatro meses, o serviço já reuniu 10 000 pessoas cadastradas e contabiliza 1 700 trajetos oferecidos, com potencial de render aos condutores até 200 euros por mês - um alívio bem-vindo em plena crise dos combustíveis.

Você já ouviu falar do Covoit’IDFM, o novo aplicativo da Île-de-France Mobilités? Na verdade, ele é “novo” só até certo ponto: lançado em dezembro de 2025, já alcançou 10 000 inscritos. Mas, na prática, como funciona o Covoit’IDFM?

A lógica é a da carona compartilhada, com regras simples. Se você dirige, informa no app o seu percurso antes de sair com o carro. Se você é passageiro, vai até um ponto de parada (sim, um ponto físico de verdade, como os de ônibus) e aguarda a passagem de algum motorista. Não existe reserva antecipada. Não existe barganha. Tudo acontece em tempo real.

Por enquanto, o esquema está concentrado em três “linhas” na região do planalto de Saclay, entre Essonne e Yvelines, uma área repleta de empresas de alta tecnologia, laboratórios de pesquisa e campi universitários - e que, apesar disso, ainda sofre com oferta insuficiente de transporte público.

Covoit’IDFM: até 200 euros por mês de economia

O momento não poderia ser mais favorável. Com as tensões no Estreito de Ormuz mantendo os preços nos postos sob pressão, compartilhar viagens virou uma alternativa ainda mais atraente. E o app reforça esse apelo ao remunerar os participantes.

Para o motorista, o Covoit’IDFM paga 0,50 € por trajeto declarado nos horários de pico (mesmo que ninguém embarque) e mais 2 € por pessoa transportada. Na teoria, o teto chega a 200 € por mês. O suficiente para ajudar, e muito, a compensar o custo de encher o tanque.

Do lado do passageiro, o ganho também é claro. Desde 7 abril, quem tem assinatura Navigo pode fazer um ida e volta gratuito por dia nas linhas de Saclay. Na prática, a carona compartilhada passa a fazer parte do pacote do próprio passe de transporte.

Mesmo com benefícios relevantes, a oferta demorou para engrenar. Nos primeiros meses após a abertura das linhas, não era raro simplesmente não haver motorista disponível. O serviço precisou de tempo para alcançar a massa crítica indispensável para esse tipo de sistema funcionar de forma confiável.

O cenário mudou com os acontecimentos recentes e a disparada do preço do petróleo, que aparentemente impulsionaram a adesão de motoristas. Os dados indicam um avanço animador: em média, 1 700 trajetos são disponibilizados por mês pelos condutores, e usuários frequentes já começam a usar o aplicativo no dia a dia. Há ainda um mecanismo de proteção: se nenhum carro parar em até 10 minutos, uma equipe de assistência liga para o passageiro para encontrar uma alternativa, sem custo extra.

O que achamos

A proposta da IDFM tem um ponto forte: tratar a carona compartilhada como um serviço público de transporte, com pontos de parada, horários de operação, garantia de atendimento e integração com o passe Navigo. Isso cria vantagens concretas frente a soluções privadas, como a gigante Blablacar, ainda que ela esteja tentando expandir o modelo porta a porta.

Também permanece o desafio de ganhar escala. Com 10 000 inscritos e 1 700 trajetos por mês, o serviço ainda alcança apenas um grupo relativamente limitado. Para o formato se sustentar, cada linha precisa reunir um número consistente de motoristas recorrentes. Além disso, o sistema é majoritariamente bancado por subsídios. Quanto maior for o volume de passageiros e condutores, maior tende a ser a conta para a IDFM - e, portanto, para os contribuintes. Afinal, nada sai de graça.

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