Autoridades de saúde do Reino Unido investigam 27 casos ligados a um surto fatal de meningite que, segundo a suspeita, teria se disseminado em uma boate no sudeste da Inglaterra.
A seguir, reunimos tudo o que se sabe até agora sobre a doença e sobre o surto.
O que é meningite?
Meningite é uma infecção potencialmente letal que provoca inflamação das membranas que revestem o cérebro e a medula espinhal, podendo evoluir para sepse.
A meningite bacteriana - como a observada neste surto - é menos frequente e mais perigosa do que a forma viral.
Entre os primeiros sinais, costumam aparecer dor de cabeça, febre, sonolência e rigidez na nuca - sintomas que também ocorrem em outras doenças e podem dificultar um diagnóstico rápido.
Outro indicativo possível é o surgimento de manchas na pele (rash), e a evolução pode ser muito rápida.
"Certamente não é tão contagiosa quanto, por exemplo, a gripe ou a COVID-19, e muitas vezes exige um contato próximo relativamente prolongado antes que ocorra a transmissão", disse Andrew Lee, professor de Saúde Pública da Universidade de Sheffield.
A transmissão pode acontecer em situações de contato íntimo, como beijo, ou pelo compartilhamento de vapes ou bebidas.
Segundo um monitoramento da Meningitis Research Foundation, mais de dois milhões de pessoas contraem meningite no mundo todos os anos - 80% em países em desenvolvimento.
No Ocidente, surtos entre universitários têm sido especialmente recorrentes.
De onde vem a infecção?
A doença meningocócica é uma condição rara, porém grave, provocada pela bactéria meningococo, que pode levar à meningite.
Em geral, a disseminação ocorre por pessoas que carregam a bactéria na parte posterior da garganta ou no nariz, mas que não apresentam sintomas.
"Entre 10-24 per cent da população carrega esse germe sem saber, na parte de trás da garganta, geralmente sem qualquer dano", afirmou Lee.
Existem diferentes cepas da bactéria. Neste surto, pelo menos nove dos casos confirmados são de doença meningocócica do grupo B (MenB) - a mais comum no Reino Unido.
O foco principal do surto é atribuído à boate Club Chemistry, em Canterbury, de acordo com o secretário de Saúde Wes Streeting. Pelo menos 10 dos casos confirmados estiveram no local entre 5 e 7 de março.
Qual é o tamanho do surto de meningite em Canterbury?
Streeting classificou a situação como "sem precedentes".
Até a quinta-feira, havia ao menos 27 casos sob investigação, com 15 confirmações. Esse número cresceu rapidamente na última semana, e o primeiro caso foi registrado na sexta-feira, 13 de março.
Também foram registradas duas mortes.
"O risco de transmissão e de novos casos costuma ser maior na primeira semana após o contato com um caso, e a probabilidade diminui rapidamente depois", disse Lee.
Muitos dos infectados são estudantes da University of Kent. Também houve registros em quatro escolas de Kent e em uma instituição de ensino superior em Londres.
Até quinta-feira, a autoridade local não conseguiu confirmar se o surto já havia sido contido.
Por que o caso é considerado sem precedentes?
Especialistas em saúde destacam a velocidade incomum e a ampla propagação em um intervalo curto.
No Reino Unido, a meningite geralmente aparece em pequenos agrupamentos de casos.
"Em meus 35 anos trabalhando na medicina, na saúde e em hospitais, este é o maior número de casos que já vi em um único fim de semana com esse tipo de infecção", disse Susan Hopkins, chefe da UK Health Security Agency (UKHSA).
"Isso parece um evento de superdisseminação, com transmissão contínua dentro das residências universitárias", acrescentou Hopkins.
A UKHSA foi informada sobre o primeiro caso em 13 de março e iniciou o rastreamento de contatos. Em 14 de março, a França comunicou às autoridades britânicas um caso de uma pessoa que havia estado na universidade e foi hospitalizada em território francês.
Amostras coletadas dos pacientes estão sendo analisadas em laboratório, o que pode ajudar a esclarecer melhor a cepa envolvida e por que a infecção tem se mostrado mais invasiva.
Qual tem sido a resposta oficial?
As autoridades de saúde estão tentando, com urgência, localizar contatos próximos de quem adoeceu e montaram várias clínicas de atendimento em Canterbury para distribuir antibióticos.
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, pediu que todos que estiveram na boate no fim de semana do surto procurem antibióticos para ajudar a interromper a disseminação da doença.
Para a população britânica em geral, "o risco geral continua muito baixo", disse Zina Alfahl, da Escola de Medicina da Universidade de Galway.
Normalmente, a meningite bacteriana precisa de tratamento hospitalar.
A prevenção é possível por meio de vacinação. A University of Kent lançou uma campanha direcionada para aplicar 5,000 doses em estudantes no campus.
Embora vacinas contra algumas cepas de meningite sejam aplicadas rotineiramente em crianças no Reino Unido, a dose contra a MenB só entrou no calendário de imunização em 2015 - quando o país se tornou o primeiro do mundo a incorporar essa vacina ao programa.
Com a corrida para comprar vacinas após o surto, o ministro Streeting afirmou que isso "não era necessário".
© Agence France-Presse
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