Estudo japonês sobre clonagem de mamíferos mostra que o acúmulo de mutações limita o número de gerações bem-sucedidas
Biólogos da Universidade de Yamanashi, no Japão, realizaram uma pesquisa de 20 anos para estabelecer até onde o clonagem seriada de mamíferos pode ir. Com camundongos, eles conseguiram produzir 58 gerações de clones, mas observaram que a sobrevivência cai de forma brusca após a 27ª geração, e a 58ª geração não viveu por mais de um dia.
Para aumentar as chances de êxito na clonagem, os cientistas recorreram à tricostatina A, uma substância que reduz a atividade de mutações durante o processo de clonagem. Esse composto, conhecido como um modulador epigenético, diminui a ação de enzimas que provocam alterações indesejadas no DNA.
Ao longo do experimento, mais de 1200 clones foram gerados a partir de um único camundongo inicial. A maioria das gerações mais tardias, com exceção da última, apresentou expectativa de vida normal e um sistema reprodutivo saudável, o que abre a possibilidade de que possam se reproduzir de forma natural.
A tricostatina A também mostrou eficácia nas gerações avançadas. Por exemplo, a taxa de sucesso na implantação do núcleo de uma célula doadora em um óvulo na 51ª geração chegou a 5,4% com o reagente, contra 1,6% sem ele. Isso reforça o potencial da substância para prolongar a viabilidade dos clones.
No entanto, os pesquisadores registraram o acúmulo de mutações entre as gerações. Cada nova geração incorporou cerca de 70 variantes de nucleotídeo único e 1,5 alterações estruturais no genoma. Essas mudanças se somavam e, com o tempo, passaram a superar os efeitos adaptativos.
Os cientistas também constataram que a passagem para a reprodução sexuada pode corrigir defeitos genéticos acumulados. A descendência das gerações tardias de clones, obtida de maneira natural, não apresentou as anomalias vistas nos pais, como defeitos na placenta.
O estudo destaca a importância da reprodução sexuada para manter a diversidade genética e impedir o acúmulo de mutações prejudiciais. Isso sustenta a teoria de que a evolução da reprodução sexuada ajudou os primeiros organismos a se protegerem contra parasitas, acúmulo de mutações e outras ameaças.
O líder da pesquisa, professor Teruhiko Wakayama, observou que novos testes com reagentes como a tricostatina A podem ampliar o número de gerações de clones bem-sucedidas. Ainda assim, sem a recombinação cromossômica típica da reprodução sexuada, o genoma continua exposto ao acúmulo de mutações.
O trabalho dos pesquisadores japoneses abre novas perspectivas para entender os limites da clonagem e o papel da diversidade genética na evolução. Esses resultados podem ser úteis no desenvolvimento de métodos para aprimorar a clonagem e investigar a estabilidade genética. Além disso, o estudo mostra que, mesmo com os avanços da clonagem, a natureza impõe restrições ao número de gerações que podem ser criadas sem reprodução sexuada. Isso ressalta a importância da diversidade genética para a sobrevivência das espécies.
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