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Smart #5 mostra a nova fase da marca e volta a reacender a possibilidade de um fortwo elétrico

Carro elétrico compacto branco com teto preto exibido em ambiente interno moderno com espelho na parede.

Quando se fala em Smart, muita gente ainda pensa naquele carrinho minúsculo de 2 lugares que cabia em qualquer vaga e virou símbolo de mobilidade urbana. Só que a marca mudou de tamanho - literalmente - e hoje aposta em uma estratégia bem diferente, mirando o público premium com uma linha de produtos que pouco lembra a proposta original.

Depois de apresentar o #1 em 2022 (um B-SUV que divide base e soluções técnicas com o Volvo EX30) e de lançar o #3 em 2024 (um crossover com estilo coupé no segmento C), a Smart deu mais um passo e revelou o #5. Trata-se de um SUV com 4,7 m de comprimento, que já está à venda na China.

Este é um modelo de recordes dentro da marca alemã: é o maior, o mais potente, o mais pesado e também o Smart mais caro já produzido. Acima de tudo, é o oposto daquilo que a Smart defendia quando foi fundada, em 1994.

O que começou como uma marca de nicho para atender às necessidades da mobilidade urbana hoje cobre os três segmentos mais procurados no mercado europeu.

Em contrapartida, se antes estava quase sozinha, sem rivais diretos, agora encara dezenas de concorrentes: o #5 ilustra bem isso, já que vai “aterrar” em um território até aqui dominado pelo Tesla Model Y.

Regresso às origens?

Apesar de tudo isso, a marca não esquece aquilo que a tornou conhecida: os carros urbanos. Por isso, pode voltar a lançar um modelo que atenda aos clientes que, até hoje, mantêm o fortwo como uma opção muito desejada no mercado de usados.

Foi isso que nos disse Dirk Adelmann, diretor executivo da Smart Europe, em conversa durante a apresentação à imprensa do novo Smart #5, em Estugarda, na Alemanha.

“Atualmente, estamos presentes nos segmentos B, C e D. Portanto ainda há um segmento em aberto para nós, que é o segmento A, onde fomos extremamente bem-sucedidos até meados do ano passado”, começou por dizer o “patrão” da Smart na Europa, antes de deixar uma garantia:

Se voltarmos com um modelo de dois lugares (…) será um verdadeiro Smart, será uma proposta única e não será retro. Isso é uma promessa.

Dirk Adelmann, CEO da smart Europe

“Não olhamos para o passado, geralmente olhamos para a próxima coisa que os clientes esperam de nós nesse segmento”, contou-nos Dirk Adelmann, sem esconder a convicção sobre o caminho que a marca enxerga para um possível regresso ao segmento A.

Se decidirmos lançar um sucessor (do smart fortwo) ou um novo modelo de dois lugares, será um verdadeiro Smart, com uma autonomia decente e 100% elétrico, isso é garantido.

Mesmo parecendo ter muito claro o que a marca quer para esse futuro modelo, Dirk Adelmann reforçou - mais de uma vez - que ainda não foi tomada nenhuma decisão acerca de um possível sucessor do fortwo. Ainda assim, uma confirmação pode surgir antes do que muitos imaginam:

Ainda não está decidido, mas estou otimista de que teremos algo para comunicar ainda este ano.

Vale lembrar que, já no ano passado, em declarações à Automotive News Europe, Dirk Adelmann afirmou que, para lançar um sucessor do fortwo, era preciso encontrar uma nova plataforma que permitisse construir um modelo com até 2,8 m de comprimento e que, ao mesmo tempo, conseguisse cumprir todas as normas de segurança atuais, além de atender ao nível de qualidade esperado de um modelo da marca alemã.

A Smart teria analisado diversas plataformas no mercado capazes de atender a esses requisitos, mas segundo o próprio, novamente citado pela Automotive News Europe, “nenhuma foi encontrada”.

A solução? Criar uma nova plataforma do zero: “Já começámos a trabalhar numa nova plataforma dedicada para servir de base a um futuro Smart de dois lugares para a cidade, mas precisamos de parceiros para tornar este investimento viável”, contou em 2024 à Automotive News Europe.

Aliança com a Renault nos planos?

Questionado por nós se esse parceiro de investimento poderia voltar a ser a Renault - já que a última geração do fortwo e do forfour foi desenvolvida em conjunto com o Twingo -, e considerando que a marca francesa prepara uma nova geração do Twingo, exclusivamente elétrica, Dirk Adelmann foi direto:

“Já estamos a trabalhar neste projeto há dois anos. Esse foi, naturalmente, um dos ângulos que explorámos, mas, por agora, posso excluí-lo. E esse é parte do problema neste segmento: se o fizermos sozinhos então temos que desenvolver uma plataforma que não existe”, explicou.

“Se quisermos ter um caso de negócio viável (carro com preço competitivo) é extremamente difícil. Por isso é que ninguém está atualmente presente de forma ativa nessa parte do segmento A onde queremos estar”, disse.

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