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Goodwood Festival of Speed é o palco onde todos querem estar

Carro esportivo McLaren Prata exibido em plataforma circular em evento automotivo.

Os salões do automóvel já foram “enterrados” na Inglaterra há bastante tempo, mas o Goodwood Festival of Speed faz questão de lembrar, todo verão, o auge da indústria automotiva britânica - e, ao mesmo tempo, serve de vitrine para as marcas colocarem seus lançamentos sob os holofotes.

Desde o verão de 1993, o “Festival da Velocidade” se consolidou como uma combinação que funciona: encontro de fãs, exposição de clássicos, atrações de corrida e, mais recentemente, apresentações de modelos inéditos.

O coração do evento é a rampa, a Goodwood Hillclimb: uma faixa de asfalto com 1,87 km (1,16 milhas) de extensão, que serpenteia por uma colina de gramado com meia dúzia de curvas.

Por ali, carros de corrida antigos e atuais, protótipos, novidades recém-lançadas e exemplares únicos sobem em ritmos bem diferentes - alguns limitados pela idade ou pela tecnologia, outros pelo talento (nem sempre brilhante) de quem está ao volante. Em geral, completam o trecho em menos de um minuto, arrancando aplausos de dezenas de milhares de espectadores, sobretudo quando são movidos a combustão, por terem uma ligação mais intensa com os sentidos da audição e do olfato.

Em outra parte da imensa propriedade de Lord March, dá para ver modelos históricos em ação numa pista próxima ou em um curto trecho de rali. O terreno inteiro é dele - e o anfitrião costuma circular empolgado durante os quatro dias, satisfeito em reunir, ao seu redor, marcas e executivos de tantos fabricantes.

Como tudo começou

Embora o evento aconteça sem interrupções há 32 anos, a origem da história volta a 1936: Freddie March, então 9.º Duque de Richmond, resolveu promover uma subida privada de rampa para o Lancia Car Club, dentro de sua propriedade em West Sussex, no litoral sul da Inglaterra, perto de Brighton. Essa primeira edição abriu caminho para o que viria a se tornar um espetáculo icônico do automobilismo, profundamente ligado à herança automotiva do Reino Unido.

Depois da pausa imposta pela Segunda Guerra Mundial, em 1948 foi inaugurado o Goodwood Motor Circuit. Ainda assim, ficou clara a enorme oportunidade de criar no país algo maior: uma espécie de parque temático para quem é apaixonado por carros.

Já a Goodwood Hillclimb, no formato atual, nasceu em 1993 sob a liderança de Charles Gordon-Lennox, o atual Duque de Richmond. A proposta era recuperar o espírito do automobilismo britânico clássico e, ao mesmo tempo, oferecer um evento singular, pensado para ser acessível aos fãs e às suas famílias.

Do Goodwood Festival of Speed de Stirling Moss a Max Verstappen

Algumas das maiores lendas do automobilismo já atraíram multidões quando foram anunciadas para a subida da Goodwood Hillclimb - de Stirling Moss a Max Verstappen, passando por Valentino Rossi (em quatro rodas). Ainda assim, quem cravou um recorde que permaneceu por nada menos que duas décadas foi o ex-piloto de F1 Nick Heidfled.

Mesmo não sendo o foco principal, a marca de 41,6s obtida ao volante do McLaren MP4/13 - carro que dominou o Campeonato do Mundo de Fórmula 1 de 1998 com Mika Häkkinen e David Coulthard, com o finlandês se tornando campeão mundial - só seria superada recentemente, já no início da era elétrica.

Primeiro, o francês Romain Dumas baixou o tempo com o Volkswagen ID. R (39,9 s) em 2019. Depois, foi a vez do único McMurtry Speirling (39,08 s), o protótipo monoposto guiado pelo igualmente midiático Max Chilton.

Passarela vermelha, entre gramado e asfalto

Marcas de elite como Mercedes-Benz, Ferrari, Aston Martin, Koenigsegg, Pagani, Lotus e até a Rolls-Royce - com seu imponente Spectre - não se cansam de posar para as câmeras insistentes.

Ao mesmo tempo, fabricantes mais “pé no chão” também brilham ao relembrar o passado glorioso nos ralis, com modelos consagrados em algumas das provas mais importantes do mundo, como Ford Escort RS 1800, Audi Sport Quattro, Subaru Impreza, Toyota Celica ST185 e Peugeot 205 T16 Evo.

Junto do Salão de Munique, o fim de semana prolongado do Goodwood Festival of Speed, que recebe mais de 100 000 visitantes em cada edição, é o evento automotivo mais importante do ano na Europa.

Muitas marcas com ambições dinâmicas - e sonhos igualmente dinâmicos - respondem ao chamado do Duque e erguem estruturas impressionantes no esplendor do gramado, para se exibirem em grande estilo ao ar livre, durante as temperaturas mais altas do verão.

Destaques da edição de 2025

A Hyundai não teve receio de “deixar” uma boa quantidade de borracha na subida: o novo esportivo elétrico IONIQ 6 N - com 650 cv de potência e capaz de alcançar os 257 km/h - marcou presença com força no asfalto da rampa.

Na mesma linha, a Bentley fez barulho com o Bentayga Speed, que neste ano, logo na estreia, estabeleceu um novo recorde de subida para o segmento dos SUV.

Nessa nova configuração, o Bentayga completou o trajeto em 55,8s, apoiando-se nos mesmos (ou semelhantes, já que não são elétricos) 650 cv do seu motor V8 ainda mais “vitaminado” e sonoro, capaz de levá-lo a uma velocidade máxima de 310 km/h.

Mais rápido ainda é o McLaren W1 de 1275 cv, que em breve levará para as ruas a tecnologia híbrida da Fórmula 1. Ao lado dele, no espaço da McLaren, apareceu o igualmente impressionante Solus GT: um monoposto com menos de uma tonelada, capaz de “voar baixo” graças ao motor V10 de 5,2 litros e 840 cv.

A BMW foi além de expor clássicos espetaculares com “pinturas de guerra” e levou a Goodwood, neste ano, o concept Vision Driving Experience - uma prévia quase definitiva do futuro iX3. E não ficou restrita aos elétricos: BMW M2 CS e M3 CS Touring também elevaram a adrenalina enquanto encaravam a rampa, em plena comemoração de cinco décadas da Série 3.

Na Mercedes-Benz, o protagonismo ficou com o novo CLA elétrico, mas os monopostos de Fórmula 1 das últimas décadas foram os que arrancaram os aplausos mais intensos.

Hollywood em Goodwood

A Porsche chamou atenção pela iniciativa beneficente ao convidar a estrela pop Dua Lipa para retirar o manto que cobria um Porsche 911 GT3 RS. O carro foi leiloado em benefício da Fundação Sunny Hill (uma instituição de caridade criada por Dua Lipa, com foco em ajudar a sociedade kosovar em diferentes aspetos, especialmente nas artes e na cultura).

Quase ao lado, Adrien Brody - duas vezes vencedor do Oscar - marcou a estreia do documentário “The Intern”, no qual assume o papel de um estagiário para revelar os bastidores da produção da Porsche. Quem estava de olho no futuro da marca alemã ainda conseguiu um primeiro vislumbre (dinâmico) do iminente Cayenne elétrico.

Ao longo dos quatro dias nas colinas onduladas de Sussex, a Lamborghini exibiu não apenas o novo Temerario, mas também sua versão de competição GT3 que, a partir do próximo ano, será o primeiro carro turbo a se juntar ao antecessor Huracán numa corrida de quebra de recordes mundiais.

“Após os sucessos desportivos e comerciais do Huracán GT3, com o qual ganhámos 96 campeonatos e vendemos mais de 200 carros, projetámos versões de competição desde o arranque do projeto Temerario”, explica-nos o CEO da Lamborghini, Stephan Winkelmann.

Espiar o futuro

Como sua influência se tornou cada vez mais presente na indústria automotiva, nos últimos anos as marcas controladas por grupos chineses passaram a ocupar a linha de frente no Goodwood Festival of Speed.

Um destaque é a MG, de origem britânica, que comemorou em Goodwood o centenário no ano passado e voltou com o Cyberster X e o ousado Cyber X, além dos novos IM5 e IM6.

“A MG celebrou o seu centenário connosco no ano passado. Agora, a marca regressou ao festival com dois novos modelos de produção e concept-cars fora de série”, explicou o próprio mestre de cerimônias Charles Gordon-Lennox, antes de encerrar: “A oportunidade de ter uma primeira ideia dos desenvolvimentos futuros e das inovações técnicas é, cada vez mais uma parte importante do Goodwood Festival of Speed, que presta tributo ao passado enquanto projeta o futuro”.”

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