Pode até ser alemão no passaporte, mas o Volkswagen T-Roc também tem uma «costela» portuguesa - e a trajetória dele ajuda a explicar por quê.
Fabricado na Autoeuropa, em Palmela, o modelo já ultrapassou a marca de dois milhões de unidades vendidas desde o lançamento (2017) e ainda conseguiu um feito de peso: tirar o Golf do posto de Volkswagen mais vendido da Europa.
Com isso, a segunda geração chega carregando expectativas. Ela adota um design alinhado aos lançamentos mais recentes da marca e, pela primeira vez, passa a oferecer uma motorização híbrida plena (sem necessidade de tomada). Estivemos em Munique, na estreia mundial, e reunimos os principais pontos.
Volkswagen T-Roc: há boas e más notícias
Apesar do pacote de novidades e de manter a Autoeuropa bem ocupada, nem tudo joga a favor quando o assunto é o mercado português - e o motivo principal está na oferta mecânica do SUV.
Nesta nova fase, a gama será composta apenas por conjuntos motrizes eletrificados. O destaque vai para a inédita opção híbrida, mas ela só deve chegar em algum momento de 2026. Até lá, o novo Volkswagen T-Roc ficará restrito a duas alternativas mild-hybrid de 48 V, já utilizadas em outros modelos da Volkswagen.
Na prática, isso significa o 1.5 eTSI: um quatro-cilindros turbo a gasolina combinado com um pequeno motor elétrico e uma bateria, sempre ligado ao câmbio DSG (embreagem dupla) de sete marchas. Esse conjunto aparece em dois níveis de potência: 116 cv e 150 cv.
E é justamente aqui que nasce a questão, sobretudo para Portugal. Nesta segunda geração, o modelo «despediu-se» do motor 1.0 TSI e do câmbio manual, que funcionava como porta de entrada da linha.
À primeira vista, pode não parecer decisivo - mas vale lembrar que a tributação automotiva portuguesa considera cilindrada e emissões de CO2, tanto no cálculo do ISV quanto do IUC. Na prática, isso quer dizer que, mesmo que o 1.5 eTSI emita menos CO2 do que o 1.0 TSI, ainda assim tende a pagar mais imposto.
A cilindrada é 50% maior e isso pesa no preço final. Só na parcela de cilindrada do ISV, o salto é enorme: 239,88 € para o 1.0 TSI e 2208,90 € para o 1.5 eTSI. E ainda há um efeito em cascata: o IVA incide sobre a soma do preço-base com o valor do ISV.
A saída do câmbio manual também pode elevar o valor de entrada do novo Volkswagen T-Roc, já que uma transmissão de dupla embreagem costuma custar mais do que uma manual.
Vamos fazer as contas
Hoje, o Volkswagen T-Roc de primeira geração com motor 1.0 TSI e câmbio manual parte de 32 343 euros. Já a versão 1.5 TSI (150 cv, DSG) começa em 37 910 euros.
Como o novo 1.5 eTSI de 116 cv assume o lugar do 1.0 TSI de potência semelhante, e considerando tanto o fator cilindrada quanto a presença obrigatória do câmbio DSG, a Volkswagen pode ter uma tarefa bem complicada - talvez inviável - para manter, em Portugal, um preço de entrada equivalente ao atual. Resta esperar.
Os preços da nova geração ainda não foram divulgados, mas a tendência é de alta. A menos que a Volkswagen adote uma estratégia parecida com a da Citroën, que reduziu o preço do novo C5 Aircross em mais de 4000 euros em relação ao modelo anterior.
O novo Volkswagen T-Roc será mostrado ao público no Salão de Munique (IAA Mobility 2025) em 9 de setembro, data que também marca o começo das pré-vendas. É por volta desse período que os valores finais devem aparecer. Já a chegada efetiva ao mercado está prevista apenas para novembro de 2025.
E o IUC? Aqui também não há alívio. De novo, a cilindrada de 1,5 litro pesa contra o novo motor: 148,22 euros, frente aos 111,46 euros do 1.0 TSI.
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