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Viagra pode ser uma das melhores opções já existentes para tratar Alzheimer.

Homem idoso e mulher jovem sorrindo enquanto fazem atividade de terapia cognitiva juntos na mesa da cozinha.

Repaginar tratamentos para que atuem em várias condições de saúde costuma ser mais rápido, mais seguro e mais barato do que criar, do zero, novas formas de cuidar da saúde.

Um ranking recente, feito com medicamentos e vacinas já existentes, apontou o tratamento para disfunção erétil vendido sob a marca Viagra como uma das opções mais promissoras para proteger as pessoas contra a doença de Alzheimer.

Como o painel de especialistas chegou aos candidatos para Alzheimer

A avaliação foi conduzida por um grupo de 21 especialistas, que analisou indicações anónimas, evidências clínicas e também recomendações de pessoas não especialistas. A partir desse material, o painel definiu uma lista com 80 candidatos que demonstram potencial para tratar o distúrbio neurodegenerativo.

Para chegar ao resultado, os autores recorreram ao chamado consenso Delphi - um processo estruturado, muito usado em medicina e saúde pública, para ajudar grupos a tomarem decisões com maior convergência.

"Cada um dos candidatos prioritários tem evidências a apoiar mecanismos de ação subjacentes relevantes, estudos não clínicos e evidências clínicas provenientes de estudos epidemiológicos e/ou ensaios clínicos preliminares", escrevem os investigadores no artigo publicado.

"A tolerabilidade de cada um destes compostos também é adequada para administração a uma população mais frágil de pessoas idosas, como parte de um programa de ensaios clínicos bem monitorizado. Por isso, recomendamos cada uma destas abordagens terapêuticas como prioridade elevada para ensaios clínicos para o tratamento ou a prevenção da doença de Alzheimer."

Os três destaques: Sildenafil (Viagra), Zostavax e riluzol no combate ao Alzheimer

Entre os 80 nomes, três acabaram por se destacar: sildenafil (Viagra), Zostavax (uma vacina contra o herpes-zóster) e riluzol (um fármaco usado para tratar a esclerose lateral amiotrófica).

Estes tratamentos já tinham sido associados, em estudos anteriores, à prevenção do Alzheimer. Ainda assim, o facto de terem sido escolhidos por especialistas como os mais adequados para desenvolvimento futuro é um endosso relevante do seu potencial.

Sildenafil (Viagra)

O sildenafil é um inibidor que promove o relaxamento dos vasos sanguíneos e é usado com frequência para facilitar ereções. Estudos anteriores indicam que ele também pode reduzir o risco de Alzheimer, ao diminuir o acúmulo tóxico da proteína tau - algo comum no cérebro de pessoas com a doença.

Zostavax (vacina contra herpes-zóster)

O painel concluiu que a vacina Zostavax contra herpes-zóster é ainda mais promissora do que o sildenafil. Embora a relação não seja totalmente compreendida, estudos anteriores sugerem que a vacina reforça o sistema imunitário, oferecendo proteção contra o Alzheimer.

Riluzol

Por fim, há o riluzol, um medicamento que ajuda a impedir a morte de neurónios ao modificar vias biológicas e reduzir níveis de substâncias químicas no cérebro que já foram associadas a doenças neurodegenerativas como o Alzheimer.

O que ainda falta provar sobre prevenção e reversão do Alzheimer

"Vencer a demência vai exigir todas as frentes de investigação - desde usar o que já sabemos até descobrir novos medicamentos para tratar e prevenir a condição", afirma Anne Corbett, investigadora em demência na Universidade de Exeter, no Reino Unido.

"A reutilização de medicamentos é uma parte vital dessa combinação, ajudando-nos a transformar a medicina de hoje para uma condição no tratamento de amanhã para outra."

Por mais promissores que estes candidatos pareçam, ainda não é possível afirmar de forma definitiva que estes fármacos previnem ou revertem o Alzheimer em pacientes humanos. A próxima etapa do processo - ensaios clínicos abrangentes - deve esclarecer muito mais sobre o quanto estes tratamentos podem ser úteis.

É evidente que há muitos possíveis fatores a contribuir para o Alzheimer, e compreender como eles se relacionam e se influenciam é um grande desafio para os investigadores.

Embora grande parte da patologia do Alzheimer ainda permaneça, em certa medida, um mistério, o que já está bem estabelecido é que medicamentos reaproveitados podem funcionar como tratamentos para outras condições - e há motivos para esperar que a doença de Alzheimer possa ser a próxima.

"É importante salientar que estes medicamentos precisam de mais investigação antes de sabermos se podem ser usados para tratar ou prevenir Alzheimer", diz Corbett.

"Agora precisamos de ver ensaios clínicos robustos para compreender o seu verdadeiro valor e saber com certeza se são eficazes para tratar ou prevenir Alzheimer."

A pesquisa foi publicada na revista Pesquisa e Terapia em Alzheimer.

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