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Após 80 anos, a Air France deixou o segundo maior aeroporto da França.

Aeromoça com uniforme azul e gravata vermelha segura mala e bilhete no aeroporto com avião Air France ao fundo.

Chegou ao fim a longa história de amor entre a companhia aérea Air France e o aeroporto de Orly.

Depois de 80 anos com aeronaves da Air France circulando pelo pátio de Orly, veio a despedida. O último voo comercial operado pela empresa pousou neste sábado, 28 de março de 2026, às 21h55, vindo de Nice. O momento, como era de se esperar, emocionou tanto as equipas quanto os entusiastas de aviação, que fizeram questão de acompanhar de perto - ainda que à distância.

Essa saída marca uma virada importante, tanto para o aeroporto de Orly quanto para a companhia aérea francesa. Ainda assim, a Air France não some totalmente do local: a sua subsidiária low-cost assume parte da operação, enquanto as atividades de carga são mantidas e a Air France continuará a utilizar Orly para manutenção.

Air France e Orly: 80 anos de “amor” na aviação francesa

A ligação começou oficialmente em 24 de junho de 1946, quando a Air France realizou um voo histórico entre Paris e Nova Iorque a partir do aeroporto de Orly, com um Douglas DC-4. Ao longo das décadas, boa parte da evolução da companhia passou por esse aeroporto emblemático: vieram os primeiros jatos Caravelle em 1959, depois a chegada dos incontornáveis Boeing 747, e ainda o voo direto do Concorde Washington–Orly em 1973. Há 30 anos, a Air France lançou a Navette, que transportou mais de 100 milhões de viajantes para Nice, Toulouse e Marselha.

Afinal, por que sair de Orly após oito décadas? Embora a maioria dos clientes dessas navettes seja formada por profissionais, a procura vinha despencando. O avanço do teletrabalho e das videoconferências, a concorrência e também uma maior consciência ambiental pesaram no resultado. Além disso, a lei Climat et Résilience proíbe voos domésticos quando existe uma alternativa ferroviária em menos de 2h30.

Diante de rotas consideradas “estruturalmente deficitárias”, a Air France decidiu concentrar esforços no aeroporto Paris-Charles-de-Gaulle, em Roissy, ao norte da capital. A empresa explica a mudança pela intenção de garantir melhor conexão com voos internacionais a partir de lá, além dos destinos franceses de Ultramar.

Para os passageiros, o ajuste é direto: a partir de agora, será necessário ir ao aeroporto Paris-Charles-de-Gaulle para voar com a Air France para Nice, Toulouse, Marselha, as Antilhas ou a Reunião. Já para sair do aeroporto de Orly, a alternativa passa a ser a subsidiária low-cost da Air France. Neste momento, a Transavia oferece 8 voos diários para Toulouse e Nice, e 2 voos por dia para Marselha. A frequência diminui, mas as tarifas também - o que pode ser um ponto positivo.

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