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Rússia confirma uso do novo míssil hipersônico Oreshnik em novos ataques contra a Ucrânia.

Militar em uniforme camuflado monitora mapas estratégicos e radares em tela digital e computadores em sala com janela.

A Ministério da Defesa da Rússia confirmou nesta quinta-feira o emprego do míssil balístico hipersônico de alcance intermediário Oreshnik em uma nova série de ataques contra alvos considerados críticos em território ucraniano, no contexto da guerra iniciada em 2022.

De acordo com a nota oficial divulgada por Moscou, as Forças Armadas da Federação Russa executaram, durante a madrugada, “um ataque massivo com armas de longo alcance e alta precisão baseadas em terra e no mar, incluindo o míssil balístico de alcance intermediário Oreshnik, além de drones de ataque”.

Segundo o Ministério, a operação teria sido realizada “em resposta ao atentado terrorista do regime de Kyiv contra a residência do presidente da Rússia na região de Novgorod”, supostamente ocorrido em 29 de dezembro de 2025. Ainda conforme o comunicado, os alvos atingidos teriam incluído “instalações de produção de drones usados no ataque terrorista, bem como infraestrutura de energia que sustenta o funcionamento do complexo militar-industrial da Ucrânia”.

O texto afirma que “o objetivo do ataque foi alcançado” e encerra com a advertência de que “qualquer ato terrorista do regime ucraniano criminoso continuará recebendo uma resposta”.

Como o míssil hipersônico Oreshnik se encaixa na estratégia russa

Embora o comunicado trate o Oreshnik como parte de um conjunto de armas de precisão, a menção explícita a um míssil balístico hipersônico de alcance intermediário reforça a mensagem de escalada tecnológica e de capacidade de atingir alvos a grandes distâncias com alta velocidade. Em termos militares, sistemas classificados como hipersônicos tendem a reduzir o tempo de reação de defesas aéreas e a elevar a complexidade de interceptação, especialmente quando combinados com drones e outros vetores para saturar a defesa.

Além do impacto tático, o uso reiterado de um sistema apresentado como “novo” tem efeito político: sinaliza disposição de manter pressão sobre infraestrutura considerada vital pelo adversário e, ao mesmo tempo, funciona como demonstração de capacidade para audiências internas e externas.

Oreshnik na Bielorrússia: sistema entra oficialmente em serviço de combate

Em paralelo aos ataques, o Ministério da Defesa russo informou recentemente que o sistema de míssil balístico hipersônico Oreshnik passou a cumprir serviço de combate na Bielorrússia, em mais um passo na cooperação militar entre Moscou e Minsk.

Conforme a declaração oficial publicada em 30 de dezembro, “foi realizada uma cerimônia solene na República da Bielorrússia para que a unidade equipada com o sistema móvel de mísseis Oreshnik assumisse o serviço de combate. A bandeira das Forças de Mísseis Estratégicos foi hasteada após a conclusão do ritual de incorporação militar”.

Histórico do uso do míssil Oreshnik

O Oreshnik foi citado publicamente pela primeira vez em novembro de 2024, quando as Forças de Mísseis Estratégicos da Rússia realizaram um ataque contra a cidade ucraniana de Dnipro. Na ocasião, relatos iniciais apontavam o uso do míssil RS-26 Rubezh, mas o governo dos Estados Unidos e, posteriormente, o presidente russo Vladimir Putin confirmaram que havia sido empregado um novo sistema experimental chamado Oreshnik.

Naquele momento, Putin afirmou que os mísseis Oreshnik haviam sido usados “em resposta ao emprego de armamentos dos Estados Unidos e do Reino Unido”. Ele acrescentou que, em 21 de novembro de 2024, as Forças Armadas russas realizaram um ataque combinado contra uma instalação do complexo industrial de defesa da Ucrânia, incluindo “um teste de combate de um dos mais recentes sistemas russos de mísseis de alcance médio - neste caso, um míssil balístico com tecnologia hipersônica não nuclear, designado Oreshnik por nossas forças de mísseis”.

Reações da Ucrânia e da comunidade internacional aos ataques e ao Oreshnik

Após os ataques mais recentes, o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sybiha, escreveu na rede social X que “um ataque desse tipo perto da fronteira com a União Europeia e a OTAN é uma ameaça grave à segurança no continente europeu e um teste para a comunidade transatlântica”. Ele completou: “Exigimos respostas firmes às ações imprudentes da Rússia”.

De Moscou, autoridades voltaram a sustentar que a ofensiva foi uma reação à suposta tentativa ucraniana de atingir a residência de Putin. No entanto, autoridades dos Estados Unidos afirmaram que a CIA avaliou que a Ucrânia não pretendia atacar uma residência usada pelo líder russo.

Os ataques ocorreram em meio a negociações impulsionadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e seus enviados, com o objetivo de encerrar o conflito. Eles também vieram poucas horas depois de a Rússia alertar que quaisquer tropas europeias enviadas à Ucrânia como parte de um acordo de paz seriam consideradas “alvos legítimos”, e após a decisão dos Estados Unidos de apreender um navio-tanque de petróleo com bandeira russa.

Por sua vez, a Força Aérea da Ucrânia relatou que a Rússia lançou, durante a noite de quarta para quinta, um total de 36 mísseis e 242 drones, em uma das maiores ofensivas aéreas registradas nas últimas semanas.

Imagens meramente ilustrativas.

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