O KGM Rexton é um SUV de contrastes. De um lado, é robusto, espaçoso e bem equipado; de outro, é barulhento, gastão e um pouco ultrapassado.
O KGM Rexton é um SUV como quase não se vê mais: grande - quase cinco metros de comprimento -, com motor a diesel sem qualquer tipo de auxílio elétrico, chassi de longarinas e espaço para sete ocupantes.
Mesmo sem parecer, ele também já tem uma trajetória longa. Foi lançado em 2017, ainda sob a marca Ssangyong. Em 2020, passou por uma reestilização profunda e, em 2024, recebeu mais uma atualização para o relançamento, agora como KGM, a empresa que comprou a Ssangyong.
O ponto é que a idade do projeto fica evidente, apesar de todas as melhorias no visual e nos itens de segurança e conforto.
KGM Rexton: aposta na imagem e no espaço
Dito isso, os primeiros minutos a bordo do KGM Rexton são positivos. O visual agrada, há revestimentos em couro de boa qualidade e o acabamento transmite cuidado e solidez.
A posição ao volante também está correta, e os múltiplos ajustes elétricos permitem acomodá-la à maioria das estaturas. Apenas a coluna de direção conta com regulagem manual.
Para quem viaja na segunda fileira, o espaço também é bem generoso. O banco central não atrapalha tanto, e o apoio de braço rebatível é sempre bem-vindo.
As medidas avantajadas do KGM Rexton - 4,85 m de comprimento e 2,865 m de distância entre-eixos - permitiram incluir uma terceira fileira de assentos a bordo, acrescentando pontos em versatilidade.
Para chegar até ela, é preciso rebater os bancos da segunda fileira, e o uso não é dos mais práticos. Ainda assim, eles são úteis o suficiente, nem que seja para trajetos curtos.
Quase uma volta no tempo com o KGM Rexton
Dirigir o KGM Rexton é quase como voltar no tempo. Enquanto a eletrificação trouxe mais suavidade e silêncio ao funcionamento dos carros, neste SUV sul-coreano, assim que damos a partida, o ruído do motor diesel está sempre muito presente, sobretudo quando está frio. Depois de alguns quilômetros, o barulho não some, mas fica um pouco mais ao fundo.
Os 202 cv e 441 Nm não entregam desempenho empolgante, mas também não deixam o ritmo cair. Quem não gosta de pressa é mesmo a caixa automática.
O chassi de longarinas e travessas não ajuda na experiência ao volante: embora a suspensão seja independente nos dois eixos, as irregularidades do piso são sentidas com facilidade, há mais vibrações e os movimentos da carroceria são maiores do que os de outros modelos mais recentes costumam permitir.
Além disso, a direção é algo vaga e pouco comunicativa, o que contribui para que o KGM Rexton não passe muita confiança a quem está ao volante.
Comecei dizendo que o Rexton é um SUV da «velha guarda», mas em Portugal ele só é vendido com tração traseira - na Espanha, por exemplo, está disponível apenas como 4×4. Por isso, as escapadas fora de estrada ficam mais limitadas, apesar de a distância ao solo já ser respeitável - 22 cm.
Ao fim do teste, registrei uma média de consumo de 9,8 l/100 km. Não é um número absurdo - afinal, são duas toneladas de SUV -, mas fica bem acima do consumo combinado oficial de 7,8 l/100 km.
Escolha simplificada
Escolher um KGM Rexton em Portugal não poderia ser mais simples. Ele é oferecido apenas em uma versão - K5 - por 58 000 euros. A boa notícia? Vem absolutamente completo: a única opção é a pintura metálica.
SUV, motor diesel e sete lugares é uma combinação em vias de extinção, embora, no caso do Rexton, o que realmente pesa seja a idade do modelo, e não a tecnologia diesel.
Como alternativa, há o Skoda Kodiaq, um pouco menor, mas mais refinado - graças à construção monobloco. O motor diesel também é menos potente, com 150 cv, e o preço é 12 mil euros inferior.
As demais alternativas já fazem parte da era eletrificada, com opções híbridas ou 100% elétricas, como os conterrâneos Hyundai Santa Fe, Kia Sorento e EV9.
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